UMA DEUSA CHAMADA LILITH

09 de Julho de 2011 Paulinho Souto Maior Contos 2462

Ao lançar GRATUITAMENTE na rede mundial de computadores – um dos mais polêmicos livros da atualidade: ‘UMA DEUSA CHAMADA LILITH’, PAULINHO SOUTO MAIOR toca fundo na ferida da Religião que domina o povo com ameaças, tiranias de inferno e conceitos malogros baseado em mentiras. O medo inconsciente do membro religioso do inferno e das maldições lançadas num livro de nome ‘A BÍBLIA SAGRADA”, fez de ponte de ligação para a manipulação entre religião e a máquina humana.
O livro trata de uma história de amor de dois grandes deuses que foram propositalmente mal interpretados pela pela religião e por ignóbeis estudantes de religiões.
O sentimento que está estampado atualmente em todos os corações humanos é de medo.
O medo de deuses ditos como errados, provocou uma crise na mente humana. O profano passou a ser santo e o santo criou nos povos um, terrorismo espiritual, guerras de sentimentos errôneos e calamidades psíquicas.
De forma corajosa e ousada, PAULINHO SOUTO MAIOR define os deuses de uma maneira ainda branda.

UMA DEUSA CHAMADA LILITH primeiro volume é ainda um bálsamo de uma farsa, e; faz com que primeiramente as pessoas se identifiquem com os deuses, portanto você vai ver anjos, deuses e demônios que não tem ligações nenhuma com os outros, unidos apenas pela ficção.

Já no segundo volume, PAULINHO SOUTO MAIOR, foge da ficção e mostra os verdadeiros fatos do acordo entre Roma e Israeil para criarem a maior FARSA religiosa de todos os séculos.

UMA DEUSA CHAMADA LILITH

O SEGREDO UNIVERSAL

Uma deusa chamada Lilith é uma obra de ficção de Paulinho Souto Maior, qualquer coincidência pode não ser semelhança ou vice versa.

Quarenta por cento de todo esse trabalho, foram trabalhos de pesquisas retiradas da internet em sites de divulgação pública.

Portanto se alguma coisa que você leu aqui por um acaso já tinha visto na rede de computadores, não se escandalize, estavam lá para divulgação e os retirei para honrar a esses brilhantes seres que estudaram para apresentar a nós algumas verdades.

Foram retirados não só matérias, como fotos e imagens. Parabéns a todos que colocaram seus estudos em blogs, sites, no Youtube e outros. Vocês também fazem parte desse livro que é uma obra também GRATUITA, a todos que navegam pelo mar cibernético.
Paulinho Souto Maior

Paulinho Souto Maior é escritor, roteirista, autor de casos especiais. Formado em Teologia pastoral, é Espiritólogo e Psicobiofísico.




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UMA DEUSA CHAMADA LILITH

O SEGREDO UNIVERSAL

INTRODUÇÃO


- Eu... Eu sonhei com ela...

Conta à lenda através (da bíblia dos cristãos), que desde a época dos *Nefilins lá em Gênesis seis até a data atual de 2011, anjos e demônios se misturaram aos homens, materializando-se, e; consubstancializando-se com a humanidade, em igualdade de condições humanas.

Daí, daquela época do Genesis até o tempo atual, ninguém sabe, até hoje, quem é quem. Se pessoas do seu convívio social são mesmo humanos, se são deuses, se anjos, ou até mesmo demônios.

E isso você só vai conhecer, quando você descobrir O GRANDE SEGREDO.

* Os Nefilins (gigantes) eram os filhos do relacionamento sexual entre os filhos de Deus e as filhas dos homens em Gênesis 6:1-4.

Há muito debate quanto à identidade dos “filhos de Deus”. Nós da ORDHUS ESPIRITOLÓGICA UNIVVERDAL, acreditamos que os “filhos de Deus”
Há que diga em determinados estudos teológicos que esses “filhos de Deus” eram anjos caídos e/ou demônios, os quais se relacionaram com fêmeas humanas e/ ou habitaram os corpos de machos humanos para então se relacionarem com as mulheres. Mas, nós da ORDHUS ESPIRITOLÓGICA UNIVERSAL, acreditamos que esses “filhos de Deus” eram anjos de Adonai (deus dos cristãos), e; dessa união deu origem a filhos, de conotação ‘Nefilins’ os quais eram “os valentes que existiram na antiguidade, os homens de fama. (Gênesis 6:4).

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CAPÍTULO 1

Deitado no grande sofá da sala de seu luxuoso apartamento, Adão roncava alto, e; ao mesmo tempo, sua baba escorria pelo braço que apoiava a cabeça.

Seis garrafas de cervejas viam-se esparramadas ao chão. Duas caídas, e; as demais em pé.
Um copo ainda pela metade esquentava a luz do sol que entrava pelo canto da vidraça.

Várias guimbas de cigarros estavam no cinzeiro, onde um deles estava no final de sua queimação com a fumaça ainda esvoaçante.

O intervalo do jogo amistoso entre Brasil e Inglaterra, dera a Adão o espaço de relaxar, só que ele adormeceu devido ao estágio de sua embriaguês...

Lilith, alheia ao acontecimento de sua sala, e; sozinha no terraço do seu luxuoso apartamento na Vieira Souto em Ipanema, bairro nobre da Zona Sul do Rio de Janeiro, admirava a imensidão e a beleza do céu e do mar, numa vista de paisagem vislumbrante.

Ao mesmo tempo em que admirava o ribombar das ondas, seus cabelos esvoaçavam com o vento devido aos cinco andares de altura do seu prédio.

Lilith olhava, e; continuava a olhar intrigada para o céu, como se buscasse algo ou alguém.

Morena, como uma índia, linda quanto uma mis Universo! Dotada da mais pura e rica beleza feminina, com lábios carnudos e olhos pretos chamativos, além de um rosto perfeito e um corpo esplendidamente escultural. Lilith atraía vizinhos e vizinhas, além de ser cobiçada por seres espirituais.

Embora o Sol estivesse radiante, não estava assim tão escaldante. Até porque, devido à altura de seu prédio, a quentura do astro rei era amenizada por conta do vento brando e suave que, de quando em vez, soprava a linda tez da morena.

Também havia muitas nuvens, embora todas com uma brancura de neve, e; não revelavam aspecto ou sinal de chuva.

Ali, naquele terraço e com um sorriso meigo, mas; de lábios cerrados, ela conseguira balbuciar um nome...

Era como se o silencio da pronúncia de seus lábios, fosse consubstanciado pelo choro de sua alma; fazendo com que o vento levasse essa pequena e poderosa palavra, para o espaço, ecoando como um clamor gigantesco por todo o Universo...
– Lúcifer!

- Repetiu-se o som no vento, num eco sideral -.

Lilith era o que se poderia dizer, de uma mulher revoltada e odiosa. Seu ódio tinha endereço certo dirigida a dois deuses diferentes:
1. ‘Deus’’, o seu criador, e;
2. Adão, seu animal macho com o codinome – homem, feito tão somente para procriação da fêmea–mulher. Imagem daquele que a criou.

Ela fora presente do criador DEUS ao macho-deus HOMEM-Adão/humano. Um homem que não se importava com seus sentimentos emocionais ou sexuais.

