Eu te emprestei o meu coração com a condição de explorá-lo e que pudesse encontrar lugares, nunca antes habitados. Abrisse portas que ainda nem eu mesmo sei para onde vão dar. Você poderia encontrar um lugar aconchegante e fazê-lo de moradia se assim desejasse. Eu tenho a certeza que você encontraria a solução dos seus problemas, em uma sala miúda que eu preparei pra você, no momento em que te vi, somente de coisas que te fariam feliz. E que se assim não fosse, me devolvesse quando não o quisesse mais. Não o lhe dei para que o jogasse fora, somente por que você se perdeu logo no início. Eu havia te entregado um chaveiro defeituoso, que te daria acesso total. Um chaveiro estranho, cheio de altruísmo e devaneios que coloquei o nome de amor. Mesmo assim você não conseguiu abrir algumas portas e não foi perseverante o suficiente para tentar outra chave. Precisei me ver definhando, implorando por um nós, para enxergar que a minha metade, havia aceitado todas as suas limitações, condições e sua forma de demonstrar que se importava só para não deixar de ser uma metade do nosso inteiro. Que o cinquenta por cento que me pertencia, havia sido quarenta, trinta, vinte e até um por cento, só para não ser um zero.