Vocês devem se perguntar: Dan, que nome é esse? 

Mas, era assim mesmo que um lindo menininho de olhos castanhos intensos, em seus oito anos de idade era chamado. 

Isso parece apelido, porém é o nome de uma criança muito especial que decidiu que não queria crescer. 

Dan, todos os dias, divertia-se muito, inventando mil e uma formas de brincar, sempre a sombra de um mesmo carvalho, porém sempre solitário.

Esse menino tinha seu jeito próprio de ver as coisas, de enxergar o mundo e, mesmo com a mãe lhe atormentando, nunca desistia daquele mundo que era só seu, onde podia ser criança para sempre!

Ia pra escola todos os dias, adorava sua professora e principalmente as aulas de leitura, pois assim podia conhecer novos mundos, viajar pelas histórias, ser o herói, o cavalheiro, o mocinho, não gostava muito de ser o vilão, mas ás vezes até esses lhe agradavam... 

Mas, o que Dan não gostava mesmo era da hora do intervalo. Com poucos amigos, quase nenhum, por ser um garoto franzino e muito solitário, os outros alunos zombavam demais dele.

Então, aquela criança tão diferente e especial, sempre procurava um cantinho no jardim – sim sua escola tinha um lindo jardim, com girassóis, violetas e lindas rosas vermelhas – e ali se imaginava num mundo ideal, um lugar só seu, onde pudesse fazer o que quisesse, o que seu coraçãozinho solitário mais ansiava: ser criança para sempre e ser livre!

Quando chegava a hora de ir para casa Dan saía lentamente, deixando para traz os tão amados livros e sua querida professora, que ele tanto adorava, que parecia compreender-lhe o que ia à alma, sua sede por aventuras mil, por viajar livremente em suas histórias. 

E o garoto ia calado, seguindo sua mãe, aquela que não tinha a compreensão de quanto o próprio filho era especial. Uma mãe durona, severa, sempre com os pés na realidade, que nunca sonhava, nunca sequer demonstrava carinho ou amor.

E, ao chegar à sua casa, lá ia Dan, correndo, guardar suas coisas e se refugiar embaixo do frondoso carvalho, sonhando acordado, novamente, com o dia em que as crianças pudessem viver livres para sempre, sem regras, sem cobranças, sem preconceitos, sem violências, sem os meninos chatos, somente crianças boas, amáveis, companheiras e uma mãe amorosa, tal qual sua adora professorinha.

Esse seria seu mundo ideal, seu passaporte para a liberdade, onde reinasse somente alegrias, felicidades e paz.

Desejava um paraíso de inúmeras belezas naturais, com flores de todas as cores, pássaros de variadas espécies e uma linda cachoeira, onde poderia banhar-se e depois relaxar nas grandes pedras ao redor, sob o sol iluminado, acolhedor e caloroso, que lhe aqueceria o coração e a alma.

Mas a realidade, em forma de mãe durona, sempre o chamava de volta ao mundo que ele não gostava. Mas o que fazer?

Ele realizava o que esperavam que uma criança “normal” faria: deveres de casa, olhar os irmãos mais novos, ajudar na lida da casa, e obedecer fielmente sua mãe... Mas, sempre esperando por um momento para fugir novamente para aquele seu mundo, que só a ele pertencia e ninguém, jamais, poderia lhe tirar. Um mundo, onde pudesse enfim, esquecer a triste perda de seu pai amado, que um dia fora seu herói, seu mocinho, seu grande parceiro na linda aventura de viver em uma família perfeita. 

Família essa que fora destruída tragicamente, quando ainda tão jovem, como diziam, de mal do coração, deixando uma mãe amargurada, filhos desamparados e tristes.

Mas, Dan sabia que seu pai havia partido para bem longe, e que lá, no seu lugar ideal, um dia ele o encontraria para viverem para sempre em seu mundo perfeito!

>>> Publicado em 2013, na Antologia "PALAVRAS SEM FRONTEIRAS III - BRASIL/ARGENTINA - Ed. Literarte <<<<



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