Deus conhecia a ira e a rebeldia de sua criatura, porém deixara por conta do homem-deus para domesticá-la e torná-la dócil.
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Milhões de anos se passara, e; ela teria tornado-se apenas uma escrava sexual. – “Uma cadela parideira? - pensava - Tinha ódio de Deus e de seu homem. Seu verdadeiro amor centrava-se e concentrava-se em um anjo. Um ser grandemente iluminado. O filho reluzente daquele a quem ela detratava.
Seu amor platônico centrava neste guardião dos Céus. Um Querubim da guarda da realeza universal.
A revolta de Lilith pelo seu pai criador era notória a todos os deuses e seres angelicais, também era bem conhecido do seu irmão-marido Adão, pois o seu ódio estendia-se aos dois. Deus estava ciente. Aliás, onisciente.
Sua ira a esses seres terreno-celeste tinha endereço certo: Um por tê-la criado como marionete do sexo, e outro por usá-la como objeto desse sexo desordenado pelo Poderoso-chefe-pai.
Seu espírito rosnava de cólera. Seus direitos de igualdade não eram interpretados de maneira democrática, e; ela tentava esquecer a virtude concedida ao que em época primária, fora dada ao hermoso casal, ditada em Genesis 1:1.
Adão por sua vez, ignorava as solicitudes da jovem manceba, ou apenas quem sabe, fingia não entendê-la. Devia ser fiel ao seu Pai Eterno e Lilith... Ora! Lilith devia simplesmente prestar obediência.
E quanto a ela... Bem! O que ela desejava era muito simples. Apenas dominar por um dia ou outro. Ficar por cima na hora do coito “amoroso”, ou seria “tradicional”? Ou “ritualístico”?
- Por que sempre ficar por baixo? - Por que acatar sempre aos os caprichos do macho? E o seu direito de fêmea? Que padrão imbecil e vulgar lhe impôs seu criador, como lógica para o sexo? Não seriam os dois, um?
E toda vez que Adão tinha necessidade orgânica sexual de suas descargas hormonais, ao invés dele começar a deixar-se ser caçado com ternura, ou buscá-la com carinho e afeição, ele agia ao contrário do que a sua esposa objeto sempre esperava. Adão punha-se em cima dela, deitando-lhe ao solo num ímpeto quase que feroz. Afastava-lhe as pernas penetrando-a como que um animal a galopar seu puro sangue, ficando ali a agitar-se e a respirar ofegante, como se apenas ele existisse.
Para a linda mulher era como se ele fosse um ser arcaico, vulgar e ignorante, montando uma mula a toda a velocidade. E ao final de sua saga, ele a deixava de lado, adormecendo como um porco. E assim, Lilith sentia-se mais uma vez violentada. Suja. Usada.
- Adonai de certo não é bom. ? É mesquinho, egocêntrico e ditador?...

Pensava a mais linda deusa-humana, criada num planeta para encher de habitantes de carne e osso.

E seu marido... - um tolo inescrupuloso -.

Mas ali, naquela tarde de sol radiante, enquanto Adão se deleitava em seu estado mórbido, Lilith olhava para o mar e para o Céu.

- Onde estaria ele? - O grande amor de sua vida! -

Seus pensamentos afluíam diretamente ao seu quarto. Mas provavelmente à sua cama, num lindo e imenso quarto do casal. Ela imaginava- se ali, deitada num luxuoso colchão com lençóis de seda. E pensava estar fazendo amor. Só que não era o seu marido o objeto do seu êxtase e afeto, e, sim; um amante capaz de fazer da deusa, uma verdadeira humana-mulher.

Deitada de bruço, e; acariciada ao pescoço, embriagando-se com o hálito profano de quem a possuía, ela desta vez, tinha autonomia para trocar de posição. Então Lilith vira o macho para baixo dela, e; fica desta vez por cima do seu amante platônico. Completamente desnuda, segurando as mãos dele em seus seios e saciando-se com ternura de amor vivido por milhões de anos somente em pensamentos, ela agora podia galopar como em câmera lenta de um filme erótico. Só que nessa cena de um amor perfeito, seu personagem principal tem um nome...

- Lúcifer... Lúcifer... – sussurrava ela baixinho, naquela cobertura, como se estivesse vivendo aquela cena que preenchia seus pensamentos.

E como um sádico fuxiqueiro, o vento embalou seu sussurro e o carregou aos quatro cantos do espaço infinito, atenuando a voz do silencio, através deste balbucio quase em forma de pranto de uma alma sedenta de desejo.

**********

Despertada pelo som de uma avioneta propagadora de publicidade, que não voava muito alto, Lilith saíra do seu estado de êxtase e agora numa vasta e imensa curiosidade, ela conseguia ler o teor da propaganda do banner carregada pela pequena nave aérea evangelizando os praianos ali presentes.

Aquele grande cartaz dizia: - SÓ JESUS CRISTO SALVA.

Ao mesmo tempo em que lia o cartaz, imaginava ela em seu coração:

- Como deveria ser... E; fazer amor com um anjo? Com o principal filho do dono e senhor do universo? Ou seria Jesus Cristo um falsário criado na mente dos religiosos...

- Deus meu e pai meu! Eu preciso me lembrar... Preciso e necessito lembrar tudo... - pensava ela irada consigo mesma!

Esse sentimento dentro dela, agitava seu espírito. Se houvessem lembranças reais, poderia ela então, afrontar abertamente aquele que a obrigou ficar submissa por centenas de milhares de anos.

Sua alma conclamava por vingança sobre aquele que sempre a fez ser “usada” por baixo como um objeto de manipulação. Aquele que a fez do barro escuro, mas que, sempre a considerou e a tratou como uma boneca de brinquedo útil, como uma boneca de cera.

E porque ela estava ali? Justamente em Ipanema? Fazendo o quê? Porque isso estava acontecendo?

Os pensamentos de Lilith traiam sua personalidade, mas ela se deleitava em poder vingar-se um dia de Deus, e; em seus pensamentos tramava a sua investida a cada fração que o dia requeria.

E cada momento daqueles anos vividos atrozmente, passava pela sua mente em todo o tempo como um possante relâmpago, visualizando em seus pensamentos tudo que sofreu com as aberrações ditatoriais de um “poderoso ser celeste” de nome Adonai.

Mas, num passe de mágica, ela recordava-se também de sua trama e do dia de vingança.
De repente esta recordação veio como uma fúria nítida em seus pensamentos, e se alarmou consigo mesma ao lembrar que foi neste impulso, e; inebriada pelas circunstâncias que a obrigava a ser uma escrava sexual, uma espécie de máquina, simplesmente usada para parir como uma canina, e; sem direito a nenhum sentimento feminino... Que ela blasfemara contra Deus, contra a Terra e contra o seu marido Adão, e; desaparecera.

Despertara rapidamente daquela agressão mental, e; percebera que estava ali naquela sua imensa cobertura de milhões de dólares.

Mas...

- Fazendo o quê? E por quê? – resmungava a deusa em sua alma -.

E novamente num grande esforço, ela volta seus pensamentos a milhares de anos atrás pensando no dia “D”. O dia em que tomara a decisão mais acertada de sua vida.

Sua mente aflui para as suas centenas de milhões de filhos e filhas, e; para o dia em que confirmou sua saga e sua “transformação” de deusa para demônia, e que passara a ser conhecida como a LUA NEGRA, por todo universo.

Foi devida aquela decisão desafiadora contra o seu homem e seu criador, que Lilith começou a ser temida por todas as galáxias celestes e adorada por todos os seres terrestres.

Se para Jeová e seus anjos, Lilith era a mais nova demônia transformando-se a si mesma em uma tenebrosa “deusa do mal”, pela sua rebeldia, para os outros deuses do universo, ela era a verdadeira Deusa-Rainha, a mais corajosa que todos Cavaleiros do Apocalipse.









CAPITULO 2


No princípio da criação, Lilith já era conhecedora de seu poder e de sua eternidade. Ela até achava muito bom, ter sido criada por um Deus “atencioso”, “caridoso”, “amoroso”, e por ter alguém ao seu lado - um homem -. O seu “macho”, onde ela poderia amar, e; ser amada sem compostura por ser apenas um organismo dividido em dois. Lilith era Adão e Adão era Lilith. Os dois é-são-um.

Mas, como no princípio “tudo são flores”... Essa euforia não durou muito tempo. O seu fabricante a expôs a regras. Regras fáceis de ser atendidas, mas difíceis de serem cumpridas.

Ela não suportaria tal ritualística anos após anos. E entendera em seu íntimo, que, não fora criada para somar, e sim para multiplicar.

Multiplicar os caprichos da masculinidade, multiplicar a altivez de um tirano criador que se julgava acima de todos os deuses. Multiplicar uma população néscia que estaria por vir.

Multiplicar?... Ou seria triplicar o orgulho de um Deus que se aproveita dos seus poderes, para ditar regras do que ele acha certo ou errado? Um ditador celeste que acredita poder sobrepujar a todos os deuses do universo e se auto-intitular o criador de tudo e de todos?

Seria verdade tudo que ele afirmava sobre si, ou era apenas uma bravata de um deus fanfarrão que gosta de tirar sarro dos mais inferiorizados?

Lilith agora chegara ao cume de sua paciência!

Já se passara centenas de milhares de anos e seus filhos estavam povoando a terra conforme os caprichos do seu deus-tirano.

