O natal é considerado por muitos festividades de fraternidade, perdão e amor. Ao crescer Pedro foi notando que a cada ano as festas natalinas de sua família foram ficando menos importantes, até que chegou um dia que todos tinham esquecido que era natal.

Menos pedro!

Ao completar seu décimo quinto aniversário começou a comemorar o natal individualmente. No ano anterior, sua família que era resumida em seu pai e sua mãe, tiveram que trabalhar e lá ficou pedro sozinho, com uma quentinha do dia anterior, invejando as melhores festas que já tivera e não haviam duvidas que aquele fora seu dia mais triste. Ele nunca foi de ter amigos, nem na escola, nem na rua, nem se quer pela internet. Ficava lá trancado em seu quarto apenas escutando música e estudando.

 Nunca tentara se enturmar, e nem ao menos tinha redes sociais, apenas estudava e quando chegava em casa abria um livro, e estudava até cair no sono.

Voltemos ao natal deste ano.

Os pais de pedro logo na manhã da véspera de natal, foram trabalhar e deixaram um bilhete que dizia que só voltariam no dia 27. Já tinha virado rotina todos os dias ficar só até que eles voltassem de viajem do trabalho.

Ao acordar e ver o bilhete Pedro se dispôs a arranjar uma arvore, mas foi mais difícil do que esperava, todas as lojas tinham vendido suas arvores, e em mais lugar nenhum se encontrava uma arvorezinha se quer.

Primeiro desistiu de montar sua arvore, e começou a pensar no que faria para comer.

Isso foi fácil de pensar, mas em prática Pedro era ruim na cozinha, e logo foi correndo ao mercado ver se encontrava algo que fosse simples de preparar.

Seu dinheiro aquele dia deu para alguns hambúrgueres, pães, um refrigerante e também uma barra de chocolate, que mais tarde embrulharia e usaria como presente.

Ainda estava cedo e ele tinha muito tempo vago, estava de férias da escola, e não tinha amigos, apenas vídeo-games, um computador, um violão e uma guitarra, que gostava de tocar nos tempos livres, que sendo eles raros antes das férias.

Mas aproveitou sua tarde, tocou algumas de suas canções prediletas no violão, assistiu um filme sobre zumbis que puxou sua atenção por mais tempo que ele esperava, pois quando olhou no relógio já eram quase seis horas.

Sentiu um pequeno frio na barriga ao lembrar que logo mais seria natal, e lá estaria ele comemorando, mesmo quem sozinho.

Seu estomago estava chiando, mas ele sequer beliscou a ceia natalina que preparava com seus sanduíches turbinados.  Logo que tudo havia ficado no ponto, ele arrumou a mesa, e colocou um prato com seus sanduíches no meio da mesa, perto da garrafa de refrigerante e se lembrou que faltava algo ainda.

Lá foi ele procurar um papel de presente para embrulhar sua barra de chocolate, encontrou um vermelho laminado e logo achou a cara do natal e foi logo embrulhando. Ao terminar de embrulhar ele pensou que poderia escrever uma mensagem de natal e colocar dentro. Lá foi ele desembrulhar e fazer o bilhete, e logo depois que terminou tudo foi até a mesa e colocou em um canto.

A ansiedade aumentava cada vez que ele olhava as horas no computador, ele era apaixonado por aquelas trocas de presentes e comidas gostosas, mas ele não sentia falta dessa parte material e sim do espirito natalino de amor que aprendera a presar depois que se tornou raro.

Já eram quase onze horas e o telefone tocou, como disse ele não era de ter muitos amigos e logo pensou que poderia ser seus pais. Ele atendeu o telefone e lá estava ele curioso pela voz desconhecida até então que disse que queria falar com ele.

Logo que o homem se apresentou como Claudio, ele ficou um pouco mais desconfiado pois não tinha conexão nenhuma com Claudio algum.

O desconhecido logo foi dizendo que era sindico do prédio onde ele morava, e que seus pais tinham deixado um presente para ele, e que quando desse meia noite ele fosse até o saguão buscar.

Ainda desconfiado, disse que iria buscar o tal presente, e logo foi ele se sentar no computador a esperar os minutos passarem, e agora com a duvida do que poderia ser esse presente, parecia uma eternidade.

Onze e cinquenta e nove, e lá foi ele já descer as escadas para buscar seu presente para logo depois se sentar a mesa orar e ceiar.

Ao descer até o térreo ele notara que as portas que davam ao saguão estavam trancadas, e logo pensou que poderia ter sido uma brincadeira dos outros garotos que eram seus vizinhos, mas nem se quer bom dia davam a Pedro.

Subiu novamente para sua casa, mas ao tentar abrir a porta, estava trancada também. E logo decidiu esperar que alguém subisse e o tirasse daquelas infinidades de escadarias.

Ele foi ficando triste e mais triste a cada segundo que pensava que estava perdendo seu natal por conta de uma brincadeira boba, mas notara que esquecera a porta de casa aberta e a luz que vinha de lá emanava por baixo da porta das escadarias.

E logo começou a chorar e ficou ali, quieto, rogando pragas e xingando todos os tipos de nomes possíveis. Não queria que tivesse se extinguido as festas de natal com seus pais, que antes eram cheias de alegria e agora era somente trabalho para eles e solidão para Pedro.

