Vindos do inconsciente

21 de Outubro de 2013 johanssoneves Contos 1075

Olho para um lado, e para outro, tenho quase que certeza que ouvi algo, sinto medo, não quero que aquilo que acontecia há anos atrás volte de novo, mas eu sinto, eu sei que está vindo, e está vindo com uma faca, são vários, muitos. Abro e fecho os olhos meio que inconscientemente e sinto aquela quase certeza que este piscar de olhos durou mais de duas horas, isso me desespera, demais, me ponho a levantar do lugar de onde estou sentado, e caminho pela estrada de pisos da minha casa, algo está estranho, sei que está, sinto que algo se aproxima, e novamente tudo volta a tona, um grito da minha mãe me brigando como nunca tinha ouvido antes se instala em meu ouvido, é fodidamente desesperador, sinto minha visão diminuindo, e o mundo inteiro se fechando, vejo apenas um pontinho minúsculo, e isso realmente é desesperador, meu corpo está em choque, minha mente só funciona para a emoção desesperadora de gritar, mas nada sai, de repente tudo volta ao normal e o pontinho se expande, o mundo estava se abrindo de novo, as lágrimas vinham em meus olhos, mas eu controlava para não deixa-las cair, algo ali me dizia que aquilo não havia parado, foi quando percebi que eu não estava em casa, foi quando eu percebi que estava na casa dos meus tios, e a primeira coisa que me passou pela cabeça foi o que diabos eu estava fazendo ali. Meu cérebro foi se normalizando e voltou a pensar normalmente, mas isso não foi uma coisa boa, nem um pouco, eu me pus a pensar em como em um piscar de olhos eu sai da minha casa e cheguei na casa dos meus tios, aquilo me torturou de uma forma muito dolorosa, começava a achar que estava louco, que estava sonhando, e me via a dar beliscões imensos em minha pele para que eu acordasse, foi quando um barulho surgiu, era algo que havia batido na janela atrás de mim, instintivamente olhei para trás, e vi apenas uma mancha enorme de sangue na janela transparente, em meu estado normal eu correria para o meu quarto e ficaria lá trancado, mas não sei realmente o que aconteceu, só sei que corri até a porta e a abri, e bem na hora que abri, meus olhos foram direto ao chão, e lá estava a cabeça da minha tia decapitada, e ainda esbanjando sangue no piso branco da varanda, o vento batia forte, fazendo seus longos cabelos cobrirem seu rosto, me vi em desespero, eu abria a boca para gritar mas nada saia, e isso fazia com que eu sentisse meu coração saindo pela boca, o cheiro se tornou insuportável de uma hora para outra, e num piscar de olhos o corpo da minha tia foi arremessado com tudo em minha direção, sua barriga estava com um buraco enorme, fazendo o intestino ir caindo enquanto seu corpo voava em minha direção. Seu corpo me acertou em cheio, pude sentir meu corpo inteiro me sujando de sangue, e entrando pela minha boca, cai com tudo para trás sentado, e com as duas mãos joguei em desespero o corpo dela para frente, e lá estava na minha frente um alien, sim, um alien igual aos dos filmes, e novamente eu gritava mas nada saia, porém desta vez consegui me levantar rápido e correr, uma voz saiu da minha boca, e ela gritava.



“TIIO, TIIIIIIOOOOOO, PRIMAAAA”



Eu não estava gritando aquilo, mas saia da minha boca, e eu ouvia, parei de correr e olhei para trás, para ver se o alien estava atrás de mim, mas acabei me convencendo de que estava seguro de alguma forma ali, na sala de estar, me pus a pensar no que havia acabado de gritar, como eu fiz aquilo, onde minha mente estava, não conseguia parar de me perguntar isso.



Corri até o quarto do meu tio, e o vômito veio meio que imediatamente, saindo com tudo pela minha boca e caindo com tudo no chão, apenas a visão e o cheiro de 2 segundos daquela cena foi o suficiente para me causar um enjoo inexplicável. Meu tio estava enforcado no ventilador de teto, sua barriga com um enorme corte do peito até a bexiga, seus intestinos estavam todos no chão, seus olhos haviam sidos retirados, seu maxilar foi deslocado e quebrado para o lado o deixando com a boca enormemente aberta, seus braços e pernas estavam no chão desprendidos de seu corpo, e o pior de tudo eram os insetos que estavam dentro de sua barriga, fazendo de lá seu lar, e eu podia ouvir os insetos gargalhar, como pessoas, riam e riam cada vez mais, e aquelas risadas me faziam chorar, não conseguia me mexer, não conseguia fechar os olhos, e não queria ver aquilo, até que pisquei e me descongelei, dei alguns passos para trás e cai, e continuei  me arrastando para longe daquele quarto, foi quando um barulho muito agudo e insuportável se apossou de minha audição e novamente o mundo estava se fechando, aquilo era perturbador e desesperador demais, é muito mais do que consigo descrever. Novamente havia apenas um pontinho no meio de todo o preto e nesse preto eu podia ver vários vultos de um lado para o outro e eu só conseguia pensar desesperado e chorando em acordar daquele pesadelo, ou morrer de vez se caso não fosse um pesadelo, e do nada milhares de vozes gritavam ao mesmo tempo.



