Tudo foi  ter lido o livro do Desassossego de Pessoa,de alguma forma você se despersonaliza ,é quase uma extinção de pensamento e ação ,todo gesto ou sensação se liquidam,querer obsessivo de estar tão ausente,de capa e espada heterônimas ,a cada página provava da privação de um sujeito,mesmo porque insiste em sonhar e sonhar sem pausa.A alma como quê se encanta no movimento,descobrindo um mundo novo mas inverossímil ,a bordo de um navio fantasma ,cuja tripulação se desconhece surpreendendo,fingindo igualmente sonhar no elemento marinho,rompi com a casca do ovo,temendo a serpente,arriscando o pesadelo,e assim provei de um renascimento,orbitando lentamente ,não mais saber o que é sonho ou realidade predispunha-me ao mundo imaginário dos psicóticos,palavras escritas e lidas iam pela fúria iconoclasta de um liquidificador,não havia dúvidas,e sim ,uma espécie de cosmovisão absoluta,um integração instantânea e imediata com o objeto de desejo,sonho,pensamento se materializando,reconheci finalmente ter passado uma temporada no inferno.O livro de Pessoa fora apenas um álibi por forças mentais desfavoráveis.Infelizmente a alma continua divagante,à deriva de outros recifes,escolhos,teorias do fim de quaisquer situações,sua mente,sua saúde mental estava sob estado de sítio,as palavras que estavam mortas até então foram ganhando novas roupagens,de um sopro inovador de vida,sem a necessidade de regressões passadas e futuras;estava sendo passado à limpo num processo de escrita consciente e meditada,mediada desta vez pela simples realidade dos fatos,de um a rosa é uma rosa amarela, branca ou vermelha,sem poesia,por teve grande dificuldade amorosa,desaprendeu  o discurso amoro pelas palavras,se as diziam se confundia com o objeto e novamente se atormentava,depois descobriu o perigo que ,sim, as imagens delirantes,as quais forjavam seu próprio idioma,o de sua constituição primeira,a origem,o verbo nascer.