Livro: RENOVAÇÃO - Capítulo 4

22 de Junho de 2014 challenger Contos 700

Sete e meia e já estava pronto para me encontrar com a Nathália. Para começo de conversa, ela é a a imagem de "cdf" encarnada, com óculos e tudo. Inteligente, rápida tanto nos pensamentos quanto nas palavras. Era sim muito tímida, mas quando sabia de um assunto, logo falava com entusiasmo e paixão. Fisicamente ela era linda, apesar da galera lá da faculdade não achar isso, pois com 1,60 de altura, cabelos pretos e longos até a cintura, sempre de calça jeans e blusas folgadas, não dava para ter ideia de como era seu corpo. Era branquinha, com olhos castanhos e só usava lápis preto nos olhos e um batom rosa, mais nada. Seu jeitos de mexer os cabelos, quando falava e agia, tudo isso havia me chamado atenção, e eu estava na época da putaria total. Ah, ela era mineirinha típica.

   Lembro como sua mãe me olhou quando abriu a porta para eu entrar. Eu nunca levaria jeito para modelo, mas até me achava bonito. Tenho 1,85 de altura, magro mas com peitoral definido e braços musculosos, fazia na época natação e malhava um pouco, pois na boa, nunca curti sala de musculação. Uso meus cabelos castanhos arrepiados e só os deixo "social" quando estou de terno e gravata, ou seja, quase nunca. Sou uma mistura de cara de homem com barba por fazer e às vezes cara de moleque, quando ficava com cara de bunda de nenêm. O que me destacava mesmo eram meus dentes brancos e meus olhos azuis, que eu sabia muito bem usar, naquelas trocas de olhares.

   Nunca curti muito me vestir com roupas coladas, mas meu guarda-roupa era bem variado, e hoje fui de básico, calça jeans surrada, uma blusa branca e uma camisa de mangas dobradas preta. Calcei meu tênis preto da Quiksilver e fui de cara limpa mesmo, porque com meus vinte e sete anos, eu tinha que me parecer mais novo. Com meu samsung Galaxy s3 mini vi como andavam as centenas de mensagens, mas não havia nenhuma da Nathália desmarcando nada. Fui de ônibus para a única Livraria Cultura, que fica no shopping da cidade. Eram sete e cinquenta e pelo que percebi, ela não havia chegado. Devia ter tomado minha garrava de smirnoff long neck, para dar uma acalmada nos ânimos. Fui de trident mesmo, coloquei meus fones para escutar umas músicas que haviam no meu celular. Ouvi eletrônica mesmo, começando com Seeya de deadmau5.

   Subi para o segundo andar da livraria, para vê-la chegar e quando eram oito e doze, ela chegou, falando ao telefone. Prestei atenção nos seus lábios e achei engraçado com o que entendi. Ela estava muito linda como da última vez que a vi. Seus cabelos estavam soltos, usava uma blusa cinza folgada, mas muito bonita, e também usava uma calça jeans, só que na cor salmão e de sapatilhas brancas. Depois que ela desligou foi em direção ao café. Desci as escadas e nos encontramos. Nos olhamos por alguns segundos e sorrimos. Foi ali, naquele momento, que me apaixonei por ela. Não sei como explicar isso, mas o que eu senti foi...foi felicidade pura.  

   -Boa noite Nathália, tudo bem? 

   E nos abraçamos. Dei o melhor abraço que poderia dar, com carinho, de leve, mas a deixando protegida. Seu perfume era muito, mas muito bom, o que me deixou com vontade de beijá-la. Ainda rolava música nos meus fones.

   -Julius, quanto tempo! Desculpa o atraso, meu carro não pegou e meu pai teve que me dar uma carona. -Eu estou bem, na medida do possível e você? -O que está escutando?

   Ela pegou um fone e colocou na orelha. Passava Raise your weapon do deadmau5. Respondi que também estava bem, , que não se atrasou, pois eu também havia chegado a pouco tempo, tirei meu fone, desligando a música e fomos nos sentar. Pedi um café gelado e ela um mocaccino. Percebi que havia algo de errado, mas não quis comentar e fomos para a conversa.

   -Fala aí Nathália, o que anda fazendo da vida? -Trabalhando muito?

   -Sim, depois que me formei em jornalismo, fui para a capital trabalhar num jornal, mas não deu muito certo e quando voltei, arranjei outro trabalho no jornal aqui da cidade, que é pequeno, mas é muito mais trabalho do que eu imaginei que seria. -E você, o que faz, onde trabalha?

   -Bom, como você sabe, eu fiz algumas matérias de jornalismo, mas me formei em Marketing e eu trabalho um pouco em casa, ou pouco na rua, fazendo um pouco de tudo. 

   -Sério? -Mas trabalha em alguma agência como você queria?

   -Nossa, você tem uma boa memória! -Acho que te falei isso quando fizemos aquele trabalho lá na sua casa.

   -Foi isso mesmo. -Nossa, tem tanto tempo, mas parecia que foi ontem. Ela me olhou com vergonha depois que disse isso e eu tentei entender o porque.

