Em minha mente ainda corre algumas lembranças daquele dia. E
agora que está aqui na minha frente, falando do seu presente e o que espera
para o seu futuro, não consigo esconder a falta que me fez o nosso passado.
Estou feliz por ter me procurado, e me dito que da ultima vez que nos vimos,
não queria ter dito aquilo, e que as cartas que eu recebia anonimamente, eram
suas. Eu devo dizer que já sabia. Mesmo tentando disfarçar a letra, havia seu
perfume nelas. E eu engolia compulsivamente meu choro. Tentando lidar com as inúmeras
impossibilidades que aquele adeus nos trouxe. Em sua frente eu sorrindo,
tentando esconder o quanto minha vida está uma bagunça, e torcendo pra que não
perceba. Quem foi embora primeiro? Quem desistiu primeiro? Tentávamos nos
lembrar, enquanto tomávamos aquele sorvete de pistache. Sempre foi o nosso
preferido.  Você me disse que chegou a ir
a minha formatura, mas não teve coragem de falar comigo, se sentia culpada, mas
aliviada por que eu estava sorrindo. Por que alguém era agua e o outro era
toalha, alguém havia sido parasitado, mas não conseguimos concluir quem.  Ambos fizemos mal. Ambos fizemos bem.  Mas aqueles dias só voltarão em nossas mentes.
Tão gentil para o outro, tão cruel. Fechamo-nos, partimos. E nunca concluímos quem
foi que destruiu quem primeiro.