Ela já preenchera de gente, um planeta, que em sua época era apenas um único continente.

Bem que ela tentara convencer seu homem e seu Deus, de que estava cansada daquele tradicional coito que a mantinha sobre domínio, e; sempre por baixo, sustentando o peso do macho, bem como sua respiração ofegante, mesclado ao hálito de frutose e matos comestíveis.

Era demais para ela.

Teria que ficar submissa segundo os padrões de um Deus mesquinho aos seus olhos por toda uma eternidade? Tudo isso, sem ao menos ter o direito a uma assembléia onde poderia ou deveria ser ouvida?

Lilith arquitetara um plano. Um plano satânico e diabólico segundo os olhos e coração de seus senhores.

Seria sua cartada final!

Ela acolheria suas centenas de milhares de filhos que como ordem recebera como mandamento: “povoar o Planeta Terra?. Precisava dar um basta. Ela já não mais conseguiria ficar um tempo sequer. Seu plano agora era fugir. Mas... Para onde?

Se ao menos Lúcifer estivesse por perto. Ele a acolheria com certeza. Será que acolheria?

Ela não o conhecia pessoalmente, somente ouvira falar de Seu brilho, de Sua glória, e; Sua majestade. E isso causava temor e tremor em seu interior.

Que amor louco e alucinado seria esse, para fazer com que ela justificasse fatos semelhantes ao seu homem platônico, mesmo sem conhecer seu caráter e reações. Algo mais forte em seu interior, dizia que ele era diferente do Pai.

E Lúcifer?

Quanto a Lúcifer, existia nesse ‘Ser’, o mesmo acaso sentimental. Tinha conhecimento de que seu pai fizera uma deusa-humana. Linda aos olhos dos deuses e dos anjos. Ele jamais parou de pensar no dia que pudesse conhecê-la.

Mas esse encontro causal ou casual, enfim, aconteceu. E Lilith não parava de pensar nisso.

As lembranças do dia em que conhecera aquele anjo formoso faziam-na sussurrar os desejos de sua alma. Ela se regozijava toda vez que trazia aquele dia a memória (ainda um pouco turva, com pelo passar de milhares e milhares de anos).

Lúcifer veio com o pai, visitar a terra. Essa terra que pertencera a ele no passado. Essa mesma terra, que ele habitara, e; nos montes santos de Deus, entoava cânticos de adoração ao seu Pai e “Senhor”.

Esse magnífico planeta, que ele abrira mão para satisfazer o intento de Adonai para uma nova criação.

No íntimo, Lúcifer se sentira traído pelo fato de Adonai o ter tirado da Terra, Ele era o sacro maestro musical. Sábio e muito inteligente.

Criava cada partitura e fazia cações até ao ouvir o som o ribombar dos ventos. Fazia música até ao som dos trovões, e; até mesmo de espirros de anjos ele conseguia tirar harmonias melodiosas.

Só não era capaz de se rebelar contra a autoridade do Pai.

Adonai precisava da Terra. Ele tinha que cumprir os seus caprichos como um Deus, e; Lúcifer precisava do amor, da ternura e do carinho do pai.

Adonai solicitara a Lúcifer para que saísse do Planeta Terra. Daquele planeta criado com a mais pura perfeição científica do universo num Big Bang nuclear de bilhões e bilhões de megatons espalhados pelo universo.

O mesmo planeta que outrora, Ele, Deus, depositara ali um ‘Ser’ que também em mesma sintonia e harmonia, fora criado como a mais pura perfeição celestial: - Lúcifer -. ‘O ILUMINADO’.

E Lúcifer era para a Terra, assim como a Terra era pra Lúcifer. Uma com extrema perfeição planetária e outro como magnífica perfeição angelical.

A Terra seria dele, e; Ele seria da Terra. Presente do pai ao filho e aos anjos que o assistiam servindo ao mais formoso dos anjos intergaláctico e cheio de luz.

Nesse tempo a Terra era irrespirável. O ser humano nesse início de criação a mais de 4,6 bilhões de anos, não viveria aqui jamais. Nem bichos nem humanos conseguiriam respirar neste planeta, porque na Terra não havia sequer uma gotícula de oxigênio. O ar era composto de metano, hidrogênios, amoníaco, carburantes e outros gases tóxicos.

Mesmo assim, Terra e Lúcifer se completavam. Era um do outro. O Pai sempre comentava com o filho sobre a grandeza dessa criação. Lúcifer o ouvia como um aprendiz disposto a ser exemplo do Pai, ou a ter o Pai como exemplo e repetir seus feitos e proezas.

E a Terra?

Esta então, se empolgava de orgulho e contentamento em ter como seu principal habitante, um ser brilhante e glorioso, e obter em si, o mais formoso fulgor do universo. Até mesmo maior que o Sol.

Por isso, a Terra gabava-se do seu morador e de sua plenitude. Ela (a Terra), sempre balbuciava o orgulho de ter sido criada por Deus e entregue a Lúcifer de presente. Doutra forma, Lúcifer se ria carinhosamente dela e replicava:
- O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras. Desde a eternidade fui ungida. Desde o princípio, e isso antes mesmo do começo. Quando ainda não havia abismos, eu fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas de águas, eu fui eleita. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito você, nem os campos, nem o princípio do pó do mundo Quando ele preparava os céus, ali estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo, eu me fazia presente. Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos de ti minha linda, e; formosa terra, eu estava com Ele. Sim, eu estava com ele na obra; e eu era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; Regozijando-me no seu mundo habitável e enchendo-me de prazer. Mas quem era eu? Eu era a sua Palavra. O verbo vivo. Eu era ela, a própria palavra viva, a voz dele que nucleou sua criação e me fez ‘Senhor Iluminado’, transformando a mim, na própria palavra, no verbo vivo da criação.

E a terra se enchia de gozo ao ouvir a voz daquele sublime Querubim.

Um era a delícia do outro. Lúcifer e Terra. Terra e Lúcifer.

Mas ambos agora viviam entristecidos. Lúcifer e Terra. Eles seriam abruptamente separados para dar vazão a um novo ser de carne e osso, espírito e alma. Um novo ser que nenhum outro no universo jamais pensaria que pudesse existir, segundo os caprichos do Pai, no qual ele nem mais levava isso em conta.

E essa criação foi feita. Eleita dele, afirmava o “senhor dos Céus”. Mas teria que haver um sacrifício. Sacrifício este de abandono. Lúcifer e os seus teriam que se retirar da Terra. Partiriam de mudança para outro lugar...

Anjos que se submetiam a autoridade desse deus-anjo-luz, preenchiam-se de gozo por servir a um Querubim formoso, cheio de graça e resplandecência.

Porém, entristecidos também estavam todos, porque seriam arrancados do Planeta.

A mudança daria um novo aspecto a Terra. Porém, anjos e o Senhor Querubim, partiram de mudança para Vênus.

E Vênus se regozijava desse prazer.

Lúcifer e seus anjos foram também ovacionados neste novo lar. E pelo brilhantismo de seu novo habitante, Vênus se extasiava. Havia nela agora um mais novo habitante.

E Vênus se tornara, após receber seu novo morador a ‘ESTRELA PRATEADA’. A ‘Estrela da Manhã’, a ‘Estrela da Alva’, a grande Vésper, que os terrestres passaram a chamá-la de Estrela Dalva.

O Filho de Deus estava ali. O Querubim da guarda era agora, o mais magnânimo morador Vênus.

Apesar de chateado, Lúcifer era amável, bondoso e compreensível. Ele saíra da parte boa do Pai, de dentro de Adonai. E seu pai precisaria da Terra. Adonai tinha um novo projeto em mente. Uma nova criação numa nova habitação. E pediu para seu filho partir de mudança, transferindo o deus anjo a um novo Planeta.

Lúcifer não podia discordar do seu Pai.

Ele conhecia bem o coração do Pai e resolvera dar uma mãozinha àquele que o extraiu de si mesmo com tanto amor. Ou seja; antes de partir, Lúcifer deixou nesse Planeta terra, uma criação quase que invisível de microorganismos marinhos primitivos chamados cianobactérias.

Um dia, eles passaram a fazer fotossíntese e, assim, a liberar oxigênio, que, aos poucos, ocupou toda a atmosfera terrestre.

