Marcella

12 de Maio de 2014 Alu Rezende Contos 1160

Finalmente uma nota boa na prova oral. 8,5 para mim já era ótimo. Eram quinze alunos na turma. A gozação foi grande, pois todos sabiam da minha dificuldade e inibição. Aos 46 aprender uma outra língua é mais difícil. Nunca falava isso, mas sabiaque era o que todos pensavam.

- E aí, tia. Conseguiu, heim!

- É, Ricardo, parece que cheguei lá.

Não sei se havia seis ou sete rapazes, poiseles faltavam mais que elas. Com idades variando entre 17 e 26 anos, não mesentia avó de ninguém. Mas era normal que às vezes me achasse responsável poralguns do grupo. Havia os mais engraçados, os mais barulhentos, os maisinteligentes. Joyce só tirava notas excelentes. Não muito comunicativa, umpouco reclusa, era natural que fosse menos aceita por muitos na turma. Marina eRicardo eram os mais extrovertidos e os que davam mais trabalho ao professor.Marcella, a que menos falava.

Foi com esses que mais me relacionei.Isso se deu a partir do momento em que percebi que poderia tornar as coisasmais fáceis para Joyce diante do grupo. Alta e magra, 17 anos, cabelos louroscobrindo o pescoço, a franja na testa, as notas altas o tempo todo faziam-na oinverso do pudim da festa. Sua presença, com alguma ponta de arrogância,parecia incomodar a todos. Acontece que Marina e Ricardo, 20 e 23, talvezocupados demais com a tentativa de liderança do grupo, e Marcella, 29 – a maiscalada e talvez a menos aplicada –, não estavam se dando bem com o Inglês. A minha nota melhor no teste oral meaproximou de Joyce.

- A senhora tem uma boa pronúncia.

- Obrigada, Joyce, mas não vou ficar zangadase o tratamento for “você”. A propósito, o que você acha de nos reunirmos comMarina, Ricardo e Marcella? É que vem a prova escrita aí. Você iria nos ajudarbastante.

-Tudo bem. Depende deles. Com a Marcella acho que não haveriaproblemas. Mas Marina e Ricardo ...

- Eu falo com eles. São mais velhos quevocê, mas não passam de duas crianças.

Para surpresa de todos Marcella ofereceu asua casa. Morava com os pais, que se encontravam na Itália. Falou que seria umachance de não passar mais um fim-de-semana sozinha. Marcella era a própriaitaliana, embora tivesse nascido no Brasil. Ombros largos, cabelos negros quasena cintura, alta o suficiente para o disfarce de certo excesso de peso, oslábios carnudos, a pele alva.

A casa dedois pavimentos ficava em  Laranjeiras.Realmente, três quartos em cima e duas salas e um outro quarto em baixo, era umambiente em que qualquer um se sentiria muito só se não houvesse companhia.

- Entra, Zélia. Ninguém chegou ainda.

- Bem, pelo menos nisso vou ser a primeira.

Em casa Marcella pareceu-me completamentediferente da colega de classe. De repente ocorreu-me que nunca a tinha visto decalça comprida. Na verdade ela vestia um “jogging”, bem colado ao corpo, e umacamiseta de malha. Não exibia qualquer maquiagem. Nas aulas, sempre maquiada ede saia e blusa. Aqui parecia bem mais jovem. No curso talvez quisesse parecermais velha.

Ricardo e Marina chegaram logo depois. Joyce só apareceu às 4:30, isto é, meia hora apóso combinado. E ela foi um show. Não só de simpatia, mas também de tolerânciacom os colegas que sabiam menos. Fiquei feliz porque próximo ao final doencontro, lá pelas 7:00, ela já se achava bem à vontade com todos e todos comela. Foi humilde ao sugerir que o fato de ser filha única talvez contribuíssepara a sua dificuldade de se relacionar com as pessoas. Mesmo assim conseguiu conquistaro coração de Alfredinho, o seu vizinho que estudava no Colégio Militar. Ricardofalou de suas conquistas amorosas, mas deteve-se mais nos seus três irmãosmenores cuja educação era a preocupação maior de seus pais. E dele também, queagora contribuía com a renda familiar. Marina contou um pouco da suaexperiência conjugal de dois anos com Cassiano, que chegara ao fim antes doinício do curso, para a satisfação de sua mãe. Marcella apenas ouviaatentamente, mas quando era a sua vez pouco falava de si. A resposta era umsorriso encantador. Soubemos apenas que tinha uma irmã que morava com a tia eque frequentou um colégio de freiras até aos 18 anos. Não falou de homens emsua vida. Aliás não falava nunca. 

