Era uma vez, um arquiteto rico. Profissional, sabia das coisas. Era muito inteligente e construía grandes edifícios. Prédios imensos e magníficos, mansões requintadas e extremamente decoradas e inclusive monumentos históricos.
E, dentro desses locais, se encontravam muitas, mas muitas pessoas. Mas as pessoas viviam tristes e melancólicas. Toda a complexidade do projeto do arquiteto rico causava nele próprio e nas pessoas que frequentavam suas obras uma complexidade existencial, que gerava tristeza.
Era outra vez, (mas no mesmo mundo) um arquiteto pobre. Também profissional, como o outro. Fazia obras bonitas, porém muito mais simples. Trabalhava e favelas, áreas e mais pobres e cortiços. Projetava por amor e não recebia nada por isso. Era tudo de graça.
Em suas construções, do mesmo modo que no outro, frequentavam muitas pessoas. Mas essas eram felizes. A simplicidade dos edifícios se refletia no simples modo de viver deles e do próprio arquiteto.
O arquiteto rico era pobre.
O arquiteto pobre era rico.
Em felicidade.