CAPITULO DOIS.

Eram 07h35mim quando
Anna acordou. John não estava mais na cama. Ela levantou e foi até o berço
checar a filha. Rosie ainda dormia. Anna arrumou a cama e foi até o banheiro.
Escovou os dentes e tomou um rápido banho. Voltou para o quarto e se vestiu.
Desceu até  piso inferior e John estava
na cozinha, em frente ao fogão.



  - Bom dia. – Anna falou bocejando e
limpando o olho direito.



  - Bom dia. – Ele falou largando a
colher em um prato sobre a pia. – Caminhou até ela, abraçou-a na cintura e
beijou-a. – E ai? Gostou de ontem?



  - Por que você sempre pergunta? –
Ela riu.



  - Porque eu quero saber ora. Eu
quero melhorar. – Ele brincou.



  - Claro. – Ele foi até a lavanderia.



  - Você não me respondeu sabia.



  - Foi ótimo John. – Ela gritou
enquanto tirava a roupa da máquina.



  - Você sempre responde a mesma
coisa. – Ele riu.



  - É porque é ótimo mesmo. – Ela
caminhou até ele e o beijou novamente. – Já volto, vou estender essas roupas. –
Ela abriu a porta da cozinha que dava nos fundos da casa e as estendeu no
varal. Quando terminou voltou para dentro da casa. – O que você ta cozinhando?
– Perguntou.



  - Ovos mexidos, bacon e panqueca. –
Respondeu.



  - Nossa, eu nunca adivinharia. – Ela
falou rindo.



  - Ei eu não tenho culpa de só saber
fazer isso. – Ele respondeu.



  - Talvez não, mas as panquecas
queimadas são sua culpa. – Ela disse apontando para a frigideira no fogão.



  - Ai, mas que merda! – Ele gritou.



  Anna riu.



  - Ta, agora é sério: o café da manhã
é oficialmente seu. – Ele caçoou.



  - Já estava na hora. – Ela
respondeu.



  - Merda, ta na minha hora. – John
informou. – Te vejo de noite.



  - Ta bem.



  John pegou a pasta, as chaves do
carro, o casaco atrás da porta e seguiu para o carro. Anna serviu que sobrou do
café em um prato e comeu. John era um péssimo cozinheiro, mas se esforçava.
Limpou a bagunça e leu o jornal que ele deixou na mesa. Alguém bateu na porta,
Anna foi atender, era Sarah novamente.



  - Oi, vim incomodar de novo. – Ela
falou.



  - Ah, oi. Você não incomoda. Entra.
– Anna respondeu.



  Sarah entrou e sentou-se no sofá.



  - Se importa se eu for olhar a Ros?
– Perguntou.



  - Não, tudo bem eu espero. – Sarah
consentiu.



  Anna subiu e em alguns minutos
desceu com a filha nos braços.



  - Desculpa. Ela esta com fome. Se
importa? – Perguntou.



  - Você sabe que não. – Sarah riu. –
Nada melhor que dois belos peitos durante a manhã. – Gracejou.



  - HÁ-HÁ-HÁ. Muito engraçado. – Anna
respondeu.



  - E esse é um pulo direto no
inferno. – Sarah sorriu.



  - Sarah, você já pensou em ter
filho? – Anna indagou.



  - Pra falar a verdade, já. Mas ai eu
vi que era uma loucura total minha e voltei à realidade. – Contestou.



  - Sabe. Eu pensava assim, mas ai.
Bem aconteceu... – Anna riu. – E agora eu estou feliz, eu amo minha filha e
bem... O John.



  - Você ama mesmo aquele imbecil,
Anna?



  - Sim. Quer dizer, às vezes eu tenho
vontade de matar ele, mas às vezes, sei lá.



  - Como foi ontem? – Sarah perguntou.



  - Resumindo: nós brigamos por causa
do novo vizinho. Ele saiu de casa, voltou, pediu desculpas e por fim nós
transamos. – Anna respondeu.



  - É sério? Ou ele é muito bom ou
você é muito burra. – Sarah zombou.



  - Ta eu admito, talvez seja um pouco
dos dois. – Anna riu.



  - Ah, falando no vizinho novo... Eu
descobri o nome dele. – Sarah falou.



  - Eu não acredito. Você foi até lá
só pra perguntar o nome dele? – Anna perguntou indignada.



  - É claro que não. Foi a vadia
Victoria.



  - Você é tão educada. – Anna
brincou.



  - É ta, ta eu sei. Enfim. A Victoria
foi ontem a casa dele com o pretexto de “pegar uma xícara de açúcar”. Da pra
acreditar? Isso é tão clichê. – Sarah declarou. – Depois ainda me ligou pra
falar “nossa ele é muito lindo” e pra se vangloriar por conseguir descobrir o
nome dele.



  - Você tem problemas. – Anna
desmereceu a situação. – Mas e então, qual o nome dele?



  - George. – Sarah informou.



  - George o que?



  - Como eu vou saber Anna? Você não
quer que eu vá lá e pergunte? – Sarah falou.



  - Nós duas sabemos que se eu
dissesse “sim” você iria. – Anna riu.



  - Você tem razão. – Sarah falou. – Certo.
Eu vou indo. O James vai trabalhar até tarde e eu vou sair e aproveitar.



  - Você soa como uma puta falando
desse jeito.



  - Anna minha amiga. Sejamos
sinceras, eu sou. – Sarah zombou.



