Os Confins do Espaço

28 de Julho de 2011 Larinho Contos 1010

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante... perai, tenho que guardar o plágio e os clichês para mais tarde. Reiniciando: Há um tempo distante, na galáxia conhecida como “via láctea”, por se tratar do feixe de leite que caiu da boca do criador quando ele tentou chupar o restinho do leite que tinha ficado em seu prato de cereal... Certo tinha o que nessa galáxia mesmo? ... Lembrei:
Existia um planeta chamado terra, bem não vou explicar como a terra era por que isso iria cair no clichê “um pequeno ponto azul no espaço e blá, blá, blá”. Nesse planeta vivia um homem especial, ou não, o importante é que esse homem foi designado a ir onde nenhum homem jamais tinha ido, esse lugar não era a cozinha do Mc Donalds, nem a fábrica da Nike e sim os confins do espaço. Alguns se perguntam o porquê do homem ter ido ao espaço, bem, a resposta é simples, ou não.
Após anos de pesquisa os físicos de partículas se cansaram de ficar procurando o Bóson de Higgs, claro que hoje sabemos que o tal Bóson só tinha sido uma piada do Higgs mal-interpretada que foi levada a serio e perseguida durante mais de um século, porém na época essa parecia ser uma boa solução para o encaixe perfeito da matéria. Aconteceu que depois de se cansarem de procurar a partícula os físicos passaram ainda cinqüenta anos enrolando os patrocinadores para ganharem sua verba de pesquisa. Eles passariam mais tempo enrolando se a resposta não tivesse aparecido, o que os deixou putos. A solução veio da ciência Abraâmica, uma ciência quase mística, esculachada pelos outros cientistas e que só tinha ganhado notoriedade depois de um romance conspiratório, um seriado de TV e uma edição mundial do Big Brother terem ela como temática. Essa ciência pregava o poder do pensamento e desapego da matéria, ou seja, se nós pensássemos que a matéria acontecia porque queríamos e ignorássemos isso ela ficaria chateada e se mostraria como a conhecemos só para aparecer e provar para o ser humano que não dependia dele. Isso resolvia todos os problemas físicos da época, mas os físicos de partículas passaram mais cinqüenta anos enrol... ,quer dizer, avaliando a veracidade da teoria, após isso todos ficaram desempregados, mas já tinham um plano B, se converteram então em “Físicos sabedores-das-particulas-mas-ignorando-elas”. Logo as aplicações da ciência Abraâmica começaram a surgir, afinal se o seu pensamento é que provocava o chateamento e aparecimento da matéria você poderia simplesmente imaginá-la de outro modo, isso levou a grandes avanços, logo no começo criaram o homem perfeito, mas ele era chato demais, depois criaram a mulher perfeita, mas ela brigava demais, acabaram casando os dois e os enviando para uma ilha distante, depois de se certificarem de esterilizar-los. Então os cientistas ficaram sem ter o que fazer, mas para não perderem seu patrocínio e verba governamental eles resolveram mandar o homem pro espaço.
É aqui que entra o nosso grande homem, eu não lembro do nome dele mas era bem idiota, ele resolveu entrar no exercito com o intuito de desocupar o porão que sua mãe queria usar para guardar os brinquedos do Sr. Dengo, o cachorro. Acabou que no bingo da festa de ano novo ele ganhou o “prêmio” de ir aos confins do espaço
Logo construíram a nave, batizada “a coisa mais cara já feita pelo homem depois de sapatos da Prada”. Ela funcionava por um incrível motor baseado a intenção, ou seja, quanto mais o ocupante desejasse dobrar o espaço para chegar mais rápido, mais rápido ele chegaria, mas tinha certo limite pois a matéria era sedentária e não se dobrava muito. Depois de alguns meses de construção e treinamento o lançamento aconteceu, logo o homem estava no espaço.
No começo ele fez como lhe mandaram, “pense em ir para tal quadrante, encontre a vida fora da terra!”, mas depois de um mês se cansou, afinal quem estava lhe observando naquele espaço profundo, ele podia simplesmente passar o resto do tempo programado para a viagem jogando videogame na nave e no final era só entregar um relatório, bem que poderia ter sido assim se a inércia não tivesse ajudado, depois de duas semanas jogando videogame a nave foi capturada pela gravidade de uma estrela, até ai tudo bem, ele concentrou suas intenções e conseguiu sair do campo gravitacional, mas não previu um planeta gigante em linha reta do outro lado da estrela, os computadores ficaram loucos e começaram a apitar apontando para uma lua desse planeta:
“Vida detectada! Vida detectada!”