Lúcifer se lembrava com grande carinho o dia em que o pai estava com ele na arquitetura desse novo Planeta. Lúcifer era o verbo que estava com Deus no princípio dessa nova intenção criacionária do Pai. O Filho o acompanhara em tudo. Do primeiro fundamento da Terra, no grande eixo gravitacional, até o governo dos dois grandes luzeiros do mundo:

O sol e a Lua.

O luminar maior governaria o dia, e o menor, à noite. E ele seria o centro desse grande Planeta.

O maestro.

Por isso a nova terra e os novos habitantes, iriam precisar do ‘AR’.


E assim, Lúcifer pertenceu a Terra por quase dois bilhões e duzentos milhões de anos.

Agora deveria abdicar dela e entregá-la novamente a seu pai, para que cumpra nele a satisfação da criação de uma nova raça. A raça humana.



CAPÍTULO 03


Tudo isso para Lilith era uma linda história da criação contada por seu pai Adonai a ela, a Adão, a Lúcifer e sabem os deuses a mais quantos seres espirituais ele gabou-se com essa ‘lenda criacionária’.

E nenhum deles sabia se tais fatos era lenda ou fato, apenas orgulhosamente alegravam-se em ouvir.

Por isso sua ansiedade em conhecer o grande Querubim; obediente e fiel. E assim, esse desejo incontrolável crescia dentro dela como um fogo abrasador.

– Quem seria seu irmão anjo-deus? Como ele seria? Qual o seu aspecto?

Ouvira muito comentários de outros deuses que seu pai o traíra por arrancar de Lúcifer a Terra. E que ele, Lúcifer; era o ser mais formoso do universo. Brilhante como uma glória resplandecente!

Adornado de pedras preciosas. Sua cobertura era composta de: sardônica, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro.

A glória universal. Um ‘Ser’, apreciado por anjos e respeitado por deuses.

Todos estes comentários faziam crescer em Lilith um padrão de curiosidade acima do comum.

Foi muito além dos anos da criação desse amor encubado que centenas e centenas de anos depois, o Supremo, viria visitar novamente o Planeta, trazendo de Vênus um visitante impoluto.

Lúcifer. A verdadeira luz.

Antes mesmo de o Pai apresentar o irmão anjo aos irmãos humanos, os olhares de Lúcifer e Lilith se penetraram e se compenetraram num ímpeto de gana, paixão e desejo.

O brilho azulado confuso com o esverdeado dos olhos de Lúcifer iria almagamar-se aos olhos negros, grandes e atrativos de Lilith, ao ponto de ambos lerem suas almas.

Ou anjo não teria alma?... Pensava ela. Ou deusa não teria alma? Pensava ele.

Adão tinha uma alma e Lúcifer sabia. Mas... – Quem era Adão? Ele mal o cumprimentara. Um mero – Olá! Fora suficiente para o irmão de carne e osso, que não percebera a cobiça do deus anjo Supremo, em sua manceba. E vide verso.

Quanto à irmã humano-divina...

Essa era diferente. Um pouco deusa e um pouco humano, era de uma raça que Lúcifer não entendia como o Pai tivera tanta inspiração nesta criação.

Lilith era um todo em tudo.

Linda... Exacerbadamente linda. Meio humano, e; meio divina. Dotada de poderes. Poderia voar e teletransportar-se.

Isso era algo que o marido não podia fazer. Mas Lilith sim, tinha esse dom e outros dons espirituais poderosos. Deus dera tudo isso a ela como recompensa. Só não podia ficar por cima, devido os padrões impostos pelo próprio criador.

E pensar que os dois foram criados num só corpo como siameses, e; separados pelo poder da Palavra.

MACHO e FÊMEA criados num só elemento, ou seja; eles é-são-um único SER – Dois - numa só pessoa. Como Jeová: masculino-feminino, sem definição sexual.

Mas, Deus os definiu. Jeová acabara de competir com Adonai em poder, ou mais que isso, fez o que ele mesmo era, achando que jamais conseguiria fazer.

Mas não seria Adonai / Jeová e/ou Jeová / Adonai?...

Um dia saberemos a diferença.

Deus dera a Adão o poder da fertilidade para criação e a Lilith por ter que se submeter a ele, além da fertilidade, ele lhes deu poderes espirituais. Daí ele, Deus; entregou Lilith em casamento a Adão.

Eles por serem eternos, tiveram filhos e filhas, centenas deles e porque não dizer, milhares de filhos! Uma hereditariedade imensa.

Mas Lilith com o passar do tempo, passou a repudiar seu homem Adão. Ela não queria mais ser dele, oferecida a ele por submissão.

Onde haveria ou estaria o amor? Não era Deus o amor expresso em tudo?
Mas segundo ela, Deus a rebaixara e a inferiorizara, desejando que ela se submetesse ao macho. E, ela jamais aceitara essa submissão.

Lilith só desejava ser igual e não inferior.

A deusa fora feita de um barro lodoso, diferente do barro utilizado para fazer Adão. Por isso seus tributos eram diferentes. Os dois feitos numa só massa, mas em barros diferentes para dar um diferencial um do outro. Metade de um tipo de barro e metade de outro tipo. E esta criação foi feita do entardecer para o anoitecer.

Por isso que ela fora criada tão bonita e interessante.

Lilith era tão linda, que logo arranjou problemas com Adão. Os outros deuses a cobiçava. E agora, o maior cobiçoso era Lúcifer a Estrela Vespertina. O Filho da alva.

E nesse momento, os dois estavam ali, frente a frente. Olhos nos olhos. Seus corações pulsavam e aceleravam.

Uma tremedeira interna mexia externamente o peito do Querubim. Enquanto que uma tremedeira externa pulsava internamente o coração da deusa.

**********
A avioneta passa novamente de volta do seu percurso, despertando Lilith dos seus sonhos. Aquele barulho trazia a deusa de volta para uma época que ela não desejara despertar. Preferira ficar a recordar daquele momento em que viu e ouviu o grande amor de sua vida.

O som dos motores dessa pequena nave aérea trazia a humana de volta ao um tempo real.

E como sempre, carregando aquele enorme banner propagando um evangelho visual que se lia: “SÓ JESUS CRISTO SALVA”. Era o que dizia o grande cartaz.

Lilith apenas sorriu, mas, conseguiu novamente trazer com grande esforço, a lembrança de milhões de anos de outrora.














CAPÍTULO 4


Com a mente girando a toda velocidade de volta aos milhares de anos atrás, Lilith não pára de pensar no dia em que conhecera o seu Príncipe da Paz.

Também conseguiu recordar-se como num pesadelo, o dia que planejara fugir para as regiões celestiais, buscando abrigo aos pés de Samael.

Samael era um anjo temido por anjos e deuses. Um branco albino e de olhos azuis, muito mais pra acinzentados, e; sem brilho. Era como olhos de um animal selvagem que ao mirarem naquele olhar, via-se apenas negritude.



Sua voz causava temor e tremor. Sua fama de ruim e perverso era notória a todos os cavaleiros do universo.

Ninguém ousava confrontá-lo, apesar de que, ninguém o tinha visto ainda. Ele vivia emaranhado nas trevas.

Alguns deuses diziam que ele se escondia no berço da escuridão, porque temia uma retaliação dos quatro cavaleiros do apocalipse, outros cogitavam que ele espreitava às escondidas na noite do infinito, para saquear os bens dos deuses e roubar as filhas das deusas.

As opiniões sobre ele eram as mais adversas. Mesmo assim nenhum deus ou anjo queria ou ao menos ousava querer conhecê-lo.

E ele, todavia, não se envolvia com nada fora do seu habitat. Até porque a Terra era o seu objetivo, o seu alvo, e; seu ideal.
Samael não tinha muitos amigos e os poucos deuses que conhecera, foi como se uma ordem dele partisse por algum capacho espiritual, para que esses deuses marcassem algum tipo de território na terra.

Ele não queria ser o único a desafiar Adonai-deus, e; outros deuses, por não gostarem de Jeová e também para não contrariar uma ordem do Senhor das Trevas, atendiam sem contestar o seu pedido.

Samael quebrava o encanto de sua prisão domiciliar por melhor dizer, seqüestrando os filhos e filhas de outras divindades para suas festas de orgias e aberrações profanas.

E nenhum ser celeste ousava invadir aquele lugar para resgatarem os seus. E quem participava... Não voltava jamais. Virava escravo dele.

