O Livro Mágicio

26 de Novembro de 2013 Priscila Pereira Contos 760

    Quando Marcos entrou naquela livraria empoeirada e velha, sentiu o
doce aroma de livros antigos, era sua fragrância preferida, podia-se
dizer que eram sua grande paixão, livros antigos e boa música. Entrando
na pequena livraria sempre achava estar adentrando o paraíso, olhava
extasiado estantes e mais estantes cobertas de obras primas de autores
muitas vezes desconhecidos, quase podia sentir a presença dos
personagens e o enredo das estórias.    Os raios de sol filtravam-se
por janelas altas e estreitas que iluminavam parcamente o ambiente, o
 ar era carregado e quase se podia pega-lo com as mãos, Marcos caminhava
lentamente entre os corredores admirando as capas e devorando os
títulos. Em uma prateleira que quase tocava o chão, um livro o atraiu,
parecia chamá-lo, estendeu a mão e o pegou, parecia muito comum, sem
nenhum atrativo, capa preta bem gasta, sem título nem nada, estava muito
empoeirado, parecia que estava esquecido ali há vários anos.    Ao
abrir o livro misterioso, sentiu-se transportado para outro universo,
cores e formas dançavam a sua frente, fechou rapidamente o livro e num
instante estava de volta a livraria. Pensou estar ficando louco, teria
tido uma alucinação? Abriu novamente o livro preto e estava outra vez em
outro lugar, segurou bem firme o livro e decidiu embarcar nessa
aventura.    Estava em um jardim repleto de flores das mais variadas
espécies, árvores de todos os tipos, um lindo lago logo adiante. Ouviu
vozes se aproximando e com medo se escondeu atrás de uma enorme árvore,
pode ver dois homens conversando, mas não pode ouvi-los com clareza,
passado alguns minutos os dois se despediram e um deles veio em sua
direção; em pânico, Marcos já fechava o livro quando o homem disse:- Gostou do meu jardim?Marcos
virou-se e olhou bem nos olhos dele, que transmitiam uma infindável
paz; acalmou-se, respirou fundo, manteve o livro aberto e respondeu
polidamente:- Seu jardim é adorável,  desculpe entrar sem ser convidado.- Todos são meus convidados, não se acanhe. Como é seu nome?- Marcos e o senhor, como se chama?- Emanuel. Fiz este jardim para meus filhos, quer conhecê-lo melhor?-
Claro que quero, disse Marcos com uma ansiedade incrível de decifrar
onde estava, o que estava acontecendo e principalmente quem era aquele
homem, ao mesmo tempo desconhecido e familiar.    Foram os dois
caminhando lado a lado, Emanuel mostrando todo o jardim, falando de como
plantara cada flor, deu até nome a cada uma delas. Os dois conversaram
longamente e Marcos passou a admirar muito esse homem que amava tanto a
sua obra, que sem nem mesmo conhecê-lo, já  o tratava com tanto amor e
respeito. Não queria ir embora, queria morar ali e continuar conversando
com Emanuel, mas não poderia manter o livro aberto por mais tempo,
decidiu-se a ir embora. Emanuel olhou bem dentro de seus olhos e disse:- Já tem que ir?- Tenho, minha família deve estar preocupada...- Volte sempre que quiser, estarei bem aqui te esperando, você sabe como chegar até aqui.Não
era uma pergunta, e sim uma afirmação. Marcos balançou a cabeça
concordando, deu um ultimo adeus e prometeu que voltaria logo.   
Fechou o livro lentamente com os olhos cravados nos de Emanuel, que
agora olhavam para ele com a  expressão mais paternal e amorosa que já
tinha visto na vida.    Estava novamente na livraria, parecia que o
tempo não tinha passado, tudo permanecia igual. Segurando bem firme o
livro nas mãos Marcos atravessou a  livraria e pagou  por ele, queria
chegar em casa o mais rápido que pudesse para abrir novamente o livro e
ver que aventuras mais ele iria lhe proporcionar, esperava também
encontrar-se de novo com Emanuel, tinha uma intuição que essa amizade
seria de extremo valor para sua vida.


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