Ele não era tão cara-de-pau assim, não tinha procurado, mas já que encontrou a vida resolveu descer. O planeta era uma floresta, cheia de pequenos animais, um saco. Mas então após procurar durante meia hora o viajante encontrou algo que o interessou, uma tribo, seres inteligentes, ele se aproximou cautelosamente do lugar e logo observou os alienígenas: eram seres humanóides azuis de três metros de altura e sete dedos, ele no começo se assustou, mas não pode correr pois ao se virar já tinham lanças apontadas para ele, então ele seguiu calmamente, ou tão calmo quanto se podia. Foi levado ao chefe, um azulão velho e enrugado, ele apontou para ele e falou, um som ininteligível, ele então devolveu com um som babado igual “vai que ele tá xingando minha mãe” pensou ele, seja lá o que significou aquilo, o chefe gostou, apontou para uma fêmea do lado dele e após mais um som estranho, ela o carregava para uma construção, ele poderia estar morto agora mais ganhou o direito de provar sua bravura, ele não sabia disso porquanto que foi de bom grado por causa da comida que cheirava bem. Não soube quanto tempo ficou ali até que a fêmea se interessou por ele, ela até que não fazia seu tipo, era um pouco grande e azul demais, mas fazia meses que não pegava ninguém, então se deixou levar pela azulzinha, depois da primeira noite, uma reviravolta aconteceu, ele foi libertado e passou a integrar a sociedade todos o cumprimentando com um hi-seven, mas a alegria durou pouco...
Depois da primeira semana livre as coisas com a azulzinha mudaram, ela começou a ficar mais voraz, mas sedenta e então o desastre aconteceu, numa noite depois de mais de três horas ela usou a técnica que selaria a relação deles, o chamado “fio terra” o homem uivou de dor e parou tudo na mesma hora, afinal era uma alienígena de três metros, ele relevou, e alertou verbalmente ela, mas dois dias depois a mesma coisa, mais três dias e situação tinha ficado insustentável. Resolveu fugir, na calada da noite saiu dos braços da azulzinha e se dirigiu a sua nave, o tratamento tinha sido bom pensou ele, mas aquela tortura tinha sido demais.

Ele fugiu e pelo retrovisor da nave (o retrovisor dava um ar “old” a construção, disseram os designers ) conseguiu ver a azulzinha se despedindo, lhe apontando o causador de sua fuga em sinal universal. Ele tinha se afeiçoado de certa maneira aquela fêmea, mas sua condição física lhe lembrava o tempo todo do porquê dele ter fugido, logo ele voltou a sua rotina de videogame, mas o destino não o deixaria com apenas uma experiência.
Depois de mais um mês ele foi guiado novamente a outro planeta, alarme soou
“Vida detectada! Vida detectada!”
Mas dessa vez ele não quis parar, o alarme para ele só soava “Fio-terra detectado! Fio-terra detectado!” então ele só ignorou, mas dessa vez a vida era mais complexa do que ele imaginava e de repente outros alarmes começaram a aborrecê-lo, ele não suportou e olhou. O alarme a piscar era o de objeto em sua direção, ele olhou pelo retrovisor e percebeu o que era, duas naves esguias e prateadas o circundavam, do nada o comunicador abriu sua freqüência, “blatfug japsj kajhil? “ indagaram os aliens, o viajante respondeu de modo inteligente dessa vez fazendo apenas um “hi” afirmativo, isso pareceu satisfazê-los e eles apenas soltaram um raio que o tirou do caminho guiando-o até seu planeta.
No começo ele pensou que tinha voltado para casa, os aliens eram idênticos aos seres humanos, a população só diferia por algo que o viajante não soube identificar de imediato. Mais uma vez ele foi levado ao líder, que morava num suntuoso palácio hi-tech, e se surpreendeu quando ouviu “O que traz você aqui?” ele não respondeu de imediato só soube dizer “como você sabe falar minha língua?” no que o líder replicou “traduzimos sua língua a partir da mensagem afirmativa que nos enviou é obvio! Perguntamos se você poderia nos dar uma palavra de seu idioma e você nos atendeu” então o líder fez uma cara de desaprovação e disse friamente” você não pode sujar nosso mundo com sua imperfeição, levem-no para o processo de aperfeiçoamento, nosso mundo é perfeito e assim será!”. Os guardas levaram o herói, depois disso ele passou pelo mais intenso treinamento que já tinha vivido, tinha doze horas de aula por dia, claro que depois da segunda hora de aula ele já tinha entregado os pontos e fazia ouvido de mercador, passava outras quatro horas tendo aulas de etiqueta com a princesa, às vezes saia com ela para andar pelas ruas e ver o povo. Não soube quando aconteceu, mas um dia de repente a princesa se insinuou para ele (porque ele atraia princesas alienígenas é um mistério até hoje) foi nesse momento que ele percebeu o que tinha de errado no planeta, por sorte a aula com a princesa terminou naquele exato momento e os guardas apareceram e o levaram de volta para o seu quarto.
