Tem coisas que só com o passar do tempo é que ficam pra trás. Dizem que o tempo funciona como um remédio ou uma borracha de apagar. Quem já não ouviu frases como “o tempo curará essa ferida” ou “o tempo apagará isso da sua memória”. É, mas os remédios nem sempre curam totalmente e feridas deixam cicatrizes, bem como as borrachas deixam vestígios. Uma coisa é deixar pra trás, outra é sentir-se curado ou apagar lembranças.
Quem nunca perdeu um alguém importante, seja para a morte ou para a vida. Sim, porque só há duas possibilidades de as pessoas saírem da nossa vida: morrendo ou indo viver suas próprias vidas sem a nossa companhia, e acredite, a segunda é a mais dolorosa. Quando alguém que amamos morre, sentimos uma dor profunda por saber que nunca mais teremos contato físico, jamais ouviremos a sua voz, veremos seu sorriso, trocaremos confidências, jogaremos conversa fora, sentiremos seu cheiro, enfim, nunca mais desfrutaremos da sua presença. Mas, nesses casos, temos a certeza de que esse alguém nunca mais fará isso porque sabemos exatamente onde está. Já quando perdemos alguém para a vida, fica uma sensação de perda e ao mesmo tempo de incapacidade, incompetência, inutilidade. Perder alguém para a morte não é demérito pra ninguém, pois é sabido que esta é um inimigo poderoso, atroz, implacável e imbatível que jamais será vencido por um ser humano normal. Já perder alguém para a vida é provar o gosto amargo da derrota, da humilhação de ter sido vencido, de não ter tido capacidade de ser para essa pessoa aquilo que ela esperava ou procurava, de não ter conseguido preencher os espaços em sua vida, de não ter atingido plenamente os seus anseios. Perder alguém para a vida não significa necessariamente perder para outra pessoa. Podemos perder para várias coisas e até pra ela mesma. Quantos pais perdem seus filhos para as drogas, quantas famílias perdem entes queridos para o álcool, quantos companheiros perdem seus amados para o trabalho. A sensação de dor e impotência diante dessas perdas é com certeza muito grande por saber que a pessoa a quem você dedica seu amor, sua atenção, seu carinho, não está mais interessada em receber isso de você preferindo estar em qualquer outra companhia ou até mesmo sozinha à estar com você. Mas, o que temos que aprender é que nem sempre somos os causadores da perda, ela pode se dar por uma questão interior da outra pessoa e por mais que lutemos contra, ela pode ser inevitável e aí nada mais há para fazer a não ser dar tempo ao tempo.
Certamente a perda é sempre dolorosa e o tempo realmente um aliado. Ao recordar alguém perdido lá atrás uma pontinha de dor pode aparecer, mas logo se dissipará como um punhado de pétalas lançadas ao vento. Quando perdemos alguém, seja para a morte ou para a vida, podemos ter ao menos uma certeza – o tempo não cura nem apaga, ele pode deixar cicatrizes em nosso coração ou vestígios em nossa mente, mas com certeza ele ameniza a dor e a angústia porque é um maravilhoso amigo com quem podemos contar sempre!

13/03/08

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