Ali deitado olhando para a fresta de casa ele ficou observando o chão de sua casa, sem reação alguma, somente triste, mas logo viu um vulto passar para dentro de seu apartamento. E logo seu coração se encheu de medo e angustia. Quem poderia estar ali dentro ? Seriam os garotos que pregaram a peça e agora iriam estragar todo seus preparos para o natal. Seria o tal Claudio que o ligou ?

 Eram tantas perguntas que logo começou a ignora-las e somente sentia seu coração bater contra o chão gelado.

Escutou uns barulhos, mas a porta da frente só tinha vista de um comodo e não dava para se ver a sala de onde os barulhos estavam vindo.

Pedro se desesperou ali com a face contra o piso, eles devem estar comendo minha comida, e abrindo meu chocolate, estão estragando meu natal. Ele só não entendia o porque.

Mais uns minutos se sucederam depois dos barulhos até que ele viu alguém saindo de lá. Ficou pensando no estrago, no que mais poderia ter sido levado, e como contaria para os pais.

Alguns minutos refletindo sobre como explicar, um senhor aparece ao topo da escada, dizendo que seu nome era Claudio, e que sem querer tinha trancado as portas das escadas pois outros moradores haviam dito ter um estranho naquela noite no prédio. O coração de Pedro bateu mais forte com a noticia, e logo se levantou e rapidamente pegou as chaves de Claudio e abriu a porta, logo foi entrando e já fechando a porta a cara de Claudio não querendo deixar ele saber que sua casa tinha sido invadida.

A primeiro momento ele não acreditou no que viu, apenas se sentou e chorou mais. Sua casa estava toda decorada, com uma arvore, com luzes lindas e azuis e no topo uma estrela que brilhava igual a um diamante, os olhos de Pedro se perderam naquela linda arvore, que embaixo tinha três presentes, mas apenas um com seu nome.

Os outros dois nomes eram os deu seu pai e sua mãe, e logo decidiu não abrir o dele sem que eles estivessem no momento. Logo seu estomago chiou e ele correu para a mesa e se encontrou com os mesmos sanduíches, mas um estava comido, e tinham bebido o refrigerante. Ele não conseguia pensar quem poderia ter feito aquilo, montado uma arvore tão bela e ido embora depois de comer um hambúrguer. Mas resolveu que pensar de barriga cheia era a melhor opção.

Se sentou e comeu seus sanduíches turbinados, bebeu um pouco do refrigerante e logo a campainha soou.

Era Claudio a porta, com o presente que os pais de Pedro tinham deixado para ele. Ao ver Claudio logo foi se desculpando mas não o deixou entrar. Apenas pegou o presente entrou para dentro se sentou na mesa e foi lá abrir o presente. Dentro tinha um celular de ultima geração, Pedro não se sentiu tão feliz, era como se eles quisessem comprar a felicidade dele. Mas se sentiu confortável ao pensar que eles ao menos lembraram do natal.

Depois de tudo isso, lá foi a curiosidade de abrir o presente misterioso embaixo da arvore, o embrulho era de uma cor purpura tão forte que nem se comparava com o embrulho de sua barra de chocolate, ao abrir, não tinha nada. Só um bilhete.

Escrito, A felicidade esta a um passo de um desejo.

Logo pedro não entendeu, e não abriu o de seus pais, e foi se deitar, farto daquele acontecimento nada comum ainda mais no natal.

No começo lutava contra o sono tentando entender como tudo aquilo tinha acontecido. Mas logo caiu no sono.

Segundos depois estava sonhando que se sentava com seus pais em uma mesa, onde comiam e riam a noite toda, e trocavam presentes.

Um barulho chamou sua atenção e Pedro acordou, eram barulhos de chaves, e bem comuns, eram seus pais.

Ao entrarem, deram de cara com a arvore, linda e piscante no canto escuro da sala. Logo Pedro foi ao encontro de seus pais, que realmente o surpreendera pois dessa vez tinham dito que demorariam. Disseram que tinham fechado negocio antes do prazo e voltara mais cedo. E logo Pedro foi tentar explicar a arvore.

Eles não entenderam nada do que ele disse, somente fingiam entender e deixavam de escutar para observar a linda arvore. Logo Pedro citou os presentes e entregou a cada um.

Eles abriram os presentes, e lá começou uma choradeira.  Sua mãe abrirá o presente e encontrará uma boneca que tinha ganhando em seu primeiro natal, mas que havia sido roubada na escola por outras garotas. E seu pai se surpreendeu mais ainda quando um velho relógio de bolso , que lhe foi dado no natal em sua infância e penhorado na adolescência para pagar uma divida de seu pai, o mesmo que lhe dera o relógio.

Pedro não entendia direito o porque daqueles objetos terem afetado tanto seus pais, mas ele sabia que alguém teria feito propositalmente.

Queria saber quem tinha sido o estranho que teria feito tudo isso por ele e sua família.

Seu pai todo feliz com o relógio, foi mostrar a Pedro, que não deixou de notar, que o relógio marcava um minuto para a meia noite do natal.

Não entendeu nada, e por anos ficou pensando naquilo, e seus pais nunca perguntaram da onde tinha vindo aquela arvore, apenas todos os anos depois daquele, montavam ela, e se sentavam e celebravam seu natal comendo, felizes, rindo como era e sempre deveria ter sido e sempre terminavam a noite vislumbrando aquela arvore que parecia sempre estar do mesmo jeito. Resplandecente.