Confesso

02 de Julho de 2014 Rob Santos Crônicas 441

Confesso



Sabe de uma coisa, vou confessar:
eu sinto falta. Muita.



Sinto falta daquele jogo maluco
de palavras que fazia um embaralho na minha mente. Do jeito que você jogava o
cabelo para a esquerda sempre que ia tirar uma foto. Da maneira como você sabia
me calar como um beijo e me fazia esquecer a raiva com uma chuva de carinhos.



Falta do jeito infantil que você
sorria sempre que eu contava uma piada boba. De assistir aquele seriado cheio
de médicos recém-formados, nos domingos de chuva esparramados no sofá. Das vezes
que você elogiava a minha comida, mesmo eu sabendo que não estava tão boa
assim. Sinto falta do jeito que você falava empolgada sobre as aventuras que
teve quando ainda não estávamos juntos e da frustração enquanto contava os
dramas amorosos das suas amigas.



Confesso que lembro com certa
dose de saudosismo a forma na qual a sua cabeça se encaixava perfeitamente em
meu peito e dos carinhos na minha barba rala. Da sua alegria a conhecer e
gostar das novas bandas e artistas que eu apresentava quase que diariamente. Sinto
falta da sua felicidade em dormir nos meus braços depois do almoço. Sim, eu
sinto falta.



Pois é, você não está mais aqui. Aquela
série dos doutores novatos não tem mais graça. Eu não apresento mais bandas
novas a ninguém, na verdade eu agora ouço os poucos discos que não me lembram  você. A cozinha virou um deposito de caixas de
comida pré-pronta e embalagens de sanduíches pedidos pelo telefone. Já não
escuto muitos causos e falo cada vez menos, nessa introspecção de doer. Na
farmácia não vende remédios para o esquecimento e o álcool já não faz mais
efeito, só me deixa com uma puta ressaca.



Se você estiver lendo isso, saiba
que o Netflix colocou mais algumas temporadas daquela série que você adora. Lá
também tem aqueles filmes água com açúcar que você sempre queria assistir. Fique
sabendo que eu tirei a barba um tempo, mas não consegui mais me enxergar com
cara de garotão. Saiba também que eu aprendi a cozinhar novos pratos quentes,
frios e novas formas de fazer o mesmo sanduíche. Até me arrisquei numa nova
sobremesa.



Você está aí e eu estou aqui, mas
todo mundo acha que deveríamos estar juntos. Nesse caso é “a voz de todos é a
voz de Deus” ou “Toda unanimidade é burra”? Eu não sei. Eu só sei que eu sinto
falta.


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