Joyce saiu às 7:15 mais ou menos. Temia chegar muito tarde. Cerveja, salgadinhos e principalmentevinho passávamos a consumir agora em maior abundância, aproveitando a ausênciada lourinha. Antes houve o medo de que a mais jovem do grupo  tivesse algo contra. Ou pudesse sentir-sedemasiado inibida.

Com a saída de Joyce, Ricardo e Marina tomaram conta da reunião. E foram brincadeiras esacanagens o tempo todo. Mas às 9:00, talvez sentido o efeito do vinho e dascervejas, os dois decidiram ir embora. Eu seria então a última.

- Acho que vou nessa também. Fui a primeiraa chegar e ...

- Quê isso, Zélia. É cedoainda. Além do mais você não tem filho pra criar nem marido pra trair! Ecertamente vai encontrar em casa o mesmo que eu aqui, isto é, ninguém.

Era verdade. Como era verdade também que pelaprimeira vez Marcella enunciava mais que duas orações. Procurava até serengraçada. Com isso fui querendo ficar ali. O ambiente era acolhedor. Marcellaestava mais descontraída, talvez em função do que já havíamos bebido. Era bom edivertido vê-la do jeito como nunca a tinha visto.

A sala de estar ficava dois degraus abaixo da de jantar, onde havíamos estudado.Estávamos no sofá em frente à lareira, ao lado da qual uma estante exibia umaboa quantidade de livros. Cortinas brancas ladeando a estante escondiam aparede.

Já um pouco tonta, ao movimentar-se para cima do sofá para sentar com as pernas cruzadascomo Buda, Marcella talvez não tenha ouvido o pequeno ruído. A calça de malha,colada ao corpo e denunciadora de suas grossas coxas, havia se esgarçado erompido exatamente no ponto de encontro entre suas pernas. Instintivamenteolhei e percebi o tufo de pelos negros que contrastavam com o tecido carmim dosofá. Ela não usava calcinhas e parecia não ter a intenção de proteger-se ou deimpedir-me aquela exposição. Talvez também pelo efeito do vinho, ou não sei sepor cumplicidade, decidi sentar na mesma posição, diretamente em frente a ela.Como estava de saia e não havia razão para maiores pudores entre duas mulheres,agora era a visão de minhas calcinhas que atraia o seu olhar. Embora disfarçado,não era menos insistente que o meu.

À medida que falávamos e ríamos gostosas gargalhadas, Marcella jogava a cabeça paratrás, querendo desalinhar os cabelos. Mas logo que a cabeça assumia a posiçãonormal, seus olhos se dirigiam para o meio de minhas pernas. E eu notando que acalça dela cada vez mais se rompia. Primeiro os pelos negros e espessos edepois os lábios carnudos e brilhosos, denúncia da excitação. Aquilo me causavaum incômodo peculiar. Ou era mesmo atração? A visão de sua vagina ia ficando total.E parecia que aquela vagina olhava para a minha, ainda coberta pelo tecido derenda da minha calcinha branca. Procurando valer-me dos momentos em que suacabeça se movia para trás, eu começava a afastar com os dedos a calcinha, natentativa de permitir que as duas vaginas se olhassem. Oh, Deus meu, queloucura! Era para que Marcella me visse do mesmo modo guloso que eu a olhava?Por que eu fazia aquilo?

- Como você é boba, Marcella. Quer dizer queo professor está caindinho por mim! Ele me trata com atenção por eu ser a maisvelha da turma.

- Você sabe que não é assim. Você sabe que é uma mulheratraente e está solteira porque quer.

