Obsessão (prt.5)

27 de Fevereiro de 2014 Bruna Gehring Contos 990

Kate pegou a mala que ele havia
deixado ao lado da porta e a colocou sobre a cama. Abriu o zíper e tirou uma
blusa listrada de seu interior. Tirou também uma calça e um par de chinelos de
lã. Largou-os sobre o tapete em frente ao leito e se sentou. Ficou ali. Parada
por um tempo. Então levantou e caminhou até a janela. As venezianas estavam
abertas e o vidro, extremamente sujo, agora começara a ser lavado pelas poucas
gotas de chuva que caíam. Olhou para a rua que passava pelos fundos da casa. Vazia.
Observou o quintal do vizinho. Havia uma casa de cachorro, onde bem à frente
viu um cão latindo para ela. Voltou então os olhos para o quintal de Scott.
Algumas peças de roupa pendiam do varal. Olhou então na direção do centro da
cidade, que não parecia tão distante dali. Viu a torre da igreja se erguer
sobre o topo das árvores.  Uma vista
deslumbrante.

- Kate! – Scott gritou da cozinha.

- Sim? – Ela gritou em resposta.



- Se você quiser tomar um banho fica
a vontade. Eu vou deixar uma toalha pra você na porta do banheiro

- Ah, esta bem então!

- Eu já estou subindo.

- Ok. – Ela respondeu.

Pegou a muda de roupa que havia
separado e foi até o banheiro. Abriu a porta, entrou e em seguida a trancou.
Largou as roupas sobre a pia e tirou a blusa.



- Pendurei a toalha na maçaneta. –
Scott falou do lado de fora.

- A-ah. Obrigada. – Kate disse um
pouco assustada.



Encostou a orelha esquerda na porta
e tentou ouvir os paços de Scott na escada. Após constatar que ele havia
descido, abriu a porta, pegou a toalha e rapidamente a trancou. Pendurou a
toalha no gancho da parede. Terminou de tirar a roupa e ligou o chuveiro. A
água estava fria. Ela esperou um tempo até que esquentasse, mas não adiantou.
Prendeu então os cabelos em um coque e iniciou o banho.



Assim que terminou, secou-se com
pressa e logo vestiu as roupas. Abriu a porta e foi até o quarto. Calçou os
chinelos de lã, com os pés ainda molhados. Percorreu o corredor e desceu as
escadas.



- Onde ponho a toalha? – Perguntou
chegando à cozinha.



- Pode por ali nesse cesto. – Scott
respondeu apontando para um enorme cesto de roupas sujas ao lado de uma porta
que dava para o quintal.



- Suas roupas estão molhando. – Ela
disse largando a toalha.

- Tudo bem. Não vou precisar delas.



- Você trabalha com o que? –
Questionou.



- Sou mecânico. – Ele respondeu.



- Ah. E você tem uma oficina?



- Sim. Fica no centro. Te levo lá
amanhã. Aproveito e dou uma olhada no seu carro. – Ele sorriu.



- Não. Não precisa ele é novo...
Bem, na verdade faz seis meses que eu comprei, mas é novo. – Kate brincou.



- Mesmo assim... Nunca faz mal uma
revisão! – Scott advertiu.



- Certo. Você é o mecânico!



- Senta. O almoço ta pronto. – Ele
disse puxando uma cadeira.



Ela sentou.



- Eu não sou um bom cozinheiro
então... Bem... Espero que goste. Qualquer coisa tem um restaurante aqui perto.
– Riu.



Largou na mesa um prato com macarrão
e uma panela com um pouco de molho.



- Bom apetite! – Zombou. – O que
você quer beber? – Perguntou.



- Pode ser água. – Ela respondeu.



- Você gosta de vinho?



- Sim.



- Então vamos tomar vinho. – Ele
disse tirando uma garrafa de vinho da geladeira.



Pegou duas taças em um armário e
serviu. Tomou alguns goles da sua e voltou a enchê-la. Sentou e serviu seu
prato. Comeram. Quando terminaram, Scott puxou papo.



- É... Você disse que tava indo pra
Chicago. Você mora lá?



- Não. Minha irmã mora lá, ela vai
se casar em uma semana. Então vou passar um tempo com a família.



- Ah. Como é o nome dela? – Ele
continuou.



- Grace.



- É um nome bonito. Vocês são filhas
únicas?



- Não, minha mãe teve três filhos
com meu pai. Eu, a Grace e o Adam. Depois eles se separaram e ela teve mais um
filho com o novo marido. Ele tem seis anos, se chama Ian.



- Por que seus pais se separaram? –
Scott pareceu interessado.



- Ah, você sabe. Essa história que
todo o casal inventa de “eu não te amo mais, mas quero que você seja feliz com
outro”. Bem foi isso que aconteceu, prometeram serem amigos e já faz três anos
que eles não se falam. – Ela bebeu um pouco do vinho.



- E o seu pai? Você tem noticias
dele?



- Sim, eu sempre mantive contato.
Sou a única que ainda da noticias.



- E?



- Ah, ele disse que esta com outra
agora e que esta feliz. Disse também que ela tem dois filhos, Christopher e
Thomas, acho que são esses os nomes.



- Ele mora em Atlanta? – Scott
continuou.



- Não, ele mora em Denver. Se mudou
ano passado. – Tomou novamente um gole de vinho.



- Mas e você? De onde é? – Scott
falou levando os pratos para a pia.



- Murphysboro. – Ela respondeu.



- É uma boa cidade. Eu estive lá uns
anos atrás. Sabe... Visitando amigos.



- Claro. Eu trabalho em uma livraria
no centro.



- Você é dona?



- Não, eu só trabalho. O salário é
péssimo, mas eu me sinto feliz lá. – Kate sorriu.



- Sei como é. Aqui em Nashville
quase ninguém tem carro, e ser mecânico não é uma profissão muito rentável. –
Scott brincou.



- Por que você tava no posto? Quero
dizer... Você tem uma oficina...



- Precisava de óleo. A caminhonete é
velha e ta dando problemas faz alguns dias. – Ele fala enquanto lava a louça. –
A falando nisso, preciso passar hoje mesmo na oficina, tenho um carro pra
entregar. Você pode vir comigo hoje mesmo.



- Ok. – Kate respondeu. – Quer que
eu seque a louça?



- Não, eu não gosto de secar. Sempre
ficam farelos do pano. – Riu.



- Eu também não seco. Mas é por
preguiça mesmo! – Ela o acompanhou.



Aprontaram a louça e Scott pegou as
chaves do carro.



- Posso ir no seu carro? – Kate
perguntou.



- Ah, é... Ta... Claro... – Ele
respondeu um pouco tenso.



- Tem certeza?



- Sim, pode sim. É só que... O carro
é velho! – Ele sorriu.



- Você parece cuidar bem dele.



- É eu cuido. Era do meu avô. Ele
era apaixonado por essa caminhonete. O farol dianteiro ta quebrado, tenho que
concertar uma hora dessas. – Scott coçou a cabeça. – Bem... Vamos?



- Ah claro! – Kate concordou.



Scott pegou a jaqueta atrás da porta
e esperou Kate sair. Ele trancou a porta enquanto ela vestia o capuz. Correram
até o carro, que custou para ligar. Andaram por pelo menos três minutos até
chegarem à oficina.


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