A Maldição do Artista

11 de Maio de 2013 Alexandrino Contos 801

Enquanto o véu de sombras abraça o mundo e os homens dormem, o artista apenas se deita. Escravo da própria inventividade, ele não tem sossego. Sua mente vive povoada, tumultuada e ardente. O cérebro ferve numa teia de pensamentos e enxerga padrões em tudo. Estabelece relações e conexões entre coisas antagônica, e por mais que se deite, a cabeça do artista tarda a encontrar o sono, até que o cansaço o faça desmaiar.

Não se trata de criar em escala industrial. Sua criatividade funciona conforme o caminhar do bêbado - um passo pra frente, cinco pro lado, oito pra trás e de repente corre em disparada - Ele precisa sentir, digerir, assimilar o que lhe cerca, entender os encaixes pro trás da natureza, experimentar os erros e acertos pra conseguir enxergar a totalidade do mundo que lhe cerca e lhe prende.

O artista é um desbravador, um expansionista incansável. Ele não se contenta em levantar todas as manhãs e aceitar que sua vista só vá até o horizonte, ou que seus pensamentos se limitem às trivialidades das massas. Ele precisa respirar, fartar os olhos de lugares novos e os ouvidos de opiniões diversas de todo tipo de gente.

O artista é feito de Ar. Ele busca abraçar o mundo inteiro e saber o máximo que puder. Sua mente incansável desconheço a hora de dormir e a hora de acordar, ignora o cansaço enquanto não conseguir assimilar tudo que sente. A vontade de entender move seu universo e sustenta seus pilares. Sua água é o pensamento, sua força criadora, a mesma força que torna um inútil pras coisas metódicas e tabeladas, que suga suas energias e lhe abraça com noites de insônia e a alta percepção das coisas vivas, mortas e imaginárias.

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