Melodias e Paixões

09 de Janeiro de 2014 G.landim Contos 878

Esteve sentada ali, por dias e dias durante o almoço . Sempre o mesmo restaurante, a mesma mesa ao lado da janela que dava vista para um grandioso jardim, com imponentes postes de luz que ao anoitecer davam um tom romântico, quase triste ao local. Todos os dias o mesmo ritual, saia as 13:00 almoçava uma ou duas colheres de comida, e ficara ali, apreciando a melancólica paisagem. Era seu restaurante favorito. Amava o toque aconchegante das cortinas em renda francesa talheres e louças bordadas.Zoe, era jovem de forte personalidade sempre querida por todos, bonita, apesar de não sentir-se assim a maioria dos dias. Irradiava feminilidade por onde passava, com seus vestidos e saias de tricoline em tons quase sempre pasteis. Habitualmente carregava consigo o considerado melhor amigo. Um (MPEG Áudio Layer-3) MP3 para os mas chegados dos anos 2000, que não trocará jamais por nada considerado mais tecnológico. Apaixonada por música, não era raro vê-la devaneando em qualquer lugar que estivesse, como se a música a tele transportasse para outra realidade, talvez a que ela quisera estar vivendo. 

Ocasionalmente mudará seu roteiro, invés de almoçar iria para jantar e aproveitar para ouvir o lindo sax do senhor, que tocava por lá a noite. Tornou-se fã de Jazz a partir dai. Certa vez estranhou a demora. Usualmente entrará após as 20:00, mas não aquele dia. Depois entenderá o porque havia uma certa tristeza no ar. Fradique o saxofonista era um senhor vindo da França, que passava suas noites de quarta tocando por ali, havia falecido, deixando um amplo vazio. 

Tempos depois, Zoe passará por lá para cumprimentar os amigos, e depararias com um rapaz alto,sujo, desarrumado sentado no chão. Parecia estar trabalhando na aparelhagem de som do palco. 

- Olá, teremos algum novo show por aqui hoje? Disse ao entrar. 

Ele olho-a e respondeu silabicamente. 

- Sim! abrindo um sorriso extravagante. 

Ela como de costume, começou a falar pelos cotovelos. 

- Deverá ser mais uma pobre apresentação, depois que Fradique faleceu, nunca mais encontraram ninguém que preze para tocar. Tenho pena de quem vier hoje, nunca chegará aos seus pés. 

- Dizem que que o cara quem vem é Pianista, formado pela Juilliard School de Nova Iorque tocou em vários concertos importantes por ai. 

- Ah, ótimo! mais um mauricinho esnobe, é tudo o que precisamos por aqui! Diz em tom sarcástico. 

- Perdoe-me sou Zoe, trabalho a alguns quarteirões daqui, sou cliente a anos do restaurante, e já vi passar por aqui tipos bem desnecessários 

- Entendo. Diz e sorri. 

- Bom tenho que ir, virei mas tarde então, rezando para que não seja mas um tipinho arrogante e que faça uma boa apresentação. 

- É o que todos esperamos! Responde dando espaço para que e eu passasse. Me despeço intrigada, pelo tom sarcástico da ultima resposta mas sigo para falar com os outros. 

A noite cai, o jardim no lado externo do restaurante está lindo luzes suaves, mesas estrategicamente iluminadas, e no palco um piano. O rapaz de hoje cedo deve ter tido muito trabalho. Coitado devera estar precisando muito do dinheiro para aceitar fazer todo o trabalho sozinho. Alias percebi que não sei seu nome. Eu e minha língua de trapo depois de tanto falar fui embora sem ao menos pergunta-lo. 

Ao passar das horas, após todas as mesas servidas. As luzes no centro do palco diminuem e no piano senta-se um homem vestindo camisa branca com mangas dobradas até o cotovelo, sobreposto um colete em preto perfeitamente ajustado ao corpo calça e gravata de mesmo tom. Era gracioso, barba por fazer, cabelos penteados para trás alto de pele morena e olhos que lembram-me  hortênsias, azuis, as minhas preferidas. 

não me recordo ter ouvido essa canção anteriormente era " Ballade pour adeline "  André Rieu. Também, nunca fui uma grande admiradora de música clássica. Tocava com tamanha graciosidade e delicadeza que me perdi em pensamentos.Depois de sua apresentação Olavo dono local e amigo a vários anos veio em minha direção na companhia do homem que acabara de tocar. Percebi que a poucos conversavam a sós e de tempos em tempos olhavam para mim sorrindo. 

Ao se aproximarem levantei-me desconcertada para cumprimenta-los Assim que vi de quem se tratava o susto. 

- Você! Ele me olha e sorri abrindo novamente aquele sorriso extravagantemente. Não podia acreditar no que meu olhos viam, era ele o homem sujo de hoje cedo, que agora me parecia esplendorosamente impecável! 

- Olá novamente Zoe! Prazer Augusto. 

Piano se tornou ali minha nova paixão.


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