Superego

21 de Julho de 2011 Ariano Contos 877

Aos olhos de sua família — e da maior parte do mundo — era uma moça exemplar: feminina, trabalhadora, correta, confiável.

Precisou que seu pai morresse para que pudesse desacorrentar-se de si (e dele) e fazer tudo o que realmente queria. O corpo do coroa ainda estava quente no caixão quando ela largou o bondoso namorado de longa data para, em seguida, levar corpos e mais corpos ardentes dos homens que ela realmente desejava para sua cama.

Passado tempo suficiente, infinita melancolia e uma opressiva culpa vinda do além acometeram a mulher. Ela mudou de nome, mas de forma alguma por ter-se casado — após a morte do pai, ela preferiria o próprio fim ao casório. Passou a chamar-se Paciente #7853 na Ala C de certa instituição, onde ganhou uma nova família: teria, finalmente, companhia até o fim de seus dias.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

Leia também
A Origem e a Razão de Ser de Tudo há 1 hora

Deus não criou todas as coisas para depois intentar formar uma Igreja. Ao...
kuryos Artigos 6


ETERNAL (rondó) há 14 horas

ETERNAL (rondó) Não o poeta, sim a poesia Em cada verso haveria- De ...
ricardoc Poesias 6


Sintomático há 20 horas

Divagando pela favela, penso nela olhando a aquarela do sol se pondo. ...
a_j_cardiais Sonetos 38


"Minha humilde casinha" há 3 dias

Tenho na minha casa Quatro cadeiras e um colchão Uma mesa, e roupas pelo...
joaodasneves Poesias 20


Se Poema For Oração há 3 dias

Senhor, este poeta perdido vem Vos fazer um pedido: dai-me Vossa paz. ...
a_j_cardiais Poesias 81


"Bailei com a solidão" há 3 dias

"Bailei com a solidão" A beira do mar espero a Solidão E escuto ja o ...
joaodasneves Acrósticos 17