A enfase na palavra mulher coincidiu com ojeito cada vez mais ousado de seu olhar sobre o meu sexo. Cada vez mais desinibida,Marcella pousou a mão direita sobre a coxa e, a cada gargalhada maisestrondosa, escorregava-a sobre a vagina, coçando-se na região do clitóris.Aquilo me excitava. Na verdade agora eu descobria que já me excitara no momentoem que cheguei à sua casa. Na porta ao me receber, a visão de suas pernas, edepois sua bunda, torneadas por aquela calça colada ao corpo, tinha mexidocomigo. Eu não sabia ao certo por que. Era viúva sim, há quatro anos. Não viviacom homem nenhum, mas não me lembrava de ter um dia pensado em me sentiratraída por uma mulher. Só que agora eu começava a perceber. Marcella sempre meintrigou. No curso eu estava à toda hora procurando me aproximar dela. Se haviaalguma pergunta, era sempre a ela que eu fazia primeiro. Intrigava-me aqueleseu jeito distante. Descobria agora que na verdade tratavam-se de desejosreprimidos, que na época eu não percebia, e que começavam a ser liberados.Coisas que acontecem entre humanos.

No meio dessas elucubrações, não notei queMarcella havia se movimentado na minha direção. Tudo muito natural, afinalficávamos cada vez mais desinibidas. Nossos joelhos quase se tocando. Nosolhávamos, mas nossos olhos sempre mais preocupados com o nosso ponto de maioratração. Foi aí que pude perceber, entre seus lábios vaginais grossos einchados, devidamente entreabertos pelo indisfarçável estado de excitação, foiaí que pude perceber o clitóris de Marcella. Quase me assustei. Grosso, duro,brilhoso, grande. Talvez 4,5cm. Um pequeno cone de base larga, enrugado, meolhando. Coisa incomum. Primeiro o espanto, depois o encanto e a boca cheiad’água que não pude evitar. Cheiro de sexo no ar. Dois de seus dedos percorreram-novagarosamente da base à ponta. Aquele grelo talvez fosse o segredo seu, a razãodo seu distanciamento, do seu enigma. Seus olhos pararam nos meus.

- Bobinha ..., viúva, tanto tempo sozinha, é?Não quer ninguém? 

Procurei as palavras mas não achei. Até porque, novamente sem que eu tivesse percebido,Marcella havia se aproximado bem mais. O seu joelho esquerdo já colado ao meusexo e o seu grelo ela o esfregava no meu joelho esquerdo. Eu fingia nãoentender e deixava. Era pura ousadia agora. Atrevimento. Não havia mais o quedisfarçar. A língua surge no meio dos lábios carnudos e num segundo nossasbocas se colam. Respiração ofegante. Ela me beija e me cheira. Afastando-me comrigor o joelho já lambuzado, empurra-me contra o sofá. Seus ombros largos mecobrem. Chupão na boca a minha língua machuca. Esfrega o nariz no meu comforça. Fico assustada. Percebo que ela é violenta. Ensaio alguma reação,procuro algum espaço. Ela pára, se ergue e me olha. A posição é de domínio. Osolhos são ameaçadores. Vem um leve sorriso depois, um sorriso de conquista.Minha saia quase sobre meus seios. A calcinha de renda ainda pro lado. Aspernas abertas. Sinto a sua mão esquerda sobre o meu sexo. O dedo médiopercorre a fenda sem penetrar. O cheiro cada vez mais presente no ar. Com asduas mãos ela puxa a calcinha. Não espera a minha ajuda. Como resistir agora?Levanto-me um pouco e ela puxa tudo. Surpreendentemente ela pega a calça eesfrega-a na própria buceta. Demora bastante, enxuga o grelo. Só aí percebo queestá sem camiseta. Os seios alvos, os bicos inchados balançam diante de mim.Mais água na boca. Finalmente, e aí com delicadeza e de novo sem pressa, ela sedeita sobre mim, se ajeita, desliza, procura com a sua buceta a minha, as maõsprendendo as minhas no sofá, o grelo lambendo-me a fenda à procura do meu.Sinto que eles se encontram. Ela aí solta as minhas mãos, prende com as suas omeu rosto, procurando manter coladas nossas bocas, e começa a mexer suavemente,a roçar. Desliza um pouco. Mais embaixo sinto que ela tenta me penetrar. Tudodesliza, tudo escorrega. Ela fica metendo, eu fico metendo. Ela me morde alíngua. Desliza de novo pra cima. Os grelos roçando novamente. Meus dedosenterro-os no sofá. Seus líquidos são abundantes. Já gozei dez vezes. A vozdela rouca e sussurrante.

- Vem ..., vem fuder, Zélia queridinha!

Rio, 05/06/2002

Alu Rezende 

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