Um dia inesquecível

29 de Janeiro de 2014 Priscila Pereira Contos 1702

     Estava atrasada para a abertura da Bienal Internacional do
Livro, o que não era um bom sinal, pois seria a minha estreia como
escritora, melhor dizendo: poetisa. Gostava do som dessa palavra -
poetisa - o feminino de poeta, uma palavra que para mim já soava no
feminino, aliás, poesia, para mim, é claramente uma mulher, uma deusa,
cheia de sentimento, sofrimento, paixão, coragem, paradigmas e
comparações.  Não entendo porque a maioria dos poetas são homens,
realmente incompreensível.     Volto do meu devaneio assustada e
continuo a me arrumar apressadamente, depois de experimentar vários
vestidos, pois queria parecer extremamente feminina nesse glorioso dia,
escolhi um estampado, cheio de flores pequenas e charmosas, e para
completar a imagem de poetisa que queria criar, coloquei uma echarpe em
tons outonais. Dou uma boa olhada no espelho e acho que o resultado
ficou perfeito. Faço uma maquiagem simples, mas elegante, escovo meu
longo cabelo castanho claro e deixo-o solto. Enfim estou pronta.   
 Enquanto dirijo até o local onde será a Bienal, minha mente voa em
disparada, penso em como foi difícil publicar um livro de poesias,
lembro-me das infindáveis horas postando meus poemas em qualquer site de
pretendentes a escritor que encontrava na internet. Bons e sofridos
tempos. Nesse período de minha vida fiz vários amigos, pessoas que
apreciaram meu trabalho e me encorajaram a continuar mesmo quando já
pensava em desistir. Um desses amigos havia sido e continuava sendo
muito especial, ainda nos falamos, por e-mail e telefone, não sei muitos
detalhes sobre a sua vida, mas penso conhece-lo bem, em nossa ultima
conversa prometeu que estaria lá hoje, confesso que estou um pouco
nervosa, se ele realmente aparecer, será nosso primeiro encontro.   
 Entrando na Bienal sinto um misto de orgulho, curiosidade e medo, será
que alguém vai querer meu autógrafo? E se ninguém se interessar pelo
meu livro? Respiro profundamente tentando me acalmar e procuro o lugar
onde ficarei com meus livros, acho rapidamente e vejo que está tudo em
ordem, uma cadeira, uma mesa, vários exemplares de Ilusão Poética de
Denise Santos, algumas garrafas de água mineral. Ótimo.     Aos
poucos as pessoas começam a entrar e procurar seus autores favoritos.
Espero timidamente sentada em minha cadeira, e observo que logo uma fila
se forma para conhecer o escritor americano Dan Brown. Afugento um
pequeno sentimento de ciúme de seu sucesso enquanto vejo a primeira
pessoa que aparece interessada em meu livro, uma senhora, muito bem
vestida e elegante, ela sorri, me parabeniza por meu trabalho e pede um
autógrafo. Extasiada, quase fico sem ação, mas logo consigo pegar um
livro, abri-lo e escrever: Para Ana Maria com todo carinho, Denise
Santos. Pronto, meu primeiro autógrafo fora dado. Mais calma vou
conversando animadamente com todos que vão chegando até minha mesa, logo
já me sinto confortável com a situação e o tempo passa sem que eu note. 
   Um pouco antes do fim do primeiro dia da Bienal vejo um homem vindo
sorridente em minha direção, ele para e espera que me despeça de meus
últimos visitantes. Parece conhecido, estatura mediana, magro, pouco
cabelo, olhos escuros e profundos.     - Mauro, você veio. –Disse
olhando para ele sem acreditar. - Quer dizer, você disse que viria, mas
eu realmente não estava levando muita fé.     - Eu não perderia esse
momento por nada nesse mundo. – Disse ele me entregando um buquê de
rosas valentine e me abraçando longamente.     Nosso abraço durou um
longo tempo e meu coração batia descompassado, um misto de sentimentos
me inundava, meu perfume delicado se misturava com sua fragrância
almiscarada. Não pensei que me sentiria assim quando enfim conhecesse
esse amigo de longa data, sua presença era marcante e estava mexendo com
meus sentimentos. Conversamos sobre muitas coisas, ele se mostrou muito
bem humorado e um perfeito cavalheiro. Convidou-me para um lanche,
lembrando-se de minha antipatia por jantares, o que aceitei prontamente,
e ainda convidei-o para um cinema, para assistir um filme que queria
ver fazia algum tempo. Saímos de mãos dadas, andando como quem anda
sobre as nuvens. Não sei no que essa amizade vai dar, mas uma coisa eu
sei, com certeza vou pagar para ver.


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