Nome

11 de Maio de 2013 Silenced by night Contos 762

Há tempos não dizia o nome dela, mas naquele dia fora diferente. Viu os lábios curvados num sorriso que muito antes conhecera, viu o brilho nos olhos que um dia não desviara dos seus. Sentiu saudade, alivio, sentiu tudo naquele instante. Era a quem, no início, fora apresentado. Os cabelos caíam por sobre o ombro, a mão apoiada na cintura, um corpo que secretamente desejava. Desejara, pois algo entre os dois mudou tão drasticamente que a distância dominou, esvaecendo o sorriso, o brilho inocentemente malicioso.

Aproximaram-se, aos poucos, receosos. Mas logo se viram como antes eram, grandes amigos, companheiros. O céu azul, a cor vibrante das flores e o canto dos pássaros faziam o cenário para os dois. Conversaram sobre tudo, sobre o Sol, a Terra, filmes e músicas. Enquanto ela ria, ele a fitava, maravilhado com a harmonia que testemunhava acompanhado. Entre as risadas, das mais tímidas às mais gargalhadas, ela o deitou sobre suas pernas, fazendo-lhe um tipo de cafuné em seu cabelo que mais parecia, como dizia ela, uma “bagunça com estilo”. Assim ficam por um tempo, olhando-se e rindo-se, enquanto o Sol se punha no horizonte. Não devia tê-la deixado partir, não depois do que passaram juntos e não antes do que tinham para passar. Ela, por sua vez, não devia ter se deixado levar. Mas independente disso, estavam ali, por uma força de um bem maior que não os deixaria desistir.

Falou seu nome outra vez e falaria por tantas vezes que o fizessem sorrir. Um novo dia amanheceria, e um novo após esse, mas não seria mais como era, não. Os novos dias amanheceriam para fazê-los sorrir e uni-los outra vez. Já haviam deixado suas marcas e seria difícil apagá-las. Mesmo estando longe, ele seria dela e ela seria dele. Até com tantos encontros e desencontros, o sorriso suave e brilho levemente malicioso seriam dele, e a ela restava-o como um todo.

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