Expedição

29 de Agosto de 2013 Rebeca Rocha Contos 869

É quando o dia passa devagar que ele começa a divagar sobre o sentido que há em viver na inércia, a mercê dos acontecimentos enquanto deixa o acaso ser o capitão do seu navio particular. A bordo, leva consigo todos os receios e desejos para um futuro de expectativas, por hora congeladas num mar turvo.

O convés está cheio de mapas. A expedição tem inúmeras rotas, cada uma delas cruzando caminhos por onde irá conquistar tesouros e perder algumas batalhas. Novas cicatrizes surgem e a viagem segue, pirata que é da sua própria história.

Os portos são os mesmos, os reencontros são outros. Por trás de olhares cansados e corpos calejados da dura jornada, há um quê de esperança. Em meio a ondas de lembrança, a imagem de cartas, lágrimas e despedidas se fazem tão nítidas quanto a imagem daquele velho tripulante à deriva, que se olha no reflexo da água salgada que agora parece espelho, naquela calmaria.

Lembra de um dos escritos, uma mensagem na garrafa, e a voz ressoa em sua mente enquanto fecha os olhos e a brisa beija de leve a sua face, bronzeada pelo sol forte dos trópicos.

Não sabe bem exatamente porque todo ano retorna ali. Vale a pena reviver tudo aquilo, mesmo que apenas em sua memória? Acredita que sim. Sabe o quanto cada canto daquele lugar tem um pedaço de si e conta o seu próprio drama. É bonito, dá saudade, faz corar. E chorar.

Enquanto arruma vela e iça a âncora, se prepara para prosseguir viagem. Não se contenta com a calmaria disfarçada de boa nova e sabe que é hora de partir de novo, para o próximo porto, até que se complete mais uma volta em seu mundo e possa voltar para comemorar o que instituiu de seu aniversário secreto.

Pois nunca esqueceu do que lhe disse um andarilho, alguém que há muito cruzou o seu caminho: “mar calmo nunca fez bom marinheiro”.


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