A relação estava ficando séria. Passados dois anos, palavras como "casamento" e "filhos" (no plural!) começaram a rondar as conversas do jovem casal: clássico encontro entre um alfa assertivo e uma moça feminina e atraente.

Três anos adiante, nascia o primeiro filho. Quanta felicidade! Esta durou três meses — o filho, muito mais. O homem começou a questionar: "De onde veio esse nariz? E essas orelhas? E esse queixo?". O insuportável cheiro da infidelidade eventualmente extraiu a verdade. A jovem esposa resistiu, mas finalmente chorou seus mais cortantes segredos: anos atrás, passara por diversas cirurgias estéticas para "consertar" nariz, orelhas, queixo... Entre outras coisinhas.

Percebendo que fora enganado de maneira tão profunda, o homem pediu a separação. O filho, quase um estranho, carregava, sim, seus genes — mas, também, os de uma mentira cosmeticamente forjada.



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