Era uma noite tranquila, assim como qualquer outra, a rua estava em silêncio, eu andava sonolentamente em direção a minha motocicleta. Nesse momento ocasional sou abordado por três indivíduos desconhecidos. Irão me roubar? O que querem comigo?

A resposta me veio rapidamente. –É um assalto!

Pude ver três armas sendo apontadas em minha direção. De acordo com a posição angular miravam a minha cabeça. Porém essas não me intimidavam e sim a expressão facial daqueles miseráveis seres. Pífios Malfeitores!

Só me dei conta de jogar em suas direções o que havia em minhas mãos; um chaveiro e uma carteira. Pacificamente lhes dei as costas com o intuito de deixa-los partir, tranquilamente.

Escuto um barulho de tiro.

Estou tonto, o que está acontecendo? Não consigo ficar de pé. Escuto o mesmo barulho por mais 3, 4, 5 vezes. A sensação era sempre a mesma, Dor!

Sinto meu corpo morrer. Já não consigo impulsionar movimentos ao meu corpo. Meus olhos estão vidrados. Sinto que minha alma ainda está viva. Oh, que estranha sensação!

- Por que você atirou nele?
- O primeiro tiro foi acidental, os demais foram para terminar de matá-lo.
- O que iremos fazer agora?
- Não sei, decida você!

Que senário frustrante. Os indivíduos não fogem, Por quê? Eles estão aproximando de mim. O cheiro deles me incomoda. Sinto despertar uma ira em mim.

Entrei em transe. Senti-me face a face com Deus, olhei bem nos seus olhos e bravamente pude dizer: Você é Injusto, você está deixando as pessoas inocentes morrerem. Veio-me um desejo de “justiça”, desejei ter as últimas forças para me levantar dali, com uma ak-47 na mão e estourar os miolos de um por um. Mas não posso, não tenho força, não posso me transformar em meus assassinos. Oh, eu preciso me levantar daqui!

Por consequência do destino, meu desejo fora interrompido pela única testemunha ocular que passava pelo local, ameaçada pelos assassinos a negar o crime ali ocorrido.

Comecei a pensar em minha família, meus amigos, no único animal de estimação que possuo, um lindo peixe, pequeno, puro e inofensivo. Será que nunca mais os verei?

Nesse momento de lembrança, sinto uma lágrima se escorrer pelo meu rosto, essa lágrima se escorria na mesma velocidade com que a minha indignação com aqueles malditos se aumentava. Desgraçados!

Minha mente foi ficando cansada, por mais que eu tentasse me manter ligado meus olhos se fechavam fortemente. Minha alma gritava. Dor. Angústia. Eu preciso de força, mas essa me fugia a cada segundo que passava.

Nesse momento apático, uma forte luz ofusca minha visão. Minhas pupilas se contraem rapidamente. Consigo olhar para o lado, era meu pai pegando algum objeto de trabalho. Aproveitei pra disfarçadamente enxugar algumas lágrimas que umidificava o meu rosto.

Oh, será que estou vivo?
Alívio!

Que dia tão lindo. O Café está sobre a mesa, posso ouvir o som das canções ecoadas pelos pássaros. Que lindas canções.

Preciso me recompor.

Bom dia!