   -Tem o que, dois anos? Ela confirmou e eu tentei relembrar, mas me veio poucas coisas. Lembro que o pai dela não foi muito amigável comigo, apesar de toda a sua educação. Sua mãe se encantou comigo, servindo um lanche e me tratando com mimos. Fizemos o trabalho de faculdade na sala, pois a mesa era grande e o lugar bem iluminado. A casa dela era enorme, mais parecida como uma mansão e havia uma piscina, com uns quinze metros e um quintal com grama verde e hortênsias azuis. Sonhei com aquela casa, pois eu sempre morei em apartamentos e nunca tive todo aquele espaço. Sonho com casa mais pelo fato de ter animais de estimação e de tomar um banho de sol quando me sentir com frio.

   -E seus pais, como estão? 

   -Ah, eles surtaram quando eu fui para a capital, me ligavam todos os dias. -Quando não deu certo, e voltei, ganhei uma casa de tão felizes que eles ficaram.

   -Poxa, sério?

   -É, mas deixa eu me explicar melhor. Você ainda lembra como era minha casa quando fez trabalho lá?

   -Sim, claro.

   -Pois é, eles construíram uma casa de dois andares no quintal, como eu sempre havia sonhado. É pequena e muito bem decorada por mim e ainda tenho vaga para o meu carro. 

   -Nossa, qualquer dia você me leva lá, pois se eu já gostava da casa dos seus pais naquela época, imagina agora. -Tenho um apartamento, que tem decoração de "homem" sabe?

   -Se precisar de uma decoradora, faço com prazer e sem cobrar nada. De novo ela ficou com vergonha, desviando seus olhos dos meus. Ela sempre falou o que pensava na lata e vi que ela ficava envergonhada às vezes. -Enfim, desculpa as minhas insanidades. -Mas me diz, por que agora esse seu convite, por que não antes? Eu fiquei meio sem jeito de como explicar aquilo para ela e tentei ser o mais superficial possível.

   -Bom, eu passei por um momento não muito bom da minha vida. -Tipo, na parte profissional, estava tudo bem, mas começou a declinar com a vida social, onde pessoas erradas, baladas e bebidas, estavam me destruindo.

   -Nossa, Julius. -Mas o que houve? 

   -Ah, eu estava com raiva naquela época da faculdade, depois que terminei um relacionamento que tinha colocado todas as minhas fichas e esforços. -Fiquei revoltado com o mundo à minha volta e só queria... sei lá, curtir adoidado, sabe? -Mas perdi alguns trabalhos e estava acabando com as minhas economias com pessoas que queriam apenas me sugar.

   -Dessa parte de pessoas que só queriam sugar, eu sei como se sente. -Como sempre fui mais esforçada, no segundo grau eu descobri que todas as pessoas me cercavam para obter trabalhos e respostas nas provas. Descobri que tinha apenas uma amiga, a Laís, que é uma irmã que nunca tive. -Chegando na faculdade eu fiquei mais fria, me afastei de todos os que só queriam o resultado. -Lembra do Fred?

   Fred era um viado que se achava o único ser mais inteligente na face da Terra.

   -Desculpa Nathália, mas para ser sincero, nunca entendi porque você tinha aquele babaca como amigo.

   -Pois é, achava que ele era meu amigo, mas você ficou sabendo o que ele fez comigo no trabalho de conclusão?

   -Não.

   -Então, aquele idiota e eu fizemos o trabalho, por seis meses e ele teve a audácia em dizer que eu tinha copiado o trabalho e que ele não fazia dupla comigo. -Tipo, ele me queimou na frente de todos os professores da faculdade. 

   -Mas, como assim, por que?

   -Porque ele sentia inveja de mim. -E segundo ele, não gostava de mim, apenas se divertia com as sacanagens que ele fazia comigo.

   -Que filho da puta! -Quer dizer, desculpa o palavrão. -Mas aí, o que aconteceu?

   -Não, tudo bem. -Ele foi muito filho da puta sim, e se não fosse pelos professores, eu tinha me ferrado. -Apresentamos o trabalho de conclusão e ele foi para Londres com um velho, seu namorado.

   -Nathália, me explica uma coisa. Por que você teve que refazer o trabalho? Seja sincera comigo, porque na boa, não entendi. 

   Ela me olhou com dúvida. -Como asism? -Que trabalho?

   -Ué, o trabalho que fizemos na sua casa. No outro dia, quando fizemos o trabalho e você tinha faltado, perguntei para o Fred e ele disse que o trabalho tinha ficado uma porcaria e ele teve que ajudar você a refazer o trabalho. -Por isso, tinha faltado.

   Ela me olhou chocada, riu e vi que estava ficando com raiva. -Eu não acredito que aquela...aquela bicha louca falou isso para você!

   Afirmei e ela ficou muito, mas muito indignada mesmo, nunca a vi ficar assim.

   -Então você também nunca disse para o Fred que eu era uma nerd chata e mimada?