“MATE, MATE TODOS,
MATE TUDO”



Eu estava no meu limite, sabia que iria desmaiar, não estava mais aguentando, mais isso não aconteceu, e eu me perguntava como, me perguntava porque, me perguntava de que forma diante de toda aquela pressão eu ainda não tinha desmaiado. Até que o mundo se abriu de novo, as vozes pararam, e eu me via suando demais, o coração estava tão rápido que doía, doía muito, eu respirava forte demais e parecia que nunca era o suficiente, sempre parecia que faltava muito ar a ser preenchido, me levantei e corri até a cozinha, abri a gaveta do armário chorando e ofegante demais, e da gaveta tirei uma faca, coloquei meu braço esquerdo na mesa, minha visão estava embasada, e eu não tinha total controle sobre meu corpo, eu estava tão desesperado que não conseguia me mexer, pensar, e nem agir normalmente, levantei a faca com a mão direita e a joguei na direção do meu pulso, mas tremi demais, a faca bateu na mesa e escorreu com tudo para o meu braço, pegando em cheio na lateral dele e cortando mais de seis centímetros de carne, eu soltei a faca com tudo, e me vi caindo no chão, já não conseguia mais chorar, minhas lágrimas haviam acabado, olhei para o meu braço e vi aquele imenso pedaço de pele pendurado e muito mais muito sangue saindo, a dor era imensa e eu só queria poder apagar naquele momento, mas não conseguia, e tudo acontecia tão rápido sem pausa alguma, se não morresse ali, morreria depois, jamais conseguiria viver depois de tudo o que havia acontecido ali. Passos vinham do banheiro e meu choro começou a sair pela boca, a dor do corte estava fortemente insuportável, e eu sabia que aquilo não acabaria, não conseguia pensar em como agir correto diante de tudo aquilo, não havia solução, não havia saída, não havia um modo certo de agir, não havia nada a se fazer, a não ser sofrer, e nem mesmo aceitar o sofrimento era possível, minha mente não fazia isso, ela estava se controlando sozinha, brincando com alguma outra parte dela que supostamente seria a parte em que eu estava naquele momento. Os passos foram ficando mais fortes, e rolei para o lado e vi minhas duas primas uma de seis anos e a outra de dez, e junto a elas, estava um cara gordo, barbudo e pelado, com o pênis ereto, ele arrancou toda a roupa da minha prima de seis anos com uma brutalidade que chegou a dar ódio imediato, ele estampava na sua boca um sorriso enorme, e lambia seus próprios lábios de segundo em segundo, eu não estava sentindo nada do que deveria sentir naquele momento, que seria o medo, a dor no meu braço, a raiva, o desespero, tudo havia parado por um momento, até que o homem começou a penetrar minha prima, enquanto ela gritava e chorava de uma forma tão triste e perturbadora, aquela cena era a mais nojenta que já havia visto na minha vida, o homem gargalhava enquanto puxava ela para frente e paras trás com suas enormes mãos que cobriam o corpo dela quase que todo, minha prima de 10 anos olhou devagar para o lado e ao ver a cena, começou a rir, em seguida gargalhar, naquele instante tudo voltou, a dor, o medo, a raiva e o desespero, e inconscientemente eu me levantei, naquele momento de adrenalina a dor havia sumido, peguei a faca que havia ficado em cima da mesa, a segurei forte e corri em direção ao gordo, e a enfiei com tudo em seu pescoço e puxei com força para frente, um rio de sangue começou a descer pelo seu corpo, mas ele continuava estuprando a minha prima como se nada tivesse acontecido, eu não conseguia entender e o medo e o desespero foram triplicados, e mais triplicados ainda quando o homem parou e voltou andando em direção ao banheiro, minha prima de 10 anos o seguiu, e minha outra prima estava lá no chão, inerte, morta, com a boca aberta cheia de porra, o vômito voltou a garganta mas dessa vez não chegou a sair, e novamente o grito de minha mãe voltou com mais intensidade, tão forte que cai de joelhos com as mãos no ouvido, até que parou, e as vozes vieram dizendo.



“Só falta uma” “MATE” “Vamos, faça” “em breve você
perderá o controle faça logo” “o que está esperando” “pense no sangue” “pense
na carne” “pense” “pense” “pense” “pense” “pense”



As vozes finalmente haviam parado, e corri até o banheiro para salvar minha prima, quando abri o banheiro, vi meu corpo congelado novamente, meus olhos não se mexiam, nada em mim se mexia, a minha frente estava minha prima partida ao meio da cabeça até sua vagina, e ao lado dela estava um homem com apenas metade do rosto, seu cérebro ficava exposto, em um dos braços havia uma prótese de uma serra de cortar madeira que estava completamente suja de sangue e pedaços de carne presos entre seus dentes afiados, ele estava sentado em uma cadeira de rodas, comendo o coração da minha prima, e olhando para mim com uma expressão de felicidade que me deixou anestesiado em desespero, e novamente o mundo se fechou, ficando apenas a bolinha preta, milhares de gritos vieram me enlouquecendo de vez, e em um piscar de olhos apareci em um tribunal sendo condenado a pena de morte, acusado de homicídio qualificado de quatro pessoas e estupro.



Mas preciso finalizar por aqui o que realmente aconteceu, pois faltam poucos minutos para me levarem para a cadeira elétrica, mas preciso que todos saibam que eu jamais mataria meus tios e primas, eu não faço ideia do que aconteceu, mas não foi eu... não foi eu.


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