Memórias de Nina - Egoísmo

05 de Abril de 2014 Folheto Nanquim Contos 879

 A trajetória de um humano, seja ele qual for, é feito de vitórias, o êxtase triunfante do êxito e da grandeza entre os demais, as qualidades de se tornar um vencedor e as oportunidades para que seja um, concorrem com nossas derrotas, pois, a vida de qualquer homem é composta também de fracassos e erros. A origem do insucesso parte de nós e acatarmos com naturalidade é sorver um pouco menos de culpa que o meio nos remete.

              Externar as possibilidades de termos a quantidade necessária para uma existência plena difere de ser para ser, os animais necessitam de comida e um ecossistema para viverem, os pensantes necessitam de mais, o dinheiro, a grandeza, e muitos o sadismo.  Se todos estivessem a espera do juízo, descartaria obviamente a generalização da raça, mesmo se não estivéssemos, desprezaria mesmo assim. A grandeza de espírito de alguns não equivale a ganância de milhões, são almas azuladas, de luz e singeleza, a tranquilidade que as estrelas remetem a nós, e que a própria soberba acha pouco demais.

             A excentricidade é o ponto crucial de encontrarmos o asco em alguém, as palavras e interações tornam-se imundas nos obrigando a ignorar tais facetas de outrem, todavia, há particularidades na terra que devemos seguir, os sentidos ébrios festivos, conjeturas familiares, datas. Os grupos involuntariamente se mutilam com verbetes deploráveis de maior sucesso, os participantes publicam no ar suas conquistas e desdenham as demais, os que permanecem calados, são encarados em zombaria, mas poupam-se do ridículo e da consternação invejosa do meio em certas vezes.

 Devemos estar abertos para o que as pessoas têm a nos dizer e as inovações que nos cativam a viver, diferenciar nossas coisas dos demais, poupar a cobiça, a chaga da perdição. Os seres no espaço estão em pleno convívio com suas dimensões, as aguas não invadem as terras, e os animais não consentem da avareza.

       O egoísmo das críticas relata a ti mesmo tua falência intrínseca, censurar vestimentas, gostos, familiares ou formação anatômica, pressupõe uma vida infeliz e amarga, a inocência crepitante em busca da vida condecorada pela TV e as canções. Não existiríamos se comportássemos da maneira que todos gostaríamos que fossemos, a personalidade e a identidade anuladas por bestiais desejos caprichosos, isentando os verdadeiros olhos da realidade cotidiana, e atribuindo a teu ser a frustração.

 Objetamos arbitrariamente devido nossas perspectivas vivenciadas, a sagacidade de aceitar as derrotas e sustentar teu caminho a partir do fracasso permeia as zonas de orgulho, os viventes aboliram de si mesmos a aceitação de sua inferioridade, os pensadores podem explicar tal dificuldade dos povos, e quanto a mim, percebo que estou sozinha, maltrapida e suja, me tornei uma mendiga.

                                                                             - Marcos Leite

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