Sonhos

15 de Junho de 2014 lobopoeta Contos 806

SONHOS

Vários
livros registraram os sonhos de 
personalidades  que mudaram o
mundo. Sonhos que se transformaram em grandes inventos, que de alguma forma,
transformaram o planeta, trazendo comodidade, conforto, celeridade e acabaram
se tornando o desejo de outras pessoas.

  O que pretendo não é falar de
grandes sonhos, mas sim dos pequenos, que acabam mudando o rumo de uma vida.
Pessoas anônimas que marcam sua presença em pequenas comunidades, ou apenas em
sua família ou ainda, que representem algo unicamente para si.



  Independente do que realizou tal
pessoa, ou da repercussão de seu invento, duvido que alguém em algum momento
tenha indagado sobre a felicidade intima, desta pessoa.



  Ninguém registrou seus pequenos sonhos,
se ele conseguiu a felicidade, se realizou o desejo de conquistar a pessoa
amada, se foi amado, se trazia nos olhos o brilho dos amantes e dos felizes.



  Tantos defendem que para ser feliz é
necessário conquistar o amor, a saúde e o dinheiro.  Para estes sem essa trilogia não se consegue
a felicidade plena, que não precisa ser na ordem que foi apresentada. 



  Não vejo necessidade de vincular a
felicidade a um dos elementos da trilogia. Ela depende de cada pessoa.  Cada indivíduo  é ou não vetor deste sentimento que marca,
modifica ou extingue a própria vida.



  Como já relatado  o objetivo desta narração não é criar um
monumento ou enfatizar grandes realizações, mas sim prestar uma homenagem a
beleza das pequenas coisas.



Desse modo começaremos nossa história falando
de um casal que vivia em dificuldades financeiras, e suportavam às duras penas
o sustento dos três filhos que já possuíam,



A mulher engravida pela quarta vez. Começaram
o questionamento da dificuldade, ainda maior, que teriam.  ...” Mais um boca para sustentar, e agora?”.
Como o casal tinha fé o, se conformaram com os clichês usados à época: “Onde
comem cinco, comem seis” “Deus dá o frio conforme o cobertor” e por aí afora.



O bebe nasceu na década de mil novecentos e cinquenta, período em que o Brasil passava, por grandes transformações
políticas e econômicas. Isso também serviu de alento para seus pais acreditarem
que seria mais fácil cuidar de seu sustento, educação e de todas as
necessidades que teria.



Esse entusiasmo todo permitiu ao casal ter
mais três filhos, sendo que dois foram natimortos, restou mais uma menina.
Agora aquela família estava completa. Tinham casa própria, camas e  cobertores. A comida era comprada no “Armazém
do Japonês”, mediante anotações em caderneta que eram pagas pontualmente todo
dia dez.



As crianças se portavam bem, e quando não o
faziam levavam surras com o cinto de fivela, ou com o calçado de corda de uma
marca bastante conhecida. Não era permitido mentir, além do castigo de Deus tinham
que conversar com o pai quando chegasse do trabalho.



A televisão brasileira, ainda engatinhava, a
programação iniciava-se ao meio dia e terminava a meia noite.  Havia 
vários seriados importados, que eram 
chamados de enlatados. Muitos musicais também.



No sábado à noite, a família e vários dos
seus vizinhos, se reuniam defronte ao televisor da marca “Invictus” comprado em
vinte e quatro prestações mensais sucessivas e consecutivas, para se deliciarem
com a luta livre. Era um festival de acrobacias, onde o lutador do bem sempre
vencia o seu adversário do mal.



  As crianças eram ensinadas à respeitar
os pais e os mais velhos. E aprenderam que o bem sempre vencia o mal.



  No Natal esperavam ansiosamente a
chegado do Papai Noel, que nunca acontecia. De tanto esperar dormiam e ao
acordarem no dia seguinte encontravam debaixo da árvore de natal, suas bolas de
“capotão” número cinco e bonecas com cabeça de vinil e cabelos enraizados.



  Sabiam também que os bebes eram trazidas pela cegonha, quantas e tantas
vezes a criança ficou no quintal de sua casa, com uma pedra na mão, esperando
alguma cegonha passar, para castigá-la por ter derrubado o irmãozinho que iria
nascer e acabou sendo um dos casos de natimorto já citado.



  As crianças tinham suas obrigações,
de manhã todos iam estudar. Na volta para casa, almoçavam, descansavam por
pouco tempo, faziam os deveres escolares, ajudavam a limpar a casa, lavar a
louça, engraxar o sapato do pai, até hoje não entendi porque tinha que engraxar
todos os dias e por fim “jogar água” na horta com um regador manual.



  Havia também as brincadeiras, como
era bom, para a criança jogar futebol no campinho improvisado num terreno
baldio ao lado de sua casa, onde o lixo e as travessuras se misturavam. Como era gostoso marcar um gol,
ou ser o primeiro a ser escolhido após o par ou impar dos goleiros. Só era ruim
ser o goleiro que invariavelmente era o culpado pelas derrotas.



  Também trazia muita satisfação pegar  frutas na chácara do português, que de vez em
quando percebia a garotada  e com seus
cachorros ferozes os perseguiam com palavras ameaçadoras, que só estimulavam-nas a voltar no dia seguinte. Corriam muito e se
lançavam num córrego de águas imundas e depois contavam vantagem sobre não ter
medo ou ter pegado a laranja maior.



  A primeira vez que a criança se
revoltou com seus pais, já tinha aproximadamente oito anos, descobriu que Papai
Noel não existia. Ficou muito triste porque apanhara várias vezes por mentir e
os adultos podiam mentir livremente sem nenhum tipo de punição. O que a criança
não sabia é que esse era o jeito  que
seus pais sonhavam.



  A infância foi um período muito longo,
o tempo não passava, todos os dias eram iguais, acordar, escovar os dentes, ir
para a escola, estudar, descansar, fazer as tarefas escolares, lavar louça,
limpar casa , engraxar sapatos, jogar futebol, pegar frutas, correr, vencer o
córrego, contar vantagem e descobrir que não era a cegonha que trazia os bebes
e que Papai Noel não existia.



  Nessa época a criança sonhava em ser
adulto, ela ainda não sabia o quanto esse período da sua vida era bom e
alimentaria os sonhos de toda a sua vida.



 




Uma ciranda e um pedaço de
pão.


O
velho sonha em voltar no tempo,



Para
brincar de viver com sabedoria,



Para
aproveitar cada momento



E
desfrutar a vida com alegria.


As
lembranças do seu passado,



Confundem-se
com os dias atuais,



As
brincadeiras de quartel e soldado,



Mudaram
muito, estão desiguais.


E
ele olha em volta e procura um menino



Para
dar colo e cantar uma canção.



Ciranda
cirandinha, ciranda do destino.



Ciranda
do carinho, ciranda da emoção.


E
o cuidado do velho alimenta a criança,



Que
sonha com amor e um pedaço de pão



Ensina
paz, mundo melhor e esperança.



Vida
presente movida à emoção.



.............................. continua, caso gostem .



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