Lembranças de um amor esquecido no tempo

17 de Maio de 2014 Saulo Alves Falcão Contos 1203

Quando algum tom de
voz se parecer com o meu, você irá lembrar de mim, mas vai ser um lembrar
diferente, um lembrar distante, um lembrar, talvez, doído. Você vai lembrar que
eu gostava de repetir teu nome milhares de vezes até você se encher e me calar
com um beijo, ou mesmo tampando minha boca e me fazendo cócegas que você sabia,
certeiramente, onde fazer. Toda madrugada você vai sentir falta de escutar
minha voz, robotizadamente, pelo celular, quando eu te ligava ou você me ligava
para dar um simples boa noite, mas que terminávamos falando do que tinha
acontecido na novela das 9 ou no nosso dia corrido, você não terá mais isso, o
que você vai ter é o teto branco do seu quarto, que você ficará olhando para
suprir minha falta, a minha ausência vai doer, mas foi você que provocou, nunca
se olvides disso. Você vai sentir um vazio quando não mais escutar minha voz,
terrivelmente cantada, nas suas músicas prediletas, ou nas minhas. De todos os
beijos que tiveres, sentirás sempre a falta do meu, afinal de contas, ninguém
vai morder seus lábios, estrategicamente, como fazia e ninguém nunca vai
enroscar a língua na sua formando aquele nó perfeitamente sacana que só a gente
sabia fazer. Ninguém vai te olhar como te olhei, como te seduzi, mesmo sem
querer, num espaço público qualquer, ou na sua casa, ou na minha casa. Ninguém
vai te satisfazer como eu, assim como idem pra mim. Você sentirá falta dos meus
gestos perfeccionistas, ninguém vai ser tão detalhista como eu, ninguém vai
saber exatamente o que você quer, e você vai se sentir desprotegido, se lembra
que te prometi que nunca iria deixar ninguém te machucar e que sempre faria de
tudo pra te fazer sorrir?! Pois é, essa pessoa não estará ao seu lado, outra
poderá está, mas não dessa maneira, não desse modo, não desta forma. Quando
você estiver no seu carro, e por acaso tocar a nossa música na rádio – sim,
aquela chiclete que ouvíamos sempre que estávamos juntos –  uma lágrima aparecerá no seu olho e seu
coração palpitará um pouco mais forte, você desligará o som ou mudará de
estação, não por que não gosta mais da música, mas por que ela te faz lembrar
de mim, te faz lembrar do que fomos, e isso dói, machuca, sufoca. Quando o frio
aparecer, você não terá mais o meu corpo quente para te aquecer, e você sentirá
falta do meu calor, do meu abraço, na verdade, sentirá minha falta, eu sei que
vai. Seu coração vai doer, você vai chorar, e eu vou me acabar, pois não
poderei fazer mais nada, a não ser, enfim, te esquecer.

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