Surreal - Parte 2

02 de Dezembro de 2013 Priscila Pereira Contos 826

A medida que ia entrando na floresta ia me familiarizando com seus sons e
cheiros, sons de pássaros tristes e lúgubres com suas longas melodias,
sons de cigarras, grilos, todo tipo de insetos e animaizinhos invisíveis
pra mim, mas podia ouvi-los e até sentir os estranhos cheiros que eles
exalavam, esses, se misturavam com o cheiro forte de todo o verde, terra
molhada, flores exóticas e mofo, era uma floresta densa e úmida, quase
não conseguia ver o céu acima de mim, só as copas das árvores e aqui e
ali uma frestinha de sol, um sol pálido e ameno, mais para iluminar do
que para esquentar. Tudo parecia igual, acho que acabei me perdendo,
olhei para traz, para os lados e não sabia mais como voltar e nem sabia
para que lado estava a casa de onde acabara de sair, não tendo outra
escolha continuei a caminhar na esperança de chegar a algum lugar.De
longe avistei o que parecia uma clareira, um lugar onde a vegetação se
rareava, como o olho de um furacão, um lugar onde quase lembrava uma
campina; cheguei bem no meio da clareira e avistei uma enorme pedra,
estava cansada e decidi subir na pedra e deitar um pouco, logo que meu
corpo repousou sobre a pedra, meus músculos relaxaram e quase
instantaneamente adormeci. Passado um longo tempo fui despertando, e a
medida que ia abrindo os olhos percebia que não estava sozinha, lindos
olhos verdes e sorridentes olhavam pra mim, fiquei ao mesmo tempo
assustada e aliviada, já estava pensando ser a única pessoa existente
nesta floresta. Já totalmente desperta olhei em volta e tudo que pude
ver foi um vermelho flamejante pulando da pedra onde eu estava, olhei
para baixo e vi um rapaz de pequena estatura, completamente ruivo, com
sardas espalhadas pelo rosto todo, um sorriso enigmático e olhos tão
verdes como esmeraldas faiscantes; Ele me encarou alguns momentos e saiu
correndo em direção a floresta; sem pensar pulei da pedra e fui
correndo atrás dele, ia seguindo o vermelho de seus cabelos no meio de
todo o verde em volta, até que em determinado momento eu o perdi.
Continuei um pouco e parei para recobrar o fôlego,  me apoiei em uma
enorme árvore para descansar, ia respirando fundo, tentando fazer meu
coração voltar a bater em um ritmo normal, foi quando ouvi um riso
envolvente e baixo, olhei para cima e lá estava ele, num galho forte e
alto, pendurado com a destreza de um macaco. – Você me seguiu!Não era uma pergunta era uma afirmação. Como não tinha o que dizer, fiquei em silencio, só olhando para ele.– Qual é o seu nome? . Ele perguntou de uma maneira amigável...– Lyra, e o seu?  Respondi sem ter muita certeza.–
Eu sou Seth, guardião da floresta! Disse ele com muito orgulho e
animação. Deu um pulo e em um segundo estava de pé ao meu lado.– Onde eu estou? Perguntei.– Você não sabe? Como pode não saber onde está? Disse ele voltando a andar pela floresta.– Simplesmente não sei... Disse seguindo-o.– Tudo bem, eu estou aqui para te guiar, você tem uma missão e eu vou te ajudar.–
Espere aí, que missão é essa? Perguntei meio desconfiada; estava
começando a achar que tudo isso era um sonho, parecia tudo meio irreal,
mas por mais que eu tentasse acordar, as coisas iam ficando
irremediavelmente reais.– Ainda é cedo para você descobrir, venha que vou te levar a um lugar seguro e te dar algo para comer.Fui seguindo o Seth por um caminho que ia ficando cada vez mais largo, com muitas flores e pequenas e brilhantes pedras.– Pronto, chegamos... Disse Seth apontando para uma enorme e linda árvore.Fiquei
olhando, sem saber  exatamente onde tínhamos chegado, até que ele foi
andando em direção a grande árvore e deu uma sequência de  batidas no
tronco e como que por mágica se abriu uma porta e apareceu uma escada
que ia descendo para o interior da árvore...


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