Surreal - Parte 3

02 de Dezembro de 2013 Priscila Pereira Contos 674


    Fiquei parada, olhando sem acreditar,
comecei a achar que talvez estivesse enlouquecendo. Seth me olhava com
uma expressão curiosa, ao mesmo tempo parecia intrigado e divertido,
como se ele soubesse o que eu estava pensando e tentando imaginar o que
eu faria a seguir.- Você primeiro! Eu disse, decidindo entrar nessa aventura, estando louca ou não. 
   Ele começou a descer as escadas e fui atrás dele, quando passei do
segundo degrau a porta da árvore se fechou nos deixando na penumbra;
depois de algum tempo descendo, avistamos o fim das escadas e o começo
de um corredor com muitas portas fechadas, era iluminado por tochas
acesas a intervalos regulares e se perdiam de vista.    Seth parou
na primeira porta e me convidou a entrar tirando um molho de chaves do
bolso de sua calça verde musgo que combinava admiravelmente com uma
espécie de  bata de cetim verde esmeralda, como seus olhos. Pensando bem
a respeito, ele até parecia um elfo, só que sem as orelhas pontudas.
Sorri mentalmente á este pensamento absurdo.    Abriu a porta e
entramos, o lugar parecia uma cozinha antiga, me trazia uma espécie de
recordação,  de um sentimento, não do lugar propriamente dito. A cozinha
continha uma mesa grande de madeira, com várias cadeiras ao seu redor,
um fogão a lenha, grande e vermelho que estava aceso, cozinhando alguma
coisa em grandes panelas de barro. Isto era tudo que continha na
cozinha.- Pode sentar aí enquanto trago seu jantar.- Tudo bem. Disse eu sentando na cadeira mais próxima do fogão.- O cheiro está ótimo...- Claro que sim, é seu prato predileto!- Como sabe qual é meu prato preferido??-
Sei muitas coisas sobre você, mas é melhor você comer antes que esfrie.
Disse ele trazendo um prato com frango assado, purê de batatas, quiabo
refogado e uma espiga de milho verde com manteiga.- Este não é meu prato predileto...- Come, e você se lembrará... 
    Um pouco contrariada comecei a comer e logo me veio uma lembrança
da mais tenra infância... Eu estava em uma cozinha parecida com esta,
com meus três anos de idade, sentada na cadeira e  balançando meus
pezinhos, minha avó me dava de comer exatamente este prato e me contava
histórias que me levavam para outro mundo. Realmente este era um de meus
momentos preferidos já não lembrados de minha existência. Minha avó já
morrera há muito tempo, ninguém nunca mais me contou histórias.   
Acabei de comer em silêncio e pensando sobre aquela lembrança... Como
pude me esquecer? Como pude deixar de lembrar como a imaginação foi
importante em minha infância e como deixei aquela menininha crescer na
mais árida e seca realidade?- Venha, está na hora de abrirmos mais uma porta.- O que haverá  a seguir?- Tente imaginar... Disse ele com um sorriso enigmático.


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