A escuridão era o castelo de Samael. Quem teria a ousadia de invadir o nada? O que esperaria ou quem estaria à espreita de um ou alguns seres celestes que ousassem entrar ali?

Os deuses conheciam bem os seguranças principais de Samael. Nenhum deles arriscaria pagar o preço de invadir a Casa do ‘Grande Imperador da escuridão’, sim, porque essa era a sua fama.

Deuses e anjos tinham a certeza que alguns demônios estariam espreitando determinados locais e isso os fazia passar de largo. Quem tem cu, tem medo.

Até porque ‘BAAL’, eram os seres mais temidos da Galáxia.

Eles comandavam as guerras universais. Eles adentrava nos mais profundos palácios dos maiores seres celestiais, e; arrastavam deuses, deusas e seus filhos, ultrajando-os perante todos.

Esses seres não tinham piedade de nada. E a misericórdia era um termo que jamais conheceram. O nome. BAAL era sinônimo de unidade do “mal”.

Eles eram tão unidos e consubstanciados, que o seu nome tornava-os apenas um, e; eram conhecidos nos céus como Baal Zebube.

Como passar das eras fora batizado pelos seres humanos como Beelzebuh ou Belzebu - o senhor das moscas.

A verdade é que BAAL eram as iniciais dos cavaleiros mais temidos, onde Belzebu era apenas o líder e suas iniciais faziam tremer até mesmo os mais fieis dos servidores de Adonai.

B-elzebu, A-smodeo, A-staroth e L-eviathan = BAAL – O terror do Universo.

Esses principados eram os tais. E como tais, guardavam o castelo sombrio de Samael e por sua fidelidade ao Mestre, dava suas vidas por Ele. Logo, quem teria ousadia de perturbar a tranqüilidade de Samael, tendo esses seres aos quatro cantos vigiando o território de seu Patrono?

Ninguém! Ou seja; nenhum ser espiritual dirigia-se a Samael de forma vil ou deseducada, que não sofresse na pele, retaliação violenta.

Ele era o único que Lilith tinha consciência que Deus jamais o importunaria ou tomaria satisfação pelo fato dela estar com ele.

Segundo os “boatos” espirituais, até mesmo Adonai e sua hoste, não ousava perturbar a privacidade desse grande ser angelical.

Quem sabe Samael a levaria a presença de Lúcifer, a grande Estrela da Manhã?

- Pensava a deusa cheia de planos e sonhos -.

E foi nesse nefasto e hostil pensamento, que ela blasfemara contra Deus, e; foge! Sua fuga acontecera à noite.

E foi justamente nesse dia como num ritual, Adão buscara sua amada para coabitar com ela. Lilith estava como imóvel e estática nesta relação com seu homem.

E como era de praxe, Adão após o ato, virara para o lado e não demorava muito para adormecer. Tanto é que essa moda pegou geral até a época atual. As mulheres que o digam.

Após dar-se o sono tradicionalístico do macho inocente. Lilith silenciosamente levanta-se sagaz como uma serpente. Ela sai da cabana feita de barro e coberta por folhas de palmeiras. Quando dá o primeiro passo além do exterior da porta, uma multidão de pessoas a aguardavam do lado de fora.

Havia centenas de milhares de filhos, aguardando apenas o seu comando. Eles concordavam com a conspiração da deusa e a apoiavam. Lilith então ergue as duas mãos para o alto proclamando sua libertação.

Todos unanimente em harmonia, levantam também as duas mãos. Todos por igual, adultos e jovens, assim como crianças e velhos.

A Lua cheia foca sua luminosidade nos olhos de Lilith que ficam deformados como olhos de um gato selvagem. Ela blasfema contra Deus, bate asas e voa.

Todos os seus povos saem em retirada a pé, numa peregrinação sem destino. E ao longo do caminho, os povos vão se dividindo e se dispersando cada tribo e cada povo, galgando e se apossando de pedaços de terras e propriedade. E assim demarcam seus territórios. A Terra estava povoada.

**********
No dia seguinte da rebelião do santo-demônio Lilith, acontecia propositalmente uma Assembléia Divina, num “sagrado? Céu acima do sexto.

Após a reunião em uma grande área de lazer, Pai e Filho conversam como se espanto houvesse, mas sem um, indeferir no equilíbrio do outro.

- Ela fugiu mesmo. – Afirmava Deus a Lúcifer –

O Querubim era um homem loiro, alto, corpo atlético, cabelos lisos com franja caída sobre a testa. – seria um homem lindo, o que se poderiam falar as mulheres de um macho –.

- Agora posso reivindicá-la para mim meu pai. – retrucou Lúcifer –.

- Não! – Discordava Deus, seu Pai – Um negro muito bonito, alto e de olhos pretos bastante expressivos.

– Eu não acredito que você saiu de Vênus para reivindicar uma dama que almejou o desejo de tornar-se inescrupulosa.

- Você a criou assim. – pronunciava Lúcifer brandamente –.

- Não Filho! Eu não crio a imperfeição. Ela tornou-se imperfeita.

- Não? Como não crias a imperfeição? Perdoe-me meu Pai, mas como podes afirmar isso? E Samael? Não é ele o seu lado mal? Seu lado sombrio e tenebroso? Que assusta os deuses de outras galáxias e que procura amizade com os homens na Terra tentando ganhar deles a confiança para trair-te?

- O mal é parte da minha ciência, para que o bem possa prevalecer e sobressair. O mal em si não é imperfeito. A imperfeição está em quem o pratica. Existe uma perfeição no mal. A perfeição do equilíbrio. Enquanto houver eras e eras, o mal e o bem andarão consubstanciados. Um almagamado ao outro. Arranquei-te de dentro de mim, como o meu bem maior e te fiz o Guardião de todos os anjos celestes. Tu és o meu lado bom, meu lado luz. Quanto ao teu irmão Samael, jamais ele poderia deixar de existir separadamente de ti. O criei arrancando-o de meu íntimo, assim como de mim tu saíste. Ambos subsistem para reinar, um a minha esquerda e outro a minha direita e ao meio, me torno o grande EU SOU. O equilíbrio perfeito. Posso afluir do juízo para a misericórdia sem perder o equilíbrio.
Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas!

- Mas Samael te odeia e com isso Lilith ficará mais afastada de mim. Ele não me permitirá aproximar dela. E foi justamente a ele, a quem ela buscou refúgio.

- Ela fez isso pra me afrontar, e; isso prova que Lilith não é mulher para você. Fique com a próxima esposa que tenho em mente para ti. Uma esposa reunida pela unidade da graça. Uma esposa que será exemplo para Céus e Terra.

- Me perdoe meu pai, mas não quero essa esposa para mim. Entregue a teu filho humano Adão, agora que ele está só e abandonado. Eu amo Lilith, sempre a amei e por toda a eternidade a amarei. Era a mim que deverias ter dado e não ao homem. A um ser que não sabe ainda o que é dominar e está sujeito a se vender a outros deuses. Tu sabes que serás traído. Tens onisciência disso.

- Você não entende agora filho. Entenderá muito em breve. Eu sei o que o homem representa. Foi minha grande obra prima na Terra. Um pouco menor que anjos os fiz.

Sei também que a beleza de Lilith não atrai somente você, mas a todos os deuses. Até os deuses do Olimpo também a reclamam de mim, e há ainda outros deuses no universo que se agitaram contra mim, achando que fui ousado em colocar algo tremendamente perfeito na Terra.

- Se a achas perfeitas, então porque não a dá a mim meu Pai. Eu a amo com toda a força do Universo. Tire-a de Samael e me presenteie. Ou eu mesmo invadirei as regiões celestes, a morada do grande deus e a arrastarei minha amada de lá e a conduzirei a Venus. Terei de fato uma família. A minha família. Por favor, meu pai, busque-a e me entregue.

- Terias coragem de desafiar a minha soberana vontade? Não te dás conta que EU SOU Samael, e; que ele EU SOU?

Não Lúcifer. Sei que não pelejarás contra mim, e nem posso dar-lhe Lilith como mulher. A noiva que estou preparando para ti, é completamente diferente do que imaginas, e; trará na sua testa o seu nome, e; a minha glória.

Sei que ela será a mulher perfeita, porque com perfeição será criada. Lilith é perfeita criatura, mas seu caráter se tornou dobre, para que justamente isso que acabara de acontecer, incidisse de fato. Faz parte do propósito.

