VIBRAÇÕES HUMANAS

25 de Junho de 2013 Luciah Lopez Contos 952

Havia um silêncio...
Quebrado pelas sirenes dos carros da polícia e o falatório dos curiosos se aglomerando cada vez mais perto para ver melhor.
Havia também o cheiro forte_________um cheiro que nós, os ainda vivos não conseguimos sentir sem fazer careta de nojo e asco. O cheiro que mostra o desequilíbrio entre a vida e a morte e revela o nosso mais profundo medo.
A moça estava lá. Deitada no chão, com o mato a sua volta todo pisoteado. A roupa tinha sido rasgada e atirada longe, ainda estava pendurada nos galhos mais fortes. Suas pernas afastadas revelando o negrume das suas partes íntimas incineradas, calcinadas pelo fogo ainda revelavam os pedaços da estopa que fora embebida em gasolina e depois colocada em seus genitais para que fossem queimados numa tentativa cruel e insana de tentar remover qualquer prova de violência sexual. Suas mãos crispadas ainda seguravam um pouco de terra e grama (talvez uma última tentativa de manter-se viva). Os seus mamilos foram extirpados a dentadas e cuspidos ao lado do corpo. Sua pele fora retalhada por alguns instrumento cortante exibia a carne e o sangue grudado nas bordas das feridas. A tortura durou algumas horas, eram quatro os seus carrascos. Seus gritos chegaram a ser ouvidos por moradores de perto mas, na duvida, resolveram se aquietar em suas camas e dormir o sono dos 'justos' até que finalmente ouviram o tiro e silêncio de morte encobriu a volta dos quarto anjos da morte para a claridade da luz dos postes.
A moça ficou lá. Quieta. Inerte. Sem vida. Os ratos do campo e os pássaros vieram visitar os despojos - talvez tenham se alimentado do sangue e da carne exposta. Talvez tenham ficado em silêncio, pois, destes ciclos perversos só fazem parte os homens e suas aflições puramente humanas. A moça foi levada e foram validados todos os votos, que, um dia a mulher que a trouxe ao mundo fez. O tempo passou e o mato voltou a crescer onde foi queimado e pisoteado, só a moça não voltou a sorrir.


+Daniele da Silva Santos, 24 anos

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