O duelo de dois matutos

16 de Setembro de 2011 João Igor Cordel 7008

Certa vez dois matutos iniciaram uma discursão devido a uma compra de uma cabra. O dono do bode era Naldinho de Otília, poeta da cidade de Monteiro, que levou sua cabra para feira de Zabelê e ofereceu para Tião do leite, que por sua vez era um grande fornecedor de leite de cabra da região.

Ao chegar à feira, então Naldinho começou:

Tenho uma cabra branquinha
dos olhos da cor de mel
seu pelo é bem tratado
mais parece até um véu
ou um pedaço de nuvem
caído do nosso céu.

Já sou apegado a ela
tem valor sentimental
agora vou criar gado
e preciso de capital
estou vendendo a bichinha
apenas por cem real.

Ao ouvir o verso Tião do leite ficou muito interessado na cabra, analisou e fez a seguinte oferta:

Naldinho caro companheiro
gostei muito da danada
mas digo que esse valor
é uma coisa extrapolada
só pago quarenta conto
pra tu não ficar sem nada.

Naldinho então se invocou com a situação e disse:

Tu num tá valendo nada
me dê e se dê respeito
quarenta conto não serve
nem para comer direito
saia de perto de mim
para não levar nos peito.

Tião retrucou:

Daqui já vi um defeito
a bicha tá bem magrinha
seu berro quase nem ouço
e os dentes da bichinha
se ela morder capim
vai ficar é banguelinha.

Naldinho então falou:

Pois se não quiser comprar
vá embora dessa feira
pois não quero nem lhe ouvir
conversando essa besteira
pode acontecer desgraça
nessa bela sexta-feira.

Tião disse:

Então façamos o seguinte
vamos ali ao meio da praça
quero duelar contigo
só pra ver tua desgraça
e se eu perder, eu pago
se ganhar, levo de graça.

Naldinho então aceitou o desafio e os dois foram ao centro da praça para iniciar o duelo que ficaria marcado na história de Zabelê.

Naldinho iniciou:

Essa cabra é querida
estou vendendo pois preciso
sua raça é de primeira
que já tem até a ISO
e para vender de graça
vou ficar no prejuízo.

Tião disse:

Não me importa essa ISO
pois se ela for leiteira
e render um bom trocado
pra eu poder fazer a feira
eu fico com a danada
se não eu passo a peixeira.

Ao dizer isso, a cabra amarrada deu um puxão na corda que torou até o pé de agaroba que ela tava amarrada virou-se e para surpresa de todos disse:

Vou embora dessa vida
cansei dessa humilhação
o povo pega nos meus peitos
sem nem autorização
cortam meu pêlo todinho
ainda durmo no chão.

Sou tratada como pedra
igual a mercadoria
não veem que um animal
também tem sua valia
produz para o próprio homem
que assiste sua sangria.

Todos então, ficaram assombrados com o que acabaram de presenciar e o narrador dessa estória deixa o seguinte verso como reflexão:

Não maltrate os animais
pois eles tem seu valor
alegram muitas famílias
e não pedem nenhum favor
alguns já salvaram vidas
e só querem é amor.

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