Nicoly

10 de Junho de 2014 Priscila Pereira Contos 797

  Em uma cidade pequena e rural, bem no topo de uma colina, havia uma
casinha simples, mas bela, poderia até se dizer encantadora. Lá vivia
Nicoly, uma moça singela e meiga, era linda, mas não se dava conta
disso. Quando era criança se achava feia e desengonçada, magra demais, e
quando cresceu não percebeu que virara uma moça realmente formidável.
Era de natureza melancólica e calma, tinha grandes olhos expressivos,
castanhos, cabelos cacheados também castanhos, tinha a postura ereta e
graciosa. Tinha grandes sonhos impossíveis, que sabia que nunca se
realizariam, mas se alegrava pensando neles.

   Certo dia, perto da
hora do por do sol, Nicoly estava em seu quarto escrevendo uma carta
para seu amor, ela ainda não o conhecia, não sabia nada sobre ele, mas
sabia que ele existia e que estava procurando por ela. Colocava suas
cartas em uma antiga lata de biscoitos, que já estava cheia de cartas
apaixonadas só esperando por um destinatário. Por um instante Nicoly
parou de escrever e olhou pela janela, sentiu uma vontade incontrolável
de observar atentamente o que se passava com a natureza lá fora, abriu a
janela, o sol estava se pondo deixando um lindo tom alaranjado sobre a
colina, o dia estava extremamente frio e sombrio, formando assim um
delicado quadro. Ela avistou um rapaz sentado  em uma pedra, olhando na
mesma direção que ela, estava imóvel e parecia em profunda contemplação,
ela nunca tinha visto ninguém estranho por aqueles lados, ficou
curiosa, mas não ao ponto de ir conversar com o rapaz.

     A partir
daquele dia, todos os dias Nicoly via o mesmo rapaz, parado na mesma
pedra, algumas vezes contemplativo e outras vezes escrevendo ou
desenhando, não sabia bem, só sabia que o rapaz segurava uma prancheta e
com um lápis rabiscava algo. Ela já estava intrigada com a situação,
precisava descobrir quem era o rapaz, o que fazia lá todos os dias.
Esperava ansiosa a hora que ele estaria lá, passou a pensar muito nele, a
imaginar como seria sua vida, inventava um passado, amigos, família, e
até um amor.

     Um dia enquanto observava o misterioso rapaz,
percebeu que quando ele foi embora deixou sua prancheta para traz. Seu
coração batia furiosamente, enquanto saia de sua casa e ia até o local
onde estava a prancheta, segurou-a em suas mãos olhando avidamente o que
estava no papel, deparou-se com um desenho delicado, de traços firmes e
precisos. Era um retrato dela.  Boquiaberta, as mãos tremulas, olhava
os outros desenhos, todos dela, em diferentes situações e com inúmeras
paisagens de fundo.

     Sentou-se sobre a pedra para se refazer do
susto e da surpresa, logo avistou o rapaz que voltava, de certo para
recolher a prancheta que esquecera. Quando o rapaz notou que ela estava
lá, sentiu-se extremamente embaraçado, corou violentamente, mas
continuou com passos firmes ao seu encontro. Nicoly se levantou e os
dois olharam-se, olhos nos olhos.

     - Via você em meus sonhos, não sabia se era real. - Disse o rapaz com voz embargada.

 
   Nicoly sabia no seu coração, com uma certeza inabalável,que seu
grande amor tinha enfim a encontrado e foi buscar uma certa antiga lata
de biscoitos.



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