"Não posso fazer você me amar!" - disse de supetão, assim que vi a metade do seu rosto pela fresta da porta. Você me olhou assustado, pude ver milhares de interrogações naqueles seus olhos castanhos, que sempre me dispersavam, de tão lindos, toda vez que queria dizer algo importante, mas que, dessa vez, não conseguiram. "Não posso fazer você me amar.." - repeti num sussurro triste. Você ficou quieto e me encarava, esperando que eu explicasse o porquê daquela frase. "Não me permito querer fazer você me amar. Querer que você sinta algo que talvez não queira sentir. Não posso fazer você querer juntar os cacos toda vez que eu tiver uma briga da comuns brigas que eu sempre tenho com a minha mãe. Não posso fazer você querer acariciar meu rosto toda vez que eu estiver brava, e muito menos, me beijar quando eu tentar te bater por não ter elogiado meu vestido novo. Não posso fazer você querer ficar, todas as vezes que eu te mandar embora após uma discussão. Não posso fazer você querer comida Italiana, ao invés de comida Japonesa, ou querer comprar aquela camiseta que eu vi na vitrine, e que ficaria ótima em você, mas que você odiou. Não posso fazer você parar de falar que meu corpo é lindo, porque eu realmente não o acho lindo. Não posso fazer você querer construir uma família comigo, ou levantar todos os dias às seis pra ir comprar nosso café da manhã na padaria da esquina. Não posso fazer você querer dormir, e acordar do meu lado toda noite e manhã. Eu não.. eu não posso mesmo, fazer você me amar. Mas eu te amo. Eu te amo com todas as letras, da forma mais linda e dolorosa possível. Eu te amo. E não ligo se não quiseres me amar, não ligo mesmo." E assim, virei as costas, abri a porta e olhei para trás, e fui.. fui na certeza de que me ligaria para dar Boa noite, e se não ligasse, eu também não ligaria. E mesmo assim, eu continuaria à te amar.