O Visitante

06 de Março de 2014 Priscila Pereira Contos 1146

    Apareceu na sala de estar na hora exata em que a garotinha de olhos
claros, sardenta e sorridente pensou em enfiar o dedinho na tomada
elétrica; com um olhar ele chama a atenção da criança, sorri para ela,
balança o dedo indicador em negativa. A mãe está entretida na cozinha,
um pressentimento a sobressalta, vai até a sala a tempo de ver o dedinho
de sua filha caçula indo em direção à tomada. Corre até ela a tempo de
impedir o acidente. A mãe apertando forte a filha nos braços agradece a
Deus pelo livramento. A garotinha olha o visitante e sorrindo balbucia
alguma palavra desconhecida, em um segundo ele não está mais lá.   
 Passeia pelas ruas calmamente e entra em uma casa com grades e pequenos
gramados com flores; chega a tempo de ver uma senhora muito idosa
deitada em sua cama chorando. Solteira e sem filhos, não tem com quem
contar, recentemente sofreu um acidente doméstico e está acamada, sem
chances de recuperação, ela deseja que sua já tão longa vida finde logo,
chora, sozinha. Ele que estava assistindo a cena chega perto dela,
senta-se ao lado de sua cama e coloca a mão em sua cabeça, fala
calmamente com ela, com carinho e cuidado, a senhora parece não ouvir,
mas o choro vai cessando, ela vai se acalmando e logo adormece, o
visitante vai-se embora.     Passa por uma rua muito pobre e ouve
através de uma janela aberta uma discussão, entra e presta atenção ao
jovem casal que briga. Os dois estão exaustos e colocam a culpa um no
outro, reclamam da vida, do tempo, da falta de dinheiro e de conforto. O
visitante entra em um quarto pequeno e escuro onde um bebe dorme
profundamente em um berço muito simples, olha para o bebe e com um leve
sopro o acorda, sorri para ele e pede com doçura e confiança que ele
chore. O casal ouvindo o choro do bebe, corre até o quarto, acalmam-no,
conversam com ele e em um minuto já esqueceram a briga e todos os
motivos de insatisfação, estão olhando para o fruto do amor que proveio
deles, sentem-se abençoados, se abraçam e juntos veem o bebe voltar a
dormir tranquilo.     Continuando sua ronda pelas ruas, vê um carro
que vem em sua direção, a motorista está visivelmente alterada, nervosa,
ainda não conseguiu sua carteira de habilitação e não tem pleno domínio
sobre o veículo, em um momento está ao lado dela, no banco do carona;
coloca a mão em seu ombro  e a tranquiliza, bem a tempo de evitar que o
carro desgovernado subisse no passeio em uma curva e atropelasse um
pedestre que caminhava de volta para casa após um longo dia de trabalho. 
   Entra em uma casa e vê uma família de joelhos orando pela segurança,
proteção, conforto e salvação de seus entes queridos, vizinhos, amigos e
conhecidos. O visitante sorri feliz, está fazendo muito bem o seu
trabalho e com um aceno de cabeça dá a certeza a toda a família que
estão sendo ouvidos e atendidos. Fica pouco tempo com eles, porque ainda
tem muito que fazer naquela noite.


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