Para sempre.

23 de Abril de 2014 JWILER Contos 666





  Naquele dia no
litoral, paramos o carro e caminhamos por muito tempo, sentindo nos pés a areia
fina e as marolas ritmadas do mar... Algumas gaivotas nos observavam e faziam
acrobacias no ar para nos alegrar. De mãos dadas jurávamos que nunca mais
iriamos nos separar. Para todo lado que olhávamos a natureza nos reverenciava;
verde com árvores nativas e coqueiros por todos os lados. Nosso amigo caiçara
levou a gente para dar um passeio em sua jangada, Você ria muito. Nós riamos sem
parar e em coro. Brincávamos como os peixes entre um mergulho e outro. O
sorriso do verão nos cobria. Nada mais faltava. O mundo era nosso. Tínhamos
registrado nossos nomes nas areias da praia muitas vezes. Sabem-se lá quantos
dias estávamos naquele paraíso. Na verdade o tempo não importava, estávamos
felizes, e isto sim, era importante.



  Era o nosso
cantinho secreto do mundo há quatro décadas. Na nossa cabeça ninguém mais o
conhecia. Fora criado e preparado só para nós. Era onde esquecíamos as mazelas
do escritório; você como diretora, e eu como vendedor. Todo suor da labuta era
lavado ali. O que mais poderíamos querer. Trabalhamos muito a vida toda; nossos
filhos já estavam crescidos. Queríamos distancia do nosso cotidiano na
megalópole.  Nada de engarrafamentos,
paletó e gravata. Nada de salto alto e saia justa. Exigências da civilização
que ficavam para trás. Desta vez seria diferente. Trocamos o carro e o que
restou de dinheiro pela jangada. Ficamos com o mínimo de roupa. Apenas o
suficiente para tapar nossos sexos. Deixamos os sapatos em algum lugar. Nenhuma
fatura para pagar. O celular não mais tocava. Éramos nós e a jangada. Queríamos
eternizar aquela felicidade. Desta vez concordamos em deixar o destino dirigir
nossas vidas. E ele se apresentou em forma de vento.



Aos poucos o continente se distanciava. Lá longe tudo ficava
pequeno: a praia, os coqueiros,  as
montanhas, e as lembranças. Só se via a imensidão do oceano. Riamos muito. O
vento soprou forte e levou nossas minúsculas roupas. Sabíamos que não
voltaríamos jamais, e que estaríamos juntos para sempre...



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