No outro dia foi chamado perante o rei que logo o indagou “E agora, depois desse treinamento você se sente perfeito? Talvez agora você possa se unir ao nosso povo perfeito, compartilhar desse planeta perfeito, trabalhar perfeitamente... (parte encurtada)” O viajante poderia se preguiçoso,leviano e até mesmo traumatizado, mas ninguém poderia reclamar que ele não era sincero, pois prontamente ao termino do discurso do rei ele respondeu “Não”, todos na sala do trono se espantaram, alguns dizendo “ Não?!”, o rei perguntou “como assim não?” no que o viajante novamente respondeu “ não, ponto”. “ Como você não pode ser perfeito? Os que não são perfeitos nesse planeta são mortos!” o viajante então olhou fundo nos olhos do rei e disse “ perai, vocês acham realmente que são perfeitos?” “Claro!” respondeu o rei e então o viajante disse aquilo que vinha lhe incomodando naquele planeta “Sinto lhe dizer rei mas o senhor é careca” os olhos do rei se arregalaram, talvez ele nunca tivesse pensado nisso, estava aturdido, mas aquilo não era toda a verdade então o viajante continuou “ sua filha é um poço de gordura e o povo daqui é muito feio” as palavras finais fizeram um dos guardas desmaiar, a princesa chorava aos prantos mas o rei apenas alisava sua reluzente careca, o homem então se deu conta do que iria acontecer, uma hora aquela tristeza iria se voltar em raiva, então aproveitou o rebuliço para fugir, todos sabem que os boatos se espalham numa velocidade mais rápida do que a da luz de modo que as distancias hoje em dia são medidas em anos-boato, então por onde o homem corria ele só via as pessoas caírem aos prantos, chorando inconsoladas, parecendo pequenos monstrinhos gosmentos de baba, depois de algum tempo ele chegou a sua nave e usou toda a sua intenção para sair dali.
A partir dali ele não ficou mais muito tempo em um planeta, tinha muitos jogos de videogame para zerar antes de voltar a terra. Parou brevemente num planeta habitado (“Vida detectada!Vida detectada!”) para reabastecer a cozinha, pois tinha perdido toda a comida e ganho vinte quilos. nesse planeta e não ficou muito tempo pois na primeira conversa com um nativo ( um ser meio reptiliano que constantemente afirmava com a cabeça, como uma largatixa) teve um desentendimento. Enquanto procurava alimento encontrou o nativo e perguntou com gestos “de que lado fica seu sol?”. Precisava saber disso para não cair na pegadinha do campo gravitacional outra vez, então o nativo respondeu gentilmente “Do lado de fora”, perguntou então “como consigo comida?”, no que o nativo gentilmente respondeu “caçando, pescando ou pegando das árvores” por fim perguntou “você tem jogos de videogame?” e o nativo respondeu “Tenho” e saiu andando, isso deixou o viajante realmente puto, de modo que ele foi embora logo. A partir daí resolveu não parar mais.
O viajante resolveu estacionar sua nave a 0,25 ano-boato da terra ( ou seja: longe) e esperar o tempo previsto para sua missão , depois de zerar os jogos que faltavam, terminar a comida e perder dez quilos o viajante voltou. Foi recebido como herói, ovacionado por bilhões de pessoas, escreveu um Best-seller narrando suas histórias, até hoje milhares de viajantes procuram os planetas descritos no livro, mas só encontraram três dos trezentos e quarenta. Após reencontrarem o planeta dos azuis esses foram integrados a vida humana se tornando jogadores de basquete, vôlei, oferecedores de experiências sexuais exóticas e por fim criaram um grupo midiático que não fazia nada mas aparecia em todos os comerciais, deram a esse grupo o nome de “Blue man group”. Ao reencontrarem o planeta dos perfeitos só viram depressão de modo que era difícil identificar como sendo o mesmo que o viajante tinha salvado da arrogância (como narrado em seus escritos), o planeta tinha sido rebatizado de “Depressão profunda”, na tentativa de salvar o planeta translocaram para lá o casal perfeito que tinha criado a muito tempo, devolvendo a eles sua fertilidade, o planeta prosperou depois disso. Ao reencontrarem o planeta dos largatixianos saíram logo de lá.

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