Hecatônquiros II

14 de Setembro de 2013 FKarvalho Contos 797

Hecatônquiros II - Uma certeza eu tinha, não iria trabalhar hoje! . (Veritas Emanara)

“A dúvida de saber se estar acordando ou dormindo e constante, olhamos através do espelho esperando encontrar o contrario de nossas verdades, escondemos desejos na mais profunda escuridão de nossas mentes, esperando que ninguém veja ou que de certa forma uma alma caridosa nos ajude a sair das sombras. Mas cada vez mais nos voltamos para o caminho fácil, deixar e esquecer, mas aqueles que sofreram com nossas escolhas? Eles deixaram ou esqueceram? Muito improvável...”

Ao passar a porta no sonho despertei, com uma terrível secura nos lábios, no relógio era três da madrugada faltava ainda quatro horas para ir para o serviço. O sonho era vivido a imagem da mulher com o bode em seus braços me deixou meio atormentado, neste caso não existe “meio”, mas completamente atormentado, fui beber água afinal minha boca estava extremamente seca, eu recorda de seu rosto de algum lugar, mas não sabia de onde e como. Água satisfazia minha vontade, enquanto tentava esquecer o sonho. Logo após deixa o copo na minha pia, meu telefone tocou, fique receoso, ainda estava sobre o efeito do sonho, mas se te ligam as três horas da manhã pode ser algo importante.

- alo, quem é? – atendi ao telefone com uma voz grave
-Julio?
- quem é?
-e Julia, sua prima. – a voz de Julia parecia tremula
- oi Ju aconteceu alguma coisa?
- e o seu padrinho, o Tio Erval
- o que tem ele?
- ele... - julia respirou fundo e disse.
- ele faleceu.

- fiz uma pausa, um silêncio, afinal era o homem que me tornara o que sou hoje, digno respeitado, um exemplo a se seguir, eu o considerava como um pai, ate mesmo por que o pai que me havia colocando no mundo e nunca conheci, e ele sempre me ajudou, me incentivou e me fez buscar o meu lugar no mundo.

- eu estou indo ai Jú, mas como que aconteceu?!
- ta estamos te esperando, mas vem depressa que tem mais coisas ate dizer, eu não quero falar disso por telefone.
- ok anjo, eu já to indo, diz pra tia que eu chego ai em trinta minutos – desliguei o telefone e fui me preparar. Estava meio sem chão, o sonho e a morte do meu tio, tudo muito sombrio para uma noite só, mas uma certeza eu tinha, não iria trabalhar hoje!


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