Sentada em sua
cadeira confortável em frente ao computador ela se prepara para escrever, seus
óculos estão tortos como sempre, mas ela não liga mais, não tem dinheiro para
nova consulta ao oftalmologista e para o absurdo dos preços de óculos novos.



  Sua mente
fervilha de ideias, tornando difícil escolher uma só.  Ela compara sua mente a um poço profundo e
denso, cheio de ideias grandes e pequenas, bobas ou brilhantes, que nadam,
borbulham e sobem para respirar ocasionalmente.



  Ela pega sua vara
de pescar ideias e coloca isca no anzol, dá bastante linha e lança ao poço,
logo uma ideia morde a isca, ela luta para coloca-la para fora, briga
ferozmente com a vara e por fim consegue pescar uma ideia razoável, examina e disseca
o pescado, entende e captura a sua essência.



  Quando dá por si,
seus dedos já estão digitando, quase que sem interferência de sua mente, eles
parecem criar, copiar e desenhar a ideia sozinhos. Estranhamente ela não
consegue pensar ou formar uma frase sequer, sem ter seus dedos deslizando sonâmbulos
pelo teclado.



  Quando acaba de
escrever, lê admirada o texto e não acredita que foi produzido por ela e mesmo
assim se sente frustrada, pois o texto é só um rascunho da ideia original, mas ela
nunca desistirá de encontrar uma forma de retratar suas ideias  com perfeição. Até lá se contenta em melhorar
seus rascunhos e quem sabe um dia alcançar uma brilhante ideia e descrevê-la
brilhantemente.