- Propósito? Que propósito é este meu pai? És de fato uma caixa de surpresa. Afirmas-me que criaste Lilith para que se rebelasse contra ti? Afirmas-me também, que tens um propósito nisso? Então rejeitarás Lilith e toda essa multidão que criaste como obra de um oleiro para que continuem perdidos, sem destino, sem rumo, sem ideal? Não sei se te conheço meu pai.

- Aquilo que não entendes agora, entenderá em breve meu filho.

- Não quero entender... Não posso entender... Foi tu que deste vida a estes povos, e não se importas mais com eles?

- É em Adão que estão meus planos e nele também está centrado o meu ideal para ti. Sei que brevemente entenderás filho. Não poderei te explicar agora.

- Não sei de fato, a quem nosso Universo presta obediência? Saí de ti. E não consigo te entender. Até breve meu Pai. Lúcifer baixa a cabeça e desaparece.

Adonai fica apenas olhando para o nada e pensa alto.

– “Filho, tudo é teu. A terra e toda sua plenitude. Você em breve entenderá.”





























CAPÍTULO 05


Retrocedendo... Na Terra, Adão desperta de seu sono. Tenta apalpar o chão da tenda do seu lado esquerdo em busca de sua amada. Assusta-se e olha por toda a tenda não encontrando ninguém.

Rapidamente ele levanta e sai da tenda desesperado. Olha por toda a sua volta e não encontra sequer uma viva alma. Olha para o Céu e sente tudo rodar. Ele ergue as mãos aos Céus e grita de desespero.

Está só. Completamente desamparado.

Seu grito ecoa pelos quatros cantos do oriente, a ponto de chegar aos ouvidos de Lilith que está ajoelhada diante de Samael. Ela apenas ouve, virando-se para o lado. Samael também ouve e levanta a cabeça num tom de curiosidade.

Lilith, porém torna-se alheia ao clamor de seu ex-marido. Ela se volta novamente ao anjo da noite, olhando fixamente para ele.

- Serei tua serva para sempre se não me deportares de volta.

- E porque te devolverias? És agora o meu trunfo. Minha pedra de fundamento. Eu pretendo ser o novo dono da Terra e tu serás minha chave de entrada para este planeta. Ou tu achas que viverei eternamente na obscuridade das regiões celestiais?

- Dê-me a Lúcifer de presente, e te ajudarei em tudo que me pedires.

- Porque tas darias a outro deus? Vieste a mim por livre arbítrio! Se fores a Lúcifer, sabes que o teu criador te destruirá. Tu agora fazes parte das trevas, do meu mundo tenebroso. Lançaste tua sorte fora por livre e espontânea vontade.

- O que pode me acontecer?

- Ao meu lado nada. Adonai não me teme, mas também é precavido. Ele sabe que se me subjugar pode ser que vença ou não.

Quando ele me arrancou de si, me colocou nas trevas. Tornei-me o seu lado sombra e isso me faz repudiá-lo. Ele me colocou para viver nas regiões celestes.

Preferiu dar a vocês humanos e/ou deuses, o melhor do que deu a mim que sou parte dele mesmo, Essência de sua Essência. Ele deu Vênus a Lúcifer e a Terra deu a vocês. Quanto a mim? O que sobrou? Migalhas da escuridão vazia.

Por isso, quando ele tirou Lúcifer daqui para fazer os humanos, a Terra ficou no mais completo abandono.
Eu a reivindiquei, mas ele não me deu atenção, apenas me mandou esperar alegando que tinha um futuro ideal para mim. Quando? Já faz tempo que habito na escuridão. A paciência dele é demais para meu limite e pensei que jamais ele criasse coisa alguma na Terra.

E foi por achar então que ele demorava a fazer algo, que; eu invadi esse planeta.

Apossei-me dele, e; agora o considero meu! Mas Adonai apareceu e voltei ao meu trono. Ele tratou-me como uma despudorada trata o seu aborto. Não era à hora da minha guerra, mas; estou arregimentando soldados para o meu exército. Um dia eu reivindicarei este Planeta enquanto tiver fôlego de vida e tu serás a minha chave de entrada para ele.

- Tu já habitaste a Terra? Quando? Porque Adonai nunca me falou?

- Durante o tempo em que eu habitei ali, eu criei todas as espécies de animais gigantescos. Você nem sequer ouvira falar. Ele omite isso de todos vocês.

As bestas feras foram obras de minhas mãos, e; não dele. Mastodontes, Dinossauros, Pterodátilos e toda espécie de primata. Ele encontrou um concorrente a sua altura. Acredito até que ele me imitou quando fez vocês. Ele apenas criou uma evolução do surreal para o real. Ele só aperfeiçoou o que já estava pronto. Acho uma covardia o que fez comigo. O odeio com toda força do meu interior, e estou aguardando o momento de minha vingança. Eu só não cheguei à perfeição por falta de tempo.

- E tu nada fizeste? Saíste da Terra como um cordeirinho...?

Ela ri, indignando o anjo-Deus.

- Quando soube que ele estava prestes para agir na Terra novamente, convoquei deuses de outras galáxias e permiti que cada um colocasse suas obras primas ali. Algo que jamais ele ou anjo algum conseguirá explicar aos humanos. A Terra está repleta de obras de todos os deuses.

Dez milhões de anos após, ele resolveu fazer uma descendência exclusiva para ele. Desviou para a Terra um dos maiores meteoros do Universo. Tentei impedir, mas aquela pedra idiota não me obedeceu.

Ao colidir com a Terra, ela varreu todos os meus filhos do Planeta. Destruiu todos sem piedade ou misericórdia. Deus mata e maltrata por prazer e alega ser propósito.

Deus é um covarde! Você não sabe o que se passa naquele coração selvagem. Por isso, eu declarei guerra contra ele e convoquei mais deuses a se unirem a mim.

Começamos uma saga de deixar a terra marcada da glória de cada um. Estas marcas ficaram na Terra como um marco da incredulidade humana. Ninguém acreditará nele cem por cento, e serão taxados de idiotas todos aqueles a quem o servir e o adorar!

- Foi por isso, e;... – pensa alto, a; deusa - isso eu soube... Ele tirou de você o poder da criação? - argüiu Lilith... -.

Ele pensa assim Princesa. Mas os fatos são outros...

E... O que eu fiz de mal? Eu só queria uma habitação digna! Nem sei por que fui criado? Para viver em trevas? No silencio da escuridão? Ele destruiu tudo o que eu tinha na Terra e me devolveu à escuridão.

Daí, eu crio hoje bichos peçonhentos para dar repúdio aos habitantes da Terra. Nada tenho contra vocês. Eu até vos amo bem mais do que o sentimento que ele diz sentir por vocês, humanos e/ou deuses. Mas isso é o meu método de dizer: ‘ - To alerta, e vou agir’.

- Não deixou nenhuma criação sua na Terra?

- Você não conhece Adonai? Até mesmo os meus amados primatas cavernosos ele os destruiu.

- Ele que é mal e não você Samael! Ele é ruim, perverso, autoritário e abusa do poder. Sua autoridade não tem limites. Ele está obstinado!

- Mas não sou tão ingênuo assim e ele não contava com minha inteligência. Eu quando soube que iam nos expulsar da Terra, ordenei aos meus homens das cavernas, aqueles a quem Eu criei, para anotarem suas observações de vida a vida. E essas marcas descritas, Adonai não conseguiu destruir!

Numerosos vestígios, como monumentos, hieróglifos, foram criados pelos povos mais “primitivos”! Eu, Eu mesmo tenho dito e me orgulho. Servirá num futuro breve como um testemunho, e; alguns megalíticos tornar-se-ão uma unha encravada na vida dele!

Um dia, outros humanos reconhecerão nossas obras, nossas civilizações. Agora falta vocês deixarem suas marcas, ou vossa lembrança será extirpada da Terra. Você não faz e nem tem noção de quem é este deus. Acorde minha menina mimada! Você e toda sua hereditariedade terão que fazer o mesmo. Façam anotações nos montes, nas cavernas, no fundo dos oceanos! Deixem a marca de vocês antes que essa nova raça exclusiva seja criada.

