A noite ainda não começou e eu já não sei mais diferenciar os ponteiros do relógio em meu pulso. Mais uma vez, me perdi antes mesmo de chegar ao meu destino. As esquinas foram se tornando amigas inseparáveis, onde as ilusões não me deixavam perceber o tamanho do perigo que corria. O ponteiro parece não se mover, mas ao mesmo tempo, tudo passa tão depressa ao meu redor, que me sinto dentro de um carro, observando os postes que ficam para trás.

Concomitante a tamanha falta de preocupação, a euforia se mistura com um sentimento ruim, de abandono, tristeza. Tristeza essa que começa e parece não ter fim, enquanto tudo o que consegue ver são pessoas felizes e você não consegue achar essa felicidade. Abandono capaz de fazer com que seus pensamentos se tornem formas e você consiga interagir bem mais com eles, do que com as pessoas reais que você não pode mais enxergar.

Tenho andado tão perdido entre a ilusão e a realidade, que vejo as duas com os mesmos olhos. Percebi que a estrada estava cada vez mais estreita e não havia retorno. Não poderia sair, tinha que continuar, como uma meta do destino, mesmo que não fosse o correto. Talvez não nos falemos mais, pode ser uma despedida, mas preciso continuar. Quero saber o que há no final desse caminho.

Depois de me contar essa breve história, um dos meus pesamentos se levantou, virou as costas, seguiu em linha reta até que eu não mais pude vê-lo. E depois desse dia, ele não mais retornou.