Tudo o
que eu queria aquela noite era caminhar. Um longo tapete de piche se estendia à
minha frente. Era noite e tudo o que se podia ouvir era o corvejo longínquo dos
pássaros que vagueiam na escuridão. Uma imensa floresta de pinheiros ladeava as
curvas da estrada. Eu estava cansada, por sabe-se lá por que motivos, mas tudo
o que queria era caminhar.



Já havia
caminhado um bom pedaço quando senti a primeira gota de chuva cair sobre meu
rosto, não demorou até que engrossasse. Apressei o passo, mas não pareceu
adiantar. Estava cansada, mas eu gostava da sensação. O vento frio cortava o
meu rosto e fazia pensar “droga, por que não trouxe um agasalho?”, a chuva
caindo me intrigava “será o céu chorando?”, a completa solidão me trazia paz,
mas despertava em mim uma imensa aflição “estou eu perdida?” e aquele turbilhão
de interrogações que surgia de meu subconsciente me incitava à busca por
dissoluções.



Caminhei,
caminhei e caminhei. Não sei onde parei, ou onde irei parar. E minha única
certeza é que não posso cessar, porque minha busca por respostas continua e a
vida é uma eterna caminhada.