Adão está vivo e acredito que seja dele que Adonai vai fazer um novo povo. Sei disso porque tenho meus mensageiros pelo espaço sideral, e quando isso acontecer, saiba que toda sua hereditariedade será esquecida. Você será também esquecida, outra criatura será vislumbrada em seu lugar. Ele é vingativo e cruel. Tratará seus filhos e sua hereditariedade como trapo e esterco. Fique comigo minha criança, porque sei que Jeová vai tentar extinguir seu nome e de sua descendência da Terra. Você, e seus filhos serão e ficarão como provas da dúvida existencial de um deus que deseja ser absoluto.

- Eu sei! – retrucou Lilith - ensinei meus filhos a deixarem também suas marcas.

Mesmo que ele tente me apagar da história cósmica, nossas civilizações deixarão rastros para quem vir após nós, à verdade dele se confundirá à ciência humana.

Meu nome será lembrado por séculos e séculos e a deusa jamais deixará de ser adorada, e eu os amarei e eles serão meus filhos e filhas, darei minha bênção e os protegerei, de Jeová ou de quem quer que seja do lado demiurgo.

- Case comigo minha menina. O meu ódio contra ele tornou-se obvio à vista de anjos e deuses. Então... Eu tomarei a Terra. Propagarei o meu nome como o Dono do Mundo, e todas as nações me respeitarão. Eu serei Senhor e você a Grande Mãe!

Lilith se espanta com a proposta de Samael e proclama sem evasiva: – NUNCA!

– Lilith propaga essa negativa vinda do seu mais íntimo.

Vociferou então Samael:

- Não aceito um não! Você não tem escolha. Ou és minha, ou volte para ser punida e se submeter ao ser que você mais repudia!

- Sou de Lúcifer... Pertenço a ele. Dar-me-ei a Ele e não vou servir aos seus caprichos. Sinto que Lúcifer tem os mesmos sentimentos por mim.

Samael dá uma gargalhada sinistra e olha profundamente nos olhos da deusa.

– Esse tempo de escravidão não deixou você amadurecer menina. Lúcifer é um capacho do pai. Jamais vai te dar atenção. Ao meu lado, você poderá ser uma pedra forte.

- Jamais! – vocifera a deusa - Lilith desaparece.

Samael olha para o nada e grita:

- Você vai voltar! Eu sei que você voltará. E eu estarei aqui a te esperar!











































CAPÍTULO 06


E essa espera durou anos e anos, tempos e tempos. Não se sabia onde a deusa se ocultava.

Nem Samael nem Lúcifer, nem os habitantes da Terra. Ou os de sua própria origem, não tinham noção onde fora parar a deusa do Planeta Terra. Teria Deus matado à deusa da noite? Destronizando-a de vez do planeta mundo? Onde estaria a grande mãe dos moradores da Terra que se tornara a rainha mãe do universo?

Adão por sua vez continuava triste, melancólico, cabisbaixo. Suas tardes de bate papo com Deus já não lhes era tão compensadora.

Certa vez, Adonai e Lúcifer vieram visitar a Terra juntos. Ambos se maravilharam com a mais linda criação universal. Os deuses são magníficos, cada qual deixara seus rastros pela Terra e pelo universo. – dizia Lúcifer -.

- São uns idiotas – retrucara Adonai... –. Fizeram isso para me afrontar.

Ao Longe avistaram Adão. Ele estava sentado numa pedra olhando para o vazio, sem contemplar a beleza e a riqueza dos mares. Adão estava perdido em seus pensamentos. Lembrara do tempo em que fora criado, e; de quando seu pai contava-lhe da beleza da criação do mundo. Adonai se orgulhava de mentir para seus filhos. Era seu trunfo diante de todos os deuses do universo. E naquele estado de tristeza e melancolia, Adão Adormece.

- Sua criação morrerá de tristeza meu Pai. Una novamente os filhos de Adão ao pai. A Terra já está plena de habitantes. Tem povos o suficiente. – retrucou Lúcifer preocupado -.

- Não meu filho! Você não sabe o que me pede. Toda aquela raça tem o sangue da incoerência, da desobediência e da rebeldia. Usarei esses rebeldes para engrandecer meu nome através deles. Já não fazem parte de mim. Pertence a deusa demônia.

Ela verá o meu braço forte e meu poder. Meu nome será lembrado aos mais largos confins da Terra. O Universo tremerá diante de minha presença. E todos os deuses conhecerão que não há outro Deus além de mim. Eu serei o Deus dos deuses e senhor dos Senhores.

Lúcifer apenas o olha, mas não o recrimina e nem o contradiz. Conhece a preponderância e a altivez de seu Pai. Apenas silencia.

Então Deus pegou Adão no colo e o colocou sobre um campo de lírios. Adão ainda sonhava com o dia em que Deus o formou do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. E em seu glorioso sonho, Adão ainda inerte pela letargia do sono, sentiu em seu vazio mental uma voz de quando Lúcifer disse a Deus:

- Ele morrerá sozinho meu Pai? Longe de seu povo, de sua família?

E disse o Senhor Deus a Lúcifer: - Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.

Então o Senhor Deus fez do sono de Adão, outro sono bastante pesado, deixando-o em estado de estupor, e; este adormeceu profundamente.

Então Deus, tomou uma de suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que Deus tomou do homem, formou uma mulher.

Este ao despertar viu que Adonai e seu irmão-anjo Lúcifer estavam ali diante dele. E tinha mais alguém que Adão jamais tinha visto. Ele se apaixonara a primeira vista. Deus então pegou a mulher pela mão e trouxe-a a Adão.

- Este é o meu presente para você filho.

E disse Adão: Esta é agora é osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

- E que nome você dará a sua nova esposa Adão?

- Eva meu pai... Ela se chamará Eva, porque será mãe de todos os povos.

Deus sorri.

- Então se lembre Adão e ensine sempre a seus filhos que deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.

Andem segundo os meus conceitos e preceitos e os abençoarei.

E Deus os deixou. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.

*********
Alguns anos se passaram e Lilith ficou sabendo da nova criação, enciumada não pela falta do homem ou pelo sexo regrado através de um ser que ela o tinha como ditador, mas porque fora taxada por deus como um demônio rebelde. E Eva era a agora, a nova queridinha do Criador.
Nesse tempo, Lilith vivia em ki-en-gir e camufladamente passava-se por uma Sumeriana junto com uma população já bastante expressiva. Era ali povoado de alguns de seus filhos que se refugiaram de Adonai na época da conspiração, na parte sul da Mesopotâmia. Ela era conhecida como a dominadora.

O ódio de Lilith por Eva aumentava a cada dia, e em seu peito, todo momento revolvia uma parte de vingança, até que não agüentando mais, decidiu ir pedir ajuda a Samael.

Voou até as regiões celestes e penetrou no Castelo das sombras, prostrando-se diante do grande Supremo e Senhor das trevas.

- Salve minha menina!

Expressava Samael mais em tom de ironia que de contentamento.

- Foste trazida nas asas da penumbra, e; espero que tenhas um motivo bem convincente para que eu não a destrua com minhas próprias garras.

- Me poupe de suas ameaças. Não tenho medo de você nem de sua corja. Vim até aqui te oferecer uma aliança. Vim te entregar a chave do domicílio terrestre.

Samael dá uma gargalhada tão alta que prolifera o mesmo sentimento nos outros anjos.

- Se não te interessas, vou-me embora. Não vim aqui me fazer de boba da corte para ti e tuas marionetes.

- És ousada Lilith, és a única no Universo que falas assim comigo. Só não a destruo porque tua beleza fará falta no universo e não há nada comparada a ti.

- Ouve-me apenas... Se eu tiver errada, tens a minha permissão para destruir-me ou eu mesma me destruirei.

- Isso muito me interessou. Deve ser mesmo algo de sumo importância. Senta-te minha criança. Eu te ouvirei.

Lilith estava aflita e ao mesmo tempo ansiava por sua vingança. Andava de um lado para outro, falava e se expressava como um político solicitando apoio financeiro.

Samael sentado, com o cotovelo apoiado no braço do seu trono e a mão no queixo, ouvia toda a história de Lilith.

- Chega criança... Já ouvi o bastante. Vamos descer a Terra. Se o teu plano der certo, eu serei o novo dono do mundo e tu realmente estabelecerás teu trono como a Rainha do Universo. Estarás livre de minha ira e livre para fazeres o que quiseres. Os moradores da Terra te ovacionarão perpetuamente, e eu serei conhecido como: SATÃ, o Grande. E você a Rainha dos Céus.

