Malditos Roedores

11 de Agosto de 2011 Larinho Contos 901

Eu sou gordo, assumo isso sem culpa alguma, sempre fui e provavelmente sempre irei ser. Quando pequeno sofri as consequências na escola, mas isso passa, além do que sempre há alguém menor que você, bem geralmente isso é bom.
Admito que não sou um bom exemplo de organização, moro sozinho no centro da cidade e meu apartamento é o que podemos chamar de reino das trevas, na verdade sempre dou a desculpa de que é uma experiência de geração espontânea, sabe, aquela teoria “ Um lugar escuro, roupas amontoadas e farelo de comida” , bem essa era a desculpa mas há alguns dias algo realmente me surpreendeu. Era um sábado e eu resolvi inovar, iria comer uma bela macarronada no almoço, pesquisei várias receitas na internet, olhei no youtube como fazê-las chequei minha despensa e pedi o prato pelo telefone ao restaurante italiano mais próximo.
Enfim após uns ansiosos trinta minutos o prato chega, eu já estava quase babando neste momento, sabe aquela vontade que você tem de comer alguma coisa que só vai passar quando você comê-la? Eu a conheço, com que frequência? Todo tempo! Joguei as roupas que estavam em cima da mesa na cordilheira central da sala que a cada dia ficava mais alta e só declinava um pouco ao final de cada mês, abri aquela preta gelada, e trincando, peguei o prato , os talheres, me acomodei, abri o embrulho da comida e a despejei por inteiro no prato ( sim, ele era grande), dei a primeira garfada mas ai senti o peso da ansiedade, afinal me prendi durante meia hora esperando o entregador. Fui ao banheiro e voltei, porém a próxima garfada foi mortal.
Numa cena de câmera lenta eu desci o garfo, e nessa hora um monstro apareceu por entre a massa, não, não era o todo-poderoso monstro de esparguete voador, mas sim um mamífero pequeno de quadrupede odiado e temido por todos devido a sua capacidade de transmitir doenças e, principalmente, a frescura. Sim, um rato. Na hora foi um “WTF!” O susto foi tão grande que a cadeira inclinou e eu cai de costas no chão, pesada e lentamente formando ondas de dissipação no calo sexual abdominal. Depois da queda o primeiro pensamento reacional que tive foi “Filho duma ...” a raiva tomou todo o meu ser. Procurei rapidamente algo para aniquilá-lo mas 0encontrei apenas um chinelo que no máximo o mataria. Levantei-me o mais rápido que pude, ele ainda me encarava do meio da massa da minha macarronada, era valente, dava para se perceber pelo olhar maligno, olhei-o diretamente enquanto me arqueei para uma mega-chinelada que desceu com toda a velocidade capaz por alguém como eu, a gravidade ajudou e foi bem rápido, mas não tão rápido quanto o roedor, o monstro pulou velozmente da mesa, mais veloz do que o prato de macarrão de voando na minha barriga e me melando. Não desisti, vi por onde ele foi. O banheiro era o lugar mais arrumado, eu o encontraria lá, e foi o que aconteceu, ele se escondia atrás da privada, tentei acertá-lo de um lado, mas ele havia sumido , tentei do outro mas só vi o resto de um rabo , estava se escondendo pensei “ vou pegá-lo no susto da sandália voadora”, minhas propriedades matemáticas teóricas se provaram inúteis pois além de não acertar o rato-ninja dei uma patinada perigosa no banheiro , girando o braços e me equilibrando, me sustentei na pia e consegui me recompor a tempo de ver a saída do roedor.
Ele corria pela casa na esperança de encontrar a saída mas estava indo pro lugar errado, eu o perseguia e nesse meio tempo eu pisei no controle da TV quebrando-o, mas enfim o encurralei na inutilizada área de serviço, ele estava numa quina, não havia para onde ir, mesmo assim o rato ostentava uma postura máscula, não tinha medo, me olhava nos olhos encarando a face da morte, era um bom rato eu pensei, pena que tinha se metido com o gordo errado. Chegou então a hora da chinelada final me abaixei e soltei toda minha força no chinelo. Um som agudo de chinelo batendo no chão me surpreendeu microssegundos antes o rato atravessara o vasto vale entre minhas pernas e correra para a liberdade. Pedi outro prato e comi satisfeito, porém um pensamento não saia da minha cabeça:
“Malditos roedores, mal consigo acompanhar seus movimentos!”

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