  -Como é que é? -Ele disse isso? -Que viado filho da puta!

   -Ai que ódio dele, Julius! -Como pode alguém ser assim? -Ah, mas eu juro, quando ele voltar, eu vou ser a primeira a recebê-lo, e vou quebrar o nariz que ele acha tão perfeito com um soco.

   Rimos do que ela falou e conversamos um pouco sobre tudo. A conversa fluía normal, mas havia uma pessoa que estava nos observando muito. Desde que sentamos onde há o café na livraria, um senhor ficara de longe nos observando. Primeiro achava que era um velho louco, pois estava a mais de meia hora lendo um livro de cabeça para baixo e depois que percebeu isso, virou o livro e ficou na mesma página. Daí surgiu uma ideia na minha cabeça e fui testá-la. Peguei uma das mãos da Nathália e cheguei mais perto. O cara que estava a uns dez metros de distância, agora estava a apenas três e saquei quem era.

   -Mas diz aí Nathália, como está sua vida, tipo, trabalhando muito, indo para as baladas...

   Ela se arrepiou quando eu a toquei. E com um jeito muito carinhoso, tocou minhas mãos. Gostei daquilo. 

   -Depois da faculdade, consegui uma entrevista num jornal da capital e também estava muito revoltada, com tudo e com todos. -Achava que não existiam pessoas boas e passei por cima de muitos naquele jornal, criando quase inimigos. Fui demitida e por causa de um tio meu, que é dono de uma gráfica, consegui um emprego no jornal da nossa cidade. -Quero apenas ganhar experiência sabe? -Só que...

    -O quê?

   -Onde eu trabalho, sou uma faz tudo, menos uma jornalista, que escreve matérias e tudo o mais. -Trabalho muito e lá também o povo não vai com a minha cara, depois de algumas desavenças.

   -Mas por que, Nathália? -Eu te acho tão tranquila.

   -É porque você não me conhece, Julius. -Depois que me conhecer, vai cair na real.

   Olhei nos seus olhos com alegria. Ela ficou novamente com vergonha e respondi: -Primeiro, adorei quando você disse: "depois que me conhecer", pois vi que teremos vários encontros. -Segundo, depois que eu te conhecer, saberei que você não é assim, como você fala. Ela ficou vermelhinha quando parei de falar. 

   -Nathália, vamos sair hoje a noite?

   Ela ficou meio sem jeito e pensativa. -Ahmmmm....como assim, sair hoje?

   -Bom, você precisa sair para deixar os problemas  de lado, isso faz bem. -E como vocês teviram a certeza de que eu não era mau...

   -Ahm? -Não entendi Julius. -Como assim "vocês". 

   -Não vire a sua cabeça para trás, mas acho que seu pai está a mais de uma hora nos observando.

   -Ah não, não acredito nisso!

   -Ele está de calça caqui, camisa xadrez azul e uma blusa de frio preta. Usa óculos e está de sapato social marrom. 

   -Estou pasma! -Juro para você Julius, eu não sabia! -Como é que ele...não! -Julius, desculpa, sério!

   -Não precisa se desculpar de nada, tendo uma filha linda como você, tem que se preocupar mesmo.

   -Nossa, como você gosta de me deixar vermelha de vergonha!

   -Vamos fazer o seguinte, se você seguir meus passos, e seu pai vier até aqui, você sai comigo hoje.

   -Meu pai não faria isso. -Ele não é doido de fazer isso.

   -Ah e tem mais, você não vai brigar com ele, entendeu?

   -Mas é claro que vou brigar com ele!

   -Nathália, promete para mim que você não vai brigar com ele. Ela me olha indignada, depois confirma.

   -Tudo bem, vamos lá. -Primeiro eu gostaria que você chegasse mais perto de mim com a cadeira. Foi o que fez e seu pai começou a vir até a nossa mesa, então tive que ser mais rápido. Toquei o rosto da Nathália com minha mão direita e dei um beijo de leve no seu pescoço, quando....

   -Minha filha, é...você esqueceu suas chaves!

   Nathália estava morta de vergonha! Me levantei e comprimentei ele, falando seu nome, pois nunca vou me esquecer dele me fuzilando com os olhos quando fiz o trabalho com sua filha.

   -Arnaldo? -Tudo bem com o senhor?

   Ele me olhou com espanto e gaguejou qualquer coisa inaudível. Lembrei-o quem eu era e ficou ainda mais transtornado. Nathália estava muito envergonhada. Cheguei perto dela e disse que lá pelas nove e meia da noite, a buscaria na sua casa, pedindo para que ela me passasse o endereço por whatsapp. Me despedi dela apenas com um beijo e depois um aperto de mão com seu pai e fui-me embora para casa, tomar um banho e pegar meu carro.

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agradeço a leitura e os comentários, de coração. isso me faz melhorar o modo como escrevo e corrigir meus erros. valeu!

Capítulo 1 

Capítulo 2

Capítulo 3                                                                  


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