Juliana tinha
tido um péssimo dia, e na volta para casa pensava enraivecida nos detestáveis
clientes que tinha que atender todos os dias na perfumaria do shopping, na
verdade se sentia infeliz e não sabia exatamente o porquê, então deduzia que
era por conta de seu trabalho mal remunerado, mas no fundo desconfiava que a
verdade fosse outra.



  Entrou apressada
no prédio simples onde morava e ao entrar no elevador logo se encostou, fechou
os olhos e suspirou, pensou em casa, não o seu atual e minúsculo apartamento,
mas sua casa, seu lar, a casa de seus pais no interior, quanta saudade sentia, parou
para pensar no porque de estar lembrando-se de casa agora, foi quando se deu
conta de um suave perfume que pairava no ar parado do elevador, seu nariz
saturado dos perfumes não reconheceu logo, enquanto isso uma enxurrada de
lembranças a invadia, o cheiro verde e suave dos campos em flor de sua cidade
natal, o gosto do café forte de sua mãe, o abraço apertado de seu pai, a
vontade de ganhar a vida na cidade grande, o olhar triste de seu namorado
quando lhe dissera que iria embora daquele fim de mundo e um ultimo beijo,
sentido, de adeus.



  Um desespero
tomou conta dela, - porque deixei minha família?-  pensava enquanto o elevador subia lentamente,
-o que tinha ganhado com isso?-, sofrimento, solidão e desesperança. Um ano já se passara e nada de melhorar de vida,
sua vida estava cada dia pior. Grossas lágrimas escorriam pelo seu rosto,
enquanto as limpava lembrou-se de onde reconhecia o perfume do elevador, era a
fragrância amadeirada com um toque de limão que seu namorado, ou melhor,
ex-namorado usava.



  Uma saudade quase
incontrolável tomou conta dela, daria tudo para poder vê-lo de novo, abraça-lo,
sentir seu cheiro e estar junto dele. As portas do elevador se abriram e ela
saiu lentamente. Viu um homem, com jeito de cowboy, meio rústico encostado em
sua porta, seu coração quase parou de bater de tanta felicidade. Era ele.



-Juliana, vim te buscar! Volta comigo...



Seu olhar era doce, sua voz grossa e firme. Enxugando os
olhos Juliana diz:



-Porque demorou tanto?