  - Você não presta mesmo! – Anna riu.



  Sarah abriu a porta e despediu-se da
amiga. Anna fechou-a e subiu para largar a filha, que voltara a dormir, no
berço. Ligou a baba eletrônica e então desceu as escadas. Escolheu um entre os
tantos outros livros na estante da sala. Saiu da casa, sentou no banco de
madeira ao lado do carvalho em frente à residência e ali passou a manhã.



  Já era quase meio dia quando foi
interrompida.



  - Oi.



  - Ah, oi. – Anna fechou o livro e
largou-o no banco.



  - Você tem um martelo pra me
emprestar? Eu me mudei ontem para a casa da frente. Preciso pra pendurar um
quadro.



  - Claro, eu tenho sim, meu marido
trabalha em uma construtora. Ele deve ter nas ferramentas. – Anna respondeu. –
Eu vou lá dentro buscar.



  - Ta bem eu espero.



  Anna entrou e foi até a lavanderia
procurar pelo martelo. Tirou a grande caixa cheia de ferramentas para
construção e procurou pelo martelo. Demorou até que o encontrasse. Assim que o
achou, levou-o até o vizinho, que ainda esperava, mas agora perto da porta.



  - Aqui. – Anna entregou-lhe o
martelo.



  - Obrigada, eu já devolvo. – Deu as
costas para Anna e entrou em sua casa.



  A baba eletrônica começara a tocar.
Rosie estava chorando. Anna correu até o segundo piso e desligou o aparelho.
Pegou a filha no colo e tentou acalmá-la, não adiantou. Desceu para a cozinha e
pegou o termômetro na gaveta do armário. Mediu a temperatura da menina, que estava
normal. Então, deu-lhe de mamar, só então parou. Alguém bateu na porta, Anna
com a filha ainda nos braços caminhou para atender.



  - Oi.



  Era o vizinho novamente.



  - Oi.



  - Aqui, já terminei de usar. – Ele
entregou o martelo à Anna. – Obrigada, mais uma vez.



  - Não foi nada, se precisar de novo
é só pedir. – Anna falou pegando o martelo de sua mão.



  - Ah prazer, George. – Ele estendeu
a mão para cumprimentá-la, mas logo a recolheu, pois percebera que ela estava
com as mãos ocupadas.



  - Prazer Anna. – Ela se apresentou
enquanto tentava acalmar a filha. – É, eu acho que ela não esta muito bem,
desculpe.



  - Não, não. Tudo bem, ela é só uma
criança. Como é o nome? – George perguntou.



  - Rosie, mas eu a chamo de Ros. –
Anna respondeu.



  - Ela é muito bonita, parabéns. –
Ele sorriu.



  - Obrigada. – Ela agradeceu.



  - Bem você parece estar com
problemas, eu vou indo. Foi um prazer Anna, e de novo, obrigada pelo martelo. –
Ele falou já caminhando para a sua casa.



  - De nada, e foi um prazer também. –
Ela despediu-se enquanto fechava a porta.



  Mais uma vez Anna tentou acalmar a
filha, que desta vez, só parou de chorar quando caiu no sono. Já era quase seis
da tarde. Anna deixou a filha no sofá dormindo, enquanto foi providenciar a
janta. Já estava começando a prepará-la quando se lembrou no livro que deixara
na rua. Largou então o pano que tinha na mão na guarda de uma cadeira e saiu
para buscá-lo. Aproximou-se do banco e constatou que o livro não estava mais
lá, procurou então por pelo pátio, mas não o encontrou. Voltou então para casa.
Rosie continuava dormindo. Anna voltou para a cozinha e começou a preparar a
janta.



  Às 21h John chegou. Mais uma vez
repetiu ritual: pendurou o casaco, largou a pasta no sofá, deixou as chaves no
armário da cozinha, pegou o jornal e sentou-se à mesa.



  - Por que a Rosie ta no sofá? –
Perguntou antes que começasse a ler.



  - Ela chorou muito, e só parou
quando dormiu. Deixei ali porque estava na cozinha e queria ficar por perto. –
Anna respondeu.



  - Ela esta bem? – John pareceu
preocupado.



  - Sim, eu medi a temperatura dela,
mas estava normal. Acho que é só manha. Você sabe como ela é.



  - E então como foi o dia? –
Perguntou.



  - Foi bom. O vizinho veio pedir o
martelo emprestado, disse que o nome dele era George. – Ela contou.



  - George?



  - É ele não disse o sobrenome, só
disse “George”.



  - Você emprestou o martelo?



  - Emprestei, por quê?



  - Por nada. Ele devolveu?



  - Devolveu. O que é isso John um
interrogatório? – Anna perguntou.



  - Eu só queria saber. E mais alguém
veio aqui? – Ele continuou.



  - Bem, a Sarah, mas ela ficou só uns
minutos.



  - Anna eu já disse que não quero
essa mulher dentro da nossa casa! – John irritou-se.



  - John ela só veio pedir açúcar. –
Anna falou.



  - Não importa. Eu não quero essa
vagabunda dentro da minha casa.



  - Ela é minha amiga! – Anna gritou.



  - Mais que merda Anna. Eu não quero
que ela volte aqui. – Ele retrucou.



  - Por que você sempre tem que
arranjar uma briga John? – Ela começou a chorar.



   - Foi você quem começou Anna. – Ele levantou,
pegou as chaves do carro e saiu pela porta.