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09 de Dezembro de 2013 Magalí Contos 808

Já era tarde quando ela subiu para o quarto.


O banheiro era pequeno, mas espaçoso, e ela estava feliz pelo calor aconchegante da casa. Tirou suas roupas molhadas e ligou o chuveiro. As primeiras gotas de água estavam frias, mas com o tempo ficaram em uma temperatura perfeita. Ela  deixou a água escorrer pelo seu corpo fechou os olhos e encostou-se na parede fria. A sensação era incrível, a água quente e o ar frio se misturando à sua volta, davam uma sensação de segurança, ela sentia-se como quando estava em casa.


Depois de vestir-se e sair do banheiro ela foi até um quarto no segundo andar que ficava depois da sala de estar, em cima da cozinha. Passando por uma sala onde havia um grande quadro com três crianças sorrindo graciosamente uma ao lado da outra, havia uma porta e uma escada, que levava até outra porta, e, automaticamente, ao quarto onde ficaria.


Ela virou-se para observá-lo. Era grande e quente, como o resto da casa. A direita da porta havia um grande guarda-roupas branco, com detalhes em marrom escuro. Na frente do guarda-roupas havia uma cama também branca, e com os mesmo detalhes do guarda-roupas. Na parede atrás da cama, tinha uma janela grande, por onde ela podia ver, de longe, toda a cidade. Não tinha percebido durante o caminho, que a casa ficava em um ponto tão alto e isolado. E agora, olhando de cima, a cidade parecia mais estonteante do que já era.


Mesmo estando tão longe, era possível ver a neve caindo sobre os telhados das casas do centro de Edimburgo e se misturando com o verde dos campos em volta das poucas casas que haviam perto dali. Estava anoitecendo, e mesmo com o tempo chuvoso, podia-se enxergar um pouco do alaranjado que saía, vez ou outra, por entre as nuvens. Era uma vista bonita e calma.


Ela sentou na cama e olhou para a janela embaçada. Pelo vidro podia ver seus cabelos negro descendo em ondas até a altura da cintura, contrastando com sua pele alva, que agora, parecia mais branca ainda. Estava tudo em um silêncio profundo, mas as luzes na cidade continuavam acesas. O ar parecia pesado do lado de fora, e a neve já havia parado de cair. Agora só se via uma fina garoa
que ajudava a derreter os poucos flocos que ainda restavam no chão.


E foi assim que ela passou a noite. Assistindo luzes se acendendo e se apagando, quando um carro passava, ou quando alguém em alguma casa acordava. A chuva havia engrossado e a janela, que antes estava embaçada, agora estava cheia de pequenas gotas espalhadas pelo vidro. Tudo o que ela conseguia ver dali, era a chuva caindo. 


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