Incomodo. Numa sala vazia de sorrisos uma garota sentia incomodo. O fato de se incomodar com tudo a incomodava. Iam de coisas banais, até aquelas que realmente importavam. Mas incomodava se incomodar. Sentia-se frágil, menor do que já era pela dor iminente no coração. E por tão pouco. Chorava aquela coitada pelo simples fato de não ter pelo que chorar. Saber que nada estava errado e mesmo assim se importar com coisas minúsculas a matava cada vez mais. Se importar demais chegava a ser um defeito. Quem passava as noites chorando, imaginando situações improváveis era ela, e por que? Apenas porque se importava e se incomodava tanto com coisas insignificantes. "Coisas normais" todos diziam. É normal sentir dor quando se é feliz? É perfeitamente normal saber que se acha sempre um defeito onde não existe? As dores da pobre garota não eram por coisas normais. Não no seu mundo. Mas ela estava exausta. Exausta do incomodo. Eram pequenas faíscas, pequenos cortes pertinho do coração, que não doíam por completo, mas que sim, incomodavam. E chorava ouvindo uma música antiga, e pensava em como era boba chorando por nada. Era no que tudo resumia-se. Nada. Não tinha com o que se preocupar, não existiam desconfianças, nem traições, muito menos desamor. Apenas aquele incomodo. Foi dormir, pois não mais aguentava se importar tanto com coisas mínimas, bobas. Cansou de incomodar-se.