Odiado por todos. Querido por quase ninguém. Por que odiá-lo? Nunca passara de um garoto calado e pensativo. Pensava demais para causar algum dano a qualquer outro ser, vivo ou não. Incompreendido por sua filosofia de vida que pregava o desapego aos prazeres mundanos, o que para os outros era a razão da vida. Por que praticar atos nocivos a si mesmo se podia ajudar-se, ajudar os outros e ainda sentir-se ótimo no final? A sensação de produtividade e dever cumprido o viciava. Dever que ninguém o impusera. Seja informando ou entretendo, sentia orgulho do que produzia. Nada mais o entristecia mais do que suas limitações de habilidade, que um dia sonhava em despedaçá-las. Chamavam-no de hipocondríaco, mas se recusavam a sentir seus sintomas, covardes. Era procurado por muitos, não pela popularidade, mais sim por ajuda. Tinha o dom de ajudar, mesmo com má-vontade fazia um bom serviço. Passou a sentir que não pertencia àquele planeta, àquela gente. E era realmente essa a verdade. Fechou os olhos e voltou ao seu lugar.