*****
Pouco tempo depois Adão tinha ido às campinas, enquanto Eva banhava-se às margens do rio Pison pelas bandas de Cuxe.

Eva era espreitada por Lilith e por Samael. Lilith olha para Samael e diz: - Esta é a sua chance, irei até Adão e o distrairei para que não venhas.

Samael fica ali, estarrecido e estonteante pela beleza e formosura de Eva.

Ele observa uma serpente que sai da beira do rio e tem um plano de incorporar-se nela usando o corpo daquele imponente animal. A serpente era linda, e tinha patas iguais aos pés de homem e andava em pé.

Samael incorpora-se na serpente e aproxima-se sorrateiramente de Eva e a cumprimenta. Eva sorri e responde ao cumprimento.

- Me tire uma curiosidade ó futura mãe da nova raça...

- Fale ó formosura – retrucou Eva a serpente -.

E esta disse à mulher:

- É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?

E disse a mulher à serpente:

- Do fruto das árvores do jardim comeremos, Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.

Samael... Ou melhor, a serpente... Sorri.

– Deus é muito sábio e inteligente. E sabe também enganar as criancinhas... Veja o que eu trouxe!

Samael mostra o fruto para Eva, esta sai da água extasiada como que encantada pelo maravilhoso e aparentemente suculento fruto.

- Então a serpente disse à mulher: Se comerdes desse fruto certamente não morrereis. Porque deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como um Deus. Conhecerás o bem e o mal.

Eva ficou apreciando o fruto e passou por Samael sem tocar no mesmo. Seguiu em direção a árvore, que frondosamente exibia seus belos frutos. Olhou para trás e já não estava mais a Serpente.

Adão vem aproximando-se de sua mulher e também fica a admirar junto com ela aquela mais bela árvore de todas as outras.
“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar conhecimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais”.

Adão e Eva agora estavam escabreados e cabisbaixos. A serpente estava ao lado deles, quieta, sem entender muito do que acontecera. Ela, fora; digamos assim... Possuída pelo “mal”.

E ali os três usados perniciosamente pelo acaso da maledicência, encontravam-se num silêncio total.

Samael e Lilith o espreitavam de perto para ver o que Jeová faria com eles.

E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.
E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: - Onde estás?
- E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
- E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
- Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.

- E disse o Deus à mulher: Por que fizeste isto?

E disse a mulher:

- A serpente me enganou, e eu comi.

Então Deus disse à serpente:

- Porquanto fizeste isto, maldita serás mais do que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.

E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

A Serpente começou a definhar. Podia-se ouvir o ganido de dor e o lamento de quem começaria a sofrer uma grande anomalia.

E, nesse estado de maldição e praga daquele que a criara perfeita e agora se voltara contra sua criatura, a Serpente começara a cair lentamente e estatelou-se ao chão como um vômito...



E à mulher disse Deus:

- Multiplicarei grandemente a dor de teus partos; com muitas dores darás luz a filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

E a Adão disse:

- Porquanto deste ouvido à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirão; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes a terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.














CAPÍTULO 7

Mas... Algumas centenas de anos antes da queda de Adão e Eva...

Três anjos vieram a Adão, dar a notícia da separação definitiva de Lilith: Sanvi, Sansavi e Samangelaf. Adão ouvira calado, mas; apresenta em sua face um tom desesperador.

Sanvi tenta reconfortá-lo:

- Adonai nos enviou a convencê-la de voltar pra você; porém, uma vez mais e com grande fúria, ela se recusou a voltar.

Sansavi rebate:

- Lilith está irredutível e transtornada. Ela desafiou o homem e aos anjos, profanou o nome de Adonai e foi ter com as criaturas das trevas. Como poderia agora voltar ao seu esposo? Esqueça-a, ela não é digna de ti.

Samangelaf, porém, é; o de animo mais exaltado:

- Eu ainda tentei ameaçá-la. Por mim eu já a tinha destruído, mas não recebi ordens para isso. Ainda tentei argüir com ela dizendo que: - "Se desobedeces e não voltas será a morte para ti." - E você sabe qual foi à reação dela? - Ela apenas sorriu.
Lilith, entretanto, em sua sapiência demoníaca, sabe que seu destino foi estabelecido. Ela está identificada com o lado demoníaco e não é mais a mulher de Adão.

Após a queda de Adão e sua nova esposa Eva, Lilith se dá de presente a Samael acasalando-se com o diabo em uma das escuras nuvens das regiões celestiais.

Desse acasalamento Lilith traz ao mundo cem demônios por dia, espíritos esses que necessitam de corpos humanos para sobreviverem e estes são pneumas (sopros), que para tentar galgar uma posição acima e crescerem, operam em até hoje em centros espíritas como guias, caboclos ou orixás, tudo debaixo dos auspícios poderes de Samael.

E estes espíritos são conhecidos como os Lilim, E seus filhos são os Íncubos e as Sucumbos.

Por outro lado, Deus inicia uma incontrolável matança dessas criaturas, que, por vingança, são enfurecidas pela sua genitora. Está declarada a guerra contra Deus e os espíritos das trevas.
Agora, os homens, as crianças, os inválidos e os recém-casados, supostamente abençoados por Deus, passam a ser as principais vítimas da vingança de Lilith. Ela cumprirá a sua maligna sorte e não descansará assim tão cedo.











































CAPÍTULO 8

- Acorda... Acorda Adão. Desperta homem...

Adão abre os olhos e se vê ali, ainda anestesiado pelas bebidas. Gamaliel um anjo do Altíssimo está ali diante dele naquele luxuoso apartamento de Ipanema.

Adão levanta do sofá saindo da posição de deitar e senta-se, esfregando a mão no rosto. Acende um cigarro e olha pra TV.

- Quanto foi o jogo?

- Você vai acabar com um câncer no pulmão! O cigarro tem mais de quatro mil e setecentas substâncias químicas.

O alcatrão é um composto de mais de quarenta substâncias comprovadamente cancerígenas. Entre elas, o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio.

Além disso, o alcatrão contém resíduos de agrotóxicos, como o DDT, e até substâncias radioativas, como o Polônio 210 e Carbono 14. E disso, o monóxido de Carbono tem afinidade com a hemoglobina (Hb), presente nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para todos os órgãos do corpo.

A ligação do CO com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, que dificulta a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando doenças como a arteriosclerose.

- Já vem você com toda essa celeuma novamente. Qual foi o resultado do jogo?

- A nicotina por sua vez, é considerada pela OMS como droga psicoativa e que causa a dependência. Essa desgraça age no sistema nervoso central como a cocaína, com um diferencial, ela chega entre 2 e 4 segundos mais rápido ao cérebro.

Por isso o tabagismo é classificado pelo Código Internacional de Doenças (CID-10) dentro do grupo das substâncias psicoativas que causam transtornos mentais e de comportamento antiético.

A nicotina aumenta a liberação de catecolaminas, que aceleram a freqüência cardíaca, causando vasoconstricção e hipertensão arterial, provoca uma maior adesividade plaquetária e, juntamente com o monóxido de carbono, leva à arteriosclerose, estimula no aparelho gastrointestinal a produção de ácido clorídrico, o que pode causar úlcera gástrica, estimula o sistema parassimpático, o que pode provocar diarréias e ainda libera substâncias quimiotáxicas no pulmão, atraindo para o órgão os leucócitos neutrófilos polimorfonucleares, a maior fonte de elastase, que destrói a elastina e provoca o enfisema pulmonar.
Afora o câncer na faringe, impotência e uma série de outras doenças nocivas...

Não sei por que essa droga não é proibida.

- Quanto foi o jogo? – irritado -.

- Não sei. Não assisto jogo. Quanto à bebida por sua vez...

- Chega! Eu não quero ouvir lições de moral nesse finalzinho da tarde.

- Já tá tarde? Tarde pra quê? - (Adão resmunga abanando uma das mãos). - Onde está aquela desgraçada?

Pergunta Adão fazendo menção à Lilith.

- No lugar de sempre. Lá no terraço, bebericando uma taça de vinho enquanto você adormecia como um bebê. Embriagado ainda por cima.

- Eu estava sonhando... Quero dizer: Tendo um pesadelo com ess


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