Contos Paulistanos - A fonte da juventude I

27 de Novembro de 2013 Pierre Souza e Lima Contos 1317

Antes de tudo quero citar que tudo que vemos é superficial, tudo ao nosso redor são cascas, cascas de frutas maduras esperando uma mordida de olhar. Digo, alguém aqui já imaginou o que aconteceu antes de você pisar por ali, as pessoas que estiveram ali e as marcas que elas deixaram para nós, aqui do presente, sempre lembrarmos do passado.Cabe a nós encontrar essas marcas ou apenas ignora-las.

Portugal - Lisboa 1533

Joaquin Alcântara  morava em Portugal, na cidade de Lisboa, com seus pais e sua irmã mais nova, na época da monarquia portuguesa. Sua família era de casta alta entre os nobres, e Joaquin um garoto franzino de cabelos negros e olhos castanhos e grandes, sempre fora curioso, vivia a dentro da igreja a conversar com os sacerdotes e padres.

Um dia notara que estava crescendo e um dos irmãos da igreja mantinha sua aparência sempre jovial, sempre bela, um rapazote chamado Edgar Martins, Esbelto e forte, com um corte de cabelo rudimentar, mas de olhos tão maliciosos quanto as curvas de sua boca.

Aos seus 16 anos suas poucas companhias eram todas de seu templo, e uma hora e outra sempre pedia a receita ao Irmão Edgar, a receita de como ficar belo para sempre. Ele admirava como o tempo não parecia afetar os traços de Edgar.

E com o passar do tempo, começou a vigiar o irmão, sua curiosidade era imensa demais. Seria alguma planta, ou ele tomava mais banhos do que era necessário para manter uma aparência tão impecável pensou Joaquin consigo.

Uma certa noite, Joaquin desceu ao templo para fazer suas preces diárias e lá não tinha mais ninguém da igreja. Ao terminar suas preces viu irmão Edgar passar, mas aparentava estar tão preocupado que nem se quer notou a precisa do mesmo ali.

Joaquin não pensou duas vezes e começou a segui-lo por um corredor, o irmão parecia apreçar o passo silenciosamente, como se estive atrasado para algo, ou tentando se esgueirar para algum lugar que necessitava de urgência.

Nesse dia chovia muito e os corredores do templo eram grandes e largos, com pilastras apoiando o imenso céu renascentista cravado no teto e nas janelas, refletindo todas aquelas esculturas e velas acesas.

Parecia que ele não devia estar ali, ela sentia um vento gelado atrás de si, que parecia dizer para não ir, mas mesmo assim foi.

Logo se esgueirando por entre as pilastras e corredores que cercavam aquele corredor central, chegou ao pé de uma descida de escadas negras, todas encapadas com tapetes pretos e entalhes em latim que Joaquin parou por segundos para tentar decifrar e logo depois lembrou do real motivo de estar ali.

Queria saber o porque da pressa de Edgar, talvez ele descobrisse algo que realmente pudesse deixa-lo tão belo e selvagem quanto seu tutor religioso.

Nunca tinha chegado a um ponto tão abaixo do templo, notara ao descer as escadas que havia outro salão a se passar, mas nunca tinha visto aquele lugar na igreja. Jamais esperava encontrar uma sala cheia de itens velhos e dos mais diversos possíveis. A mente de Joaquin não conseguiu captar todos os objetos na sala, sua atenção se perdeu em uma arca dourada pousada sobre uma mesa.

A poeira não negava que alguém havia mexido ali e algo lhe dizia que o que ele procurava estava dentro da arca.

Ao se aproximar da arca, Edgar ataca ele furiosamente pelas costas. Joaquin se quer teve tempo de defesa, apenas caiu apagado. Estava morto, Edgar não teve uma gota se quer de piedade, o tempo que passou junto com Joaquin na Igreja parecia não ter existido, ele apenas bateu para matar e proteger sua arca e logo em seguida saiu a cavalo para chegar a uma caravela que logo atracaria em um vasto pedaço de terras desconhecidas.
Ao desatracar Edgar notou que o local em que chegara tinha ares iguais aos espanhóis, mas a água e a terra eram tão ricas que parecia uma primavera eterna, seria um local perfeito para se guardar um segredo não acha ?

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