A fotógrafa e o roqueiro

27 de Agosto de 2014 gabriela Crônicas 808



Quinta-feira de madrugada é usualmente igual pra Ana como qualquer outra pessoa, com a diferença de que o deleito e o descanso da moça era numa cadeira laranja em frente ao computador; editando fotografias. Ganhava bem? Bom, não sabia, o dinheiro que recebia ia direto para a caixa azul, queria viajar o mundo. Austrália, Europa, Índia e Malásia pareciam ter a fórmula para a libertação da Almad'Ana, poético, não? Era a forma como ela pensava, a frequência dos pensamentos dela faziam os cosmos dançarem. Ana acreditava no amor, e isso contamina sua fotografia, seus olhares e criava uma musicalidade. Para música, sejamos francos, Ana não sabia de nadinha, só era apreciadora. Aliás, surgiu a oportunidade dela fotografar o que realmente gosta; pessoas. E mais: uma banda. De rock. Oportunidade perfeita para demonstrar sua verdadeira vocação, amava fotografar sua cidade, mas editar as mesmas paisagens e ter que forçar a barra com propagandas eleitorais já estava cansativo. Reclamando? Talvez. Ana é reclamona, a típica chatinha dos grupos que mete o pé quando não tá bom. Já o Klauss era diferente, era maior palerma. Dizem que é porque ele era estrangeiro: um alemão, chamado Klauss, morando no Brasil. Não fugia do clichê. Tinha que ser maior paciente. Aceitava tudo. Klauss amava o país tupiniquim, embora reconhecesse as mazelas, e por isso se empenhava para mudar. Era um romântico incurável, acreditava nas pessoas e dava 3ªs chances. Escrevia livros, poesias e músicas. Ninguém sabia. Só o pessoal da banda. Escrevia sobre tudo, mas nunca deixava de colocar a verdade dele nas músicas. Klauss não era feliz o tempo todo. E isso que mais o marcava como gringo. O caráter taciturno do moço era confundido com timidez, e nos piores dos casos com picaretagem. Klauss era maior branquelo, mas amava o Sol. No verão tinha queimaduras do tamanho da via láctea. Exagero? Não, a via láctea é bem pequena comparada ao tamanho dele. Alto, sim, mas a alma dele era ainda maior. Quando tinha dois reais dava um e cinquenta para quem o pedia. Klauss tocava bateria numa banda de roque em roll e fazia trabalhos "freelance" para algumas empresas. O dinheiro ia todo pra livros, ou emprestado. Não guardava nadinha. Gostava de cálculos, era o homem que calculava. Sonhava tocar nos festivais de música. Ia ser fotografado por Ana. Se a banda contratou os serviços dela? Nada. Vou contar.

PS.: a crônica foge do padrão do que eu, geralmente, escrevo aqui. Mas, tenho escrito essa história, e senti vontade de publicá-la, deixem-me saber se gostaram ou odiaram.


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