Cinzas de Outono - Part. I

04 de Janeiro de 2014 Mandy Contos 926

Breve nota: Meu primeiro texto aqui pessoal, estou ansiosa. Ele é dividido em algumas partes, ainda não sei ao certo quantas. Mais atualizo quando tiver uma noção. Ele vem acompanhado com uma trilha sonora, que usei pra me inspirar. Porém, não tenho em mãos no momento o nome da melodia. Aguardem, isso também sera atualizado em breve. Espero que gostem :3

Junho, 09 de 2014

2:35h da madrugada, hospital estadual Santa Casa de São Paulo. Sirenes refletiam nos grandes vidros que levavam para um corredor longo e frio. Uma maca apressada atravessava o gélido chão de concreto, e profissionais de branco com rostos preocupados. Alguns diziam que não sairia nada vivo da li. Outros, que a morte era mesmo injusta. Ora, eu não sou. Eu só levo quem é realmente meu, e quem mereceu. Daquela garota? Sei pouco, mais sei os motivos que a deixaram ali. cara a cara comigo. Uma pulseirinha, dourada e brilhante me chamou atenção. Os humanos tem isso, até a morte pode esperar para um pouco de beleza. Sorri, diante de todo aquele espetáculo de suspiros sem fim.

Março, 12 de 2013

Amanda chega batendo portas e com passos pesados; Uma gota de lágima não se intimida em sair daqueles grandes olhos verdes, percorrendo seu rosto pálido e morrendo em sua boca vermelha ressecada. Afasta os finos cabelos loiros dos olhos, e tenta sorrir sobre sua desgraça.- Pro inferno aquele cretino - Gritou para si mesma no vazio da casa parcialmente mobilhada. - Ele quer que eu me sinta mal? Pois bem, que o diabo lhe carregue. - Gritou ainda mais, quebrando espelhos, pratos e tudo o que vinha a frente. Talvez nada explicasse o ataque de raiva, a não ser a bela visão de seu ex-noivo se exibindo com sua nova namorada, antiga amante, para que Amanda percebesse que há alguém melhor que ela. Sempre há. Sentou-se no canto da sala, abraçou os própios joelhos e pôs se a chorar. Bem, admito que aquilo me partiu o coração, sim, a morte tem um coração. Vestia uma saia jeans até os joelhos, uma blusa de lã vermelha maior que o corpo, e botas de couro até os joelhos. Seu cabelo estava desajeitado e sua maquiagem desfeita. Ultimo dia de emprego, ultimo dia de esperança. De um passo a mais para a salvação. Levantou-se vagarosamente até a mesa de centro e puxou da pequena gaveta um saco plastico. Voltou engatinhando para o seu canto escuro e gelado. Sorriu ao abrir o saquinho plastico, ainda cheirava a boas lembranças. Esquentou pacientemente um pozinho branco na colher, usando um isqueiro. Posicionou a agulha com todo cuidado e lá estava em suas veias, pulsando e correndo com corrente sanguínea. Se misturando com sua pele e chegando a cabeça tão rápido quanto vento de outono. Não existia mais Amanda, não existia mais problema, não existia mais o presente. O que contava era o instante. E naquele instante, ela olhou para mim e acenou. "Cuidado querida" pensei "A morte não costuma estar sempre de bom humor."

Continua... 

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