Napoleão Camisão, carretêro, era
um sujeito mulecão do tipo farrista, bestêro e cassuadô  - 
cortava esse mundão de cabo a rabo sozin na boléia da sua máquina de
trinta e seis roda  -  uma bitela. Passano pur Entrifoia tinha que
pará na barraquinha do Zé Catarrinho 
-  um Minerin regatêro e bão na
prosa.  Bibia a bicotadas uma boa canecada
de garapa apruveitava e comprava duas penca de banana, uma rapadura e uma
saculinha de minduin pra ir cumeno na viage... Condo Camisão inha saino
divagazin isguelano a mercede Catarrinho incantava iscuitano o roncado dessa
bichona e o povão com zoi de vaca laçada butucava tudo nas jinelas da rua pravê
ela passá. O sonho de Catarrinho era ir
junto numa dessas viage, e foi ino inté qui isso aconteceu. Numa dessas passage
pur ali cumbinaro qui na próxima ele inha junto, e ansim sucedeu. Nu dito dia, dispois qui Camisão
tomô a garapa, Catarrinho pegô e entrô digalope.  -  Isbanjano,
sentô na potrona feito um senadô da repubrica, pois o braçin pra bandi-fora,
ispichô o pescoço pra –dá tchal pra muié qui imbirrada danava qu’ele pra -num
ir. Num quis nem sabê, foi simbora sastifeito 
-  num lembrô nem de ispirrá
prefume dibaxo do braço. Tudo inha munto bem inté chegá na ponte Sá carvalho na
BR-381 condo um opala disguvernado imbicô na dereção cirtinha dessa carreta
numa velocidade lôca como -qui -nem tivesse motorista guiano  -  e
num arredava!  Camisão, dususperado,
veno qui num tinha mai -jeito de invitá o pió e inha batê mémo de frente e
isprudí tudo,  sortô as duas mão do
volante e tapô o zói pra num vê a burduada. Cond’ele sortô as mão essa iscania
troxeu pra bandi-fora da istrada e desceu prum dispenhadêro doido  -  no
premêro sarto quéla deu rebentô a cerca na testa.  Camisão antão agachô nu valuzin entre a
potrona e o volante e dexô o pau quebrano; Já Catarrinho, tadim, com buquinha
aberta e zuin isbugaido de apêrto, abafadin quiném rato preso numa istufa dano
cuns nariz no vidro, tomano arranco e bateno ca-cabeça no teto, com munto custo
consiguiu arcançá a bursinha de rôpa qui –levava, e pensô: só rebentano esse
vidro pra mim saí daqui sinão vô machuca munto... Eu apoio a borsa na cabeça, dô
uma cabeçada bem dada nesse pára-brisa, saio qu’ele na cabeça e iscapo. Nisso Camisão
garrô e mandô ele pisá no frei. - “Frei, qui frei!?  - Onquié?” - Gritô ele afrito.  - 
Nessas artura a iscania já tinha rivirado uma cambanhiota e o cabornatin
com os pésin pra riba ficô iguale murcego dipindurado.  -  Que
jeito que vê frei?! Cond’ela bateu o quexo n’água ele
cumecô a debatê e bebê água prus nariz, boca, zuvido, mais qui dipressa, feito
um gato rivirô de galope e saiu pela jinela... Camisão gritô qu’ele dinovo:   sê-sa-nadá?  -  Não. Respondeu ele garrado numa moita de
jeraguai, arrastano pra -riba.  Moiado
feito um frango foi ino dileve inté qui varô na bandi-fora du “Rii –Doce”  -  qui
nessas artura tava uns oito metro acima do nórmar... Opala ninguém viu mais
não  - 
sumiu feito sombração.  Aburricido, dexô Napoleão Camisão
suzin pa -trais vigiano os resto da carreta qui lá inha sumino dentro d’agua e
se foi, na canela, matutano oqui -quele inha cassá em Berozonte seno qui num
tinha nada pa –fazê lá.  Com isso tamém
panhô trauma de carro. Vortô pra casa di –a –pé, gastô dois dia pa -chegá incasa
mais chegô, com zói de bode afogado, mais chegô... Isso pra nunca mais disobecê
a muié, nem entra ni -carreta.

Iscuita esse causo:



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