Você deixaria as drogas pela paz?

27 de Agosto de 2011 Ullisses Salles Crônicas 1386

Eu não uso drogas, já fumei pontas de cigarro de maconha e infelizmente não senti o barato que os usuários dizem que sentem, o máximo que consegui foi dor de cabeça e embrulho no estômago.

Já inalei lança-perfume e desmaiei por cinco minutos. Já me embriaguei e dormi no hospital em duas ocasiões além de várias outras em que não fui porque ninguém me levou.

Quem me conhece pessoalmente ou através dos meus textos, sabe muito bem a minha posição em relação as drogas. Sou totalmente contra a proibição, pois em pleno terceiro milênio já tivemos provas suficientes que é impossível proibir o uso de entorpecentes.

Desde que o mundo é mundo os homens usam alucinógenos como medicinal ou para se subtrair à realidade da vida, seja por causa da fome, da guerra, ou simplesmente como estímulo na criação artística.

O combate as drogas se mostrou ineficaz e serve apenas para alimentar a indústria antidrogas, seus agentes secretos, suas armas seus orçamentos aprovados em regime sigiloso... Mas a verdade é que compra-se droga em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora independentemente da idade, cor da pele ou crença.

Diante do fato indisputável que a proibição não serve de nada e apenas alimenta a violência, pois a resposta à guerra antidroga é justamente a pior possível, a máfia, o tráfico, e o dinheiro sujo sem controle fiscal, que tal mudar estratégia? Que tal parar de dar murro em ponta de faca e investir um décimo do orçamento usado nas CIAs da vida em educação?

Se os países do mundo ocidental tivessem mais interesse na educação e menos interesse nas armas, talvez o uso de drogas hoje não fosse esse monstro de 7 cabeças destruidor de famílias. Que tal liberar todas as drogas e educar nossas crianças e adultos assim como fizemos com a AIDS e o preservativo?

Sejamos francos, AIDS mata e matou milhões pelo mundo, e no entanto ninguém proibiu as pessoas de transarem o que se criou foi uma campanha mundial de informação, distribuição de preservativos e muita educação nas escolas desde os primeiros anos de ensino médio.

Porém o meu questionamento vai muito além do óbvio, afinal de contas não é preciso ser gênio para perceber que a educação custa menos e é muito mais eficaz do que a proibição.

Enquanto os governos ocidentais não abandonam as armas gerando ainda mais violência no combate as drogas, que tal você usuário parar para pensar no assunto? Você que faz campanha pela paz, você que perdeu parentes e amigos no semáforo com um tiro proveniente de uma arma comprada pelo tráfico?

Você que reclama da violência da polícia, da corrupção da mesma, da corrupção dos políticos envolvidos na máfia das drogas, já parou para pensar que cada vez que você compra um simples cigarro de maconha você alimenta o tráfico? Como você quer combater a corrupção se você gera o dinheiro que corrompe nossos policiais e políticos? Não que você seja culpado por eles serem corruptos e corruptores, mas que tal você cortar o mau pela raiz?

Você estaria disposto a parar de consumir cocaína, heroína, craque, maconha e todo o resto em prol de um bem maior? Em prol da paz nas cidades em prol do enfraquecimento do poder dos políticos e barões do tráfico?

Eu não posso falar por vocês, pois como já disse antes, sou careta, não uso e não tenho vontade de usar, não fumo nem cigarro, mas faço questão de viver em uma sociedade menos violenta. Quero de algum modo cortar a grana que enriquece nossos governantes e marginais envolvidos nessa guerra sem fim e sem motivo.

Não sou contra as drogas, sou contra a proibição e sou a favor da paz, se você pode usar drogas sem recorrer ao tráfico, que o faça e seja feliz, não condeno ninguém por fazer uso, cada um é responsável por suas escolhas. Acho ilusório querer proibir as pessoas de usarem alucinógenos, assim como seria irreal proibir o sexo por causa das doenças sexualmente transmissíveis.

Enquanto nossos governos não se movem na direção certa, que tal você leitor e usuário dar a sua contribuição na guerra contra a violência? Afinal de contas eu não uso e não quero morrer pela bala comprada com seu dinheiro.

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