Carta de suicídio

11 de Julho de 2011 Diogo Carmona Contos 2390

Vou morrer... Não há ninguém melhor que eu, que isso possa fazer. Eu sou o único que entende a verdadeira essência de morrer. Ninguém é capaz de pressionar uma arma na própria cabeça e, contudo dar gargalhadas de felicidade... Ninguém. Sentir prazer em ver a dor, em sentir o ódio correr por entre as veias.
Você não sabe como é todos os dias, olhar-se no espelho e ter ânsia do próprio rosto, e mesmo assim estar satisfeito por ser quem é.
Nunca fui um exemplo, sempre fiz as coisas erradas, era uma criança demoníaca e um adolescente revoltado com o mundo. Qual adolescente tem como “brincadeira preferida” se cortar e lamber o próprio sangue? Não gostava por me cortar, mas sim para sentir o gosto do meu sangue e o prazer da dor. Meu pai me odiava por isso, como se eu gostasse dele também... Nossa relação era recíproca, eu o odiava na mesma proporção, ou até mais, do que ele me odiava. Aquele velho bêbado... Matou minha mãe quando eu tinha dezenove anos... Canalha! Mas não quero escrever sobre isso. Apesar de ser um tanto atormentado, minha relação era ótima com minha mãe e com minha irmãzinha, ao contrário do que “eles” pensam.
Assassinei meu pai sem piedade; o motivo, inúmeros... Ele matou minha mãe como já disse, esse é o principal motivo. O prazer, adrenalina, algo me faz sentir bem assim... Ah, quanto mais sangue eu via, mais prazer eu sentia. Os médicos disseram que sofro de distúrbios psicológicos, vai entender esses loucos...
Hoje estou saindo da prisão, após trinta longos anos. Meu maldito egoísmo insaciável, um prazer divino... Afinal o egoísmo é natural do ser humano todos temos, mais o meu, eu não soube controlar. Só queria satisfazer minha vontade, meu ego, meu prazer. Confesso que em todos esses anos na prisão em que convivi com meu ser íntimo, de nada sinto arrependimento.
Agora, vou morrer... Foi bom por mais um dia ter liberdade, mas, nada é melhor do que o ápice do prazer de uma última vez sentir o gosto do meu